segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Verdade e aspirina para o louco na montanha

Foto: publicdomainq.net

Para a malta que, como eu, viveu pelo menos uma parte da nossa Golden Age em Lisboa, este discurso do "todos lhejábrem as pernas, é uma aflição", tem aquele piquinho a lampião que provoca urticária. No fim do dia, quero lá saber se os pastéis se deixam comer e se apressam, eles próprios, a cobrirem-se de canela para terem um gostinho mais exótico, a fazer lembrar as naus que partiam ali mesmo em frente. Se queremos acreditar que o Domingos pactua com o jeitinho aos lampiões, tudo bem. Naturalmente, espero que estejam errados, porque de outra forma o futebol não teria interesse nenhum.

Mas por favor não me venham com o estafado "lutar com as mesmas armas". Isso não! Se estas são as armas dos outros - o Vitória fez o jeito aos lagartos? - a última coisa que quero é vencer por utilizá-las melhor do que eles. Sorry, count me out.

Pieguinhas por pieguinhas, vou mais pelo nosso Machado: O fosso é provavelmente maior. E nota-se mais nesta fase, onde os bons jogadores conseguem disfarçar qualquer coisa da natural falta de ritmo e mecanização dos sistemas. Creio que se continuará a notar pelo Campeonato fora, porque há equipas mesmo fraquinhas. Olha, o Tondela é uma. Mesmo que não tenha levado cincazero. Pois.

Já se sabe, ontem estava calor. E o adversário não deu pica. Quando estiver o campo bastante enlameado e jogarmos contra o Real Madrid é que vai ser bom. No fundo, estamos apenas a auto-justificar o facto de, aparentemente, os outros terem entretido os seus deprimentes apaniguados melhor do que os nossos a nós. Pá, lixem-se para isso, contamos nove pontinhos que era o minimo exigível. Também era o máximo, pois que mais pontos não poderíamos somar neste momento. Só não vale a pena andar à volta das questões: Há um Mar Azul e há uma confiança renovada e bem precisávamos de ambos. Sustentam-se no excelente futebol da equipa? Nop! Talvez tenham raiz no que se vislumbra ser o potencial, a intenção, o ponto de chegada. E isso não tem nada de mal, porque é mesmo no inicio que estamos. Não vamos é fazer de conta. O treinador, por exemplo, parece que não faz. E não tem gostado assim muito do que tem visto. O que não é possível é esquecer quem é que treina. Olha, eu não sou, fica a pista.

De resto, 3 jogos e nenhum golo sofrido - mas aquela dupla de centrais ainda não está ao nível do ano passado, let alone o trabalho defensivo do meio-campo. 3 jogos e 8 golos marcados - mas precisamos de elevar muito o grau de eficácia, já para não falar na última decisão. Isto é, coisas a melhorar, como seria expectável nesta fase, mas está tudo a correr bem, de momento. O que contrasta claramente com os estados de espírito somojusmelhoresdoMundo e deixalárranjarumadesculpakejáfomos.

Os adversários estão tão fortes, um, e mais fortes, outro, pelo que se vê deste inicio de campeonato. E nós também não estamos nada mal e, pelos sinais, vamos ficar melhores. Porque haveríamos de estar desde já a subir cabisbaixos a um cadafalso, enquanto murmuramos que não tivemos reforços, ai se a cavalaria tem chegado a tempo, pobre de mim, pobres de nós, pobre do Sérgio que não faz milagres.

Isto depois de termos todos achado lindamente que se olhasse para o que cá estava e de muitos terem, inclusivamente, dado hossanas pela uefeira troika, que nos poria no bom caminho. Poijé, ninguém está mesmo disposto a perder a Vida para salvar o Mundo, que é como quem diz, ninguém está pronto para ficar mais um ano à seca. Eu cá não estou! Em minha defesa o facto de nunca me terem agradado castigos, de nunca ter defendido - e o que já levei na cabeça por isso - equipas "da formação", anos sabáticos, passos atrás e mais uma série de balelas que caem por terra aos primeiros cincazero. Dojôtros.

Pode ser impressão minha, mas noto os narizes a começarem a torcer-se um bocadinho e acho que é muito cedo para isso. Como era demasiado cedo para os hácanoskenãoviaoPuortassim. Não é agora que até os comemos, carago. Foi sempre! É para isso que cá estamos, para mais nada.

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Portanto, com os pés fincados na areia do deserto, que a branca e fina já se me esvaiu num fuso horário outro, é que devemos olhar para o que mais nos importa: Nós.

Se ficou claro desde o primeiro pontapé que Sérgio Conceição decidiu preparar uma equipa para atacar o Campeonato, dando muitos minutos aos mesmos e poucos aos outros, é natural que sobrem algumas dúvidas quanto às alternativas. Porque as vimos ainda muito pouco, pré-época incluída. Com esta reserva mental presente, não me é, ainda assim, possível escapar a algumas preocupações:

O que acontece quando Oliver não jogar? O mesmo que acontece ao nosso jogo quando não é ele que constrói? Credo, seria uma desgraça. Temos uma verdadeira opção ao nosso 10, que é 8 - vénia ao grande Jorge Vassalo - faz as vezes de 6 de vez em quando, recupera bolas à frente como se fosse avançado e dá uma perninha nas alas? O Lucas Lima da vez continua referenciado, certo?

A diferença entre um Brahimi ao pé coxinho e Brahimi nenhum é a que vai da primeira para a segunda parte de ontem? Credo!

Quando um Ricardo se constipa, temos mesmo que jogar com 10 mais o Jesus? Ou o Hernâni? O pior é que eu ontem vi o Tottenham e eles precisam tanto de um defesa direito... Já Álvaro de Campos se zangava com a vida, à conta das constipações. Especulo, pois claro. Nada que não se resolva com verdade e aspirina.

Se o Rui não serve sequer para aquecer o banco, porque não o deixam jogar na B? Ou é ele que não quer? Percebo que o Pedro não pode fazer o que se pede a um Marega - o Moussa merece estar cá! - ou a Abou e Soares. E isso é o que o treinador quer dos seus avançados, pelo que este não cabe. Admito que, na ausência, preocupante, de um modelo alternativo, Sérgio Conceição prefira meter o Otávio a segundo avançado. Admito, não concordo e tenho dificuldade em compreender. Mas o que, enquanto sócio desta coisa do FCP, gostava de saber, é qual é a ideia para o catraio? Empréstimo com opção de compra de 15 milhões? Naaa, isso não aconteceria. Ai, espera...

São questões até ver sem resposta. Há tempo para que tudo fique claro e se encaixe, oxalá que na perfeição. A partir do próximo jogo, caros todos, contam comigo na bancada. Só por aí já será uma melhoria muito significativa, está claro. Quero lá saber que achem que sou meio maluco.

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Descobri, correndo riscos vários, que os Jorges planearam para hoje uma conversinha intima, a dois. Diz que mete velas e espumante de qualidade duvidosa e morangos mergulhados em chocolate e isso tudo. Pá, se mete espumante, também quero! Isso da qualidade passa-me lá para a décima quinta flute. Vai-se a ver, ainda lhes estrago o arranjinho e lá fica a baderna do costume. Threesome, portanto. Mas o que importa mesmo, mesmo, mesmo, é que, a dois ou a três, hoje teremos um novo A Culpa é do Cavani. Oh yeah!

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Calou-se a gargalhada das gargalhadas. Morreu o homem que nunca se esqueceu que não era mais que um bobo. E por isso foi melhor que tantos outros. Obrigado por tantas tardes felizes. Smorgasbord.

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Soundtrack to fools: Hills.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Disparates meus no Indico



Será um hábito um tanto estranho, este de me deixar estar quieto - mais pareço um daqueles insetos que conseguem ficar iguais aos ramos das árvores - envolto no ecossistema, calado à escuta de mim, enquanto dura a cimeira com o meu cérebro, na qual decidiremos cinicamente se poderíamos viver aqui. Eu e ele, se mais ninguém. Aqui é onde calhar aterrarmos ou desembarcarmos, uma estação de comboios de vez em quando, um terminal rodoviário mais raramente: na neblina Londrina, onde nos sentimos tão desembaraçados; no tédio das planas avenidas de Copenhaga, com o tráfego a empurrar-nos para Sul; funanando na Morabeza da Mãe, infinitamente mais pequena do que o que nos tinham ensinado; ou simplesmente aqui, desta vez, perdendo o olhar no Oceano que já antes nos viu partir.

Assim, brevemente sossegados, eu e o meu cérebro conversamos. Concluímos umas vezes que sim, outras que não e quase sempre deliberamos que precisaremos de voltar para fazer boas escolhas. Mas desta vez somos ambos silenciados e é dos poros que brota, súbito, o reconhecimento do cheiro das cadeiras nos alpendres ou simplesmente à frente das portas escancaradas, ao fresco possível. Abertas igualmente as janelas que a casa se quer arejada, como a roupa que seca nas cordas do quintal, em redor dos meninos acocorados num jogo qualquer. Como se nada fosse mais natural que o telhado de zinco e as paredes de tábuas velhas da cantina do monhé, onde se guardam, suando, as maravilhas do Mundo ou as lentilhas que cozinham devagar no molho de caril. A terra ocre entre os dedos dos pés, rolando pneus com paus - um pouco de água por dentro - em corrida pelos buracos do alcatrão colonial.

Ou então urbanizo modernaço, os tapumes no mesmo zinco mas os reclames já iluminados e os olhos cansados de fumo e tráfego, repousando nos uniformes imaculados das meninas do Basilica College e sua herança de chá das cinco. Os seus maridos to be jogam críquete no campus, longe dos tuk tuk que abrem caminho à buzinadela pela vida. Um estranho "sim, eu sei" que me aflora os lábios perante as sombrinhas e as roupas simples e feias. À esquerda será a Estação, digo eu que nunca aqui vim para mim que nunca cá estive. E não era. Só um pouco mais adiante.

Ah, casa. A Avó que não saiba! Apressar-se-ia a retocar o pó-de-arroz, embranquecendo as faces, ao contrário dos banianos, esses, eles, nós!, escarrapachados nas fotografias de antanho. Gritaria ordens para se distrair: É preciso fazer arroz branco para o menino. Ele não come as suas lentilhas sem arroz branco. Nem outro caril que seja.

Será este Oceano, Senhor Knopfli, que nos predispõe ao disparate? Ao cinismo de arrumar, muito direitas lado a lado, as sapatilhas NIKE e sair chinelando por aí, ao sabor do que o meu IPHONE quiser fotografar: estas tartarugas que vieram comer à praia, um plástico cheio de mandioca estendido no chão, aquela velhota a catanar cocos na berma da estrada. E adormeço no balanço do coral.


Sonho com a ratazana de Natal de Herr Grass. Ri-se, como sempre, da estupidez dos homens. Este que dorme à sombra do tsunami que levou cinquenta – mil – quão diferente poderá ser dos outros, acordados, poderosos, que tão alegremente vão praticando as suas estupidezes? Dobra o riso e declara:

- Rio-me sem parar desde 1986 e não envelheci um dia. Até o pobre do Günter já enterrei e parece que lá fora nada mudou. Só me doem um pouco os maxilares. E a barriga.

Em rodapé da notícia do Fim do Mundo, passam os resultados da bola. A ratazana estranha:

- Ris tu também? Porventura pensas estar a salvo, preso em órbita numa cadeira de rodas, achas? Nem ratazana és, porque te ris?

Ah, casa. O meu Dragão rejubilando na vitória. Duplicada, que são já duas. Avisai o Avô imediatamente. Ele saberá como fazer para que se adie o Fim do Mundo. Talvez saia para a caça grossa com os estúpidos e os dê de comer aos leões. Suspenda-se o cogumelo nuclear, a morte Amazónica, o degelo da calota, mesmo que seja só até maio. Deixai sair a nossa Nação para a Avenida, sambando como se fosse Carnaval em Ovar. E acordo rodeado de pequenos tubarões de pontas negras.


Faltam-me dados concretos devido a dificuldades no wifi, mas afigura-se muito possível que se tenha dado o Apocalipse. Não encontro melhor explicação para o facto de me ter adormecido numa ilha tão familiar, mesmo que nunca lá tivesse estado, e acordado em pleno Paraíso. Ao meu lado, o Anjo Pecador de sempre. É neste estado de semiconsciência pós-Apocalíptica que me cai o corpo na água turquesa. Tépida. Reconheço o sabor deste Mar, pese embora o toque seja diferente. Seguro-me nas pernas, os pés firmes sobre o coral morto.

Estendido na areia, sem toalha, envergando um modesto exemplar de calções de banho aos quadrados, tipicamente de meio do século passado, o Senhor Knopfli brinca com uma ratazana de esgoto. É natural que, efeito das chuvas ácidas do Dia Seguinte ou das cinzas radioativas, o meu falecido cérebro sofra de intermitências. No lugar dos coqueiros que se estendem quase até à água, surge em algumas frames a fachada do Polana. Uma garça fixa o espelho azul claro da piscina, presa do jantar das suas crias. Aceno ao poeta:

- Hey, Rui, terá se acabado o Mundo?

A ratazana segreda-lhe ao ouvido. Está claro que as ratazanas - ainda para mais esta, de origem e fiabilidade Alemã – sabem de coisas. Os bigodes fazem cócegas na face, colando um sorriso maningue parvo ao seu interlocutor. Ele responde-me a esfregar a cara com uma mão, a outra içando o copo de Laurentina gelada:


Chama-se Responsabilidade o avião que me roubará de novo ao Indico. Até quando?

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Contas em dia

Sou um despassarado, ando sempre ligeiramente atrasado, aflito por achar que me esqueci de qualquer coisa. Enfim, vocês conhecem o género. De conviver comigo próprio todos estes muitos anos, já aprendi a não me martirizar com este estado de coisas. Se não me posso vencer, junto-me a mim. Claro que é importante haver um momento em que se põem as contas em dia, para ficar a pessoa mais levezinha.

Nada como o momento em que se marca um novo início, para o fazer. Então:

A) Há uma nova jornada do A Culpa é do Cavani, AQUI. Não ouvir é uma tremenda parvoíce. E vocês não são parvos nenhuns.

B) A Tasca acabará por entrar na mais melhor boa Fantasy League do momento. Entretanto, podem ir começando a ganhar avanço, para aquilo ter alguma emoção. No fim, devo ganhar eu. Fiquem a saber de tudo AQUI.

Ufa, já estou mais aliviado. Pronto para começar a acompanhar a nossa gloriosa caminhada rumo ao título. Para já, a uma distância apreciável. But i'll be back, bitches!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Resumo da pré-época: Falta o Sisto!

Put on yur armour!


Fim do jogo. Porque a pré-época é isso mesmo: Um único e longo jogo, dividido em múltiplas partes. Daí ser prudente esperar pelo apito final para tecer considerações, embora os sinais tenham sido claros desde o início.

Diga-se que os próximos desafios serão uma espécie de prolongamento, pois acertos ainda serão, por certo, feitos ongoing. Seja como for, daqui em diante, cada jogo vale por si, sem hipótese de correção. Vamos a eles.



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Deste início, alguns aspetos se destacam:

A) A definição clara de um 12(3?) que abordará o Campeonato na linha da frente: Iker; Ricardo (Maxi), Filipe, Marcano, Alex; Danilo, Oli; Corona (Ricardo), Soares, Aboubakar e Brahimi. Otávio entrará nestas contas, mas, infelizmente, não foi testado partindo da direita, onde teria maiores probabilidades de ganhar o lugar. Ou não.

Exceto ontem, foram estes que iniciaram os jogos e, mesmo sem estatística, são seguramente os que mais minutos acumularam. Uma equipa forte, pejada de internacionais, com dois reforços sonantes, mesmo sem nenhuma contratação.

Este A) justifica-se, creio, com

B) A implementação de um novo modelo que, partindo do anterior 442, apresenta uma ideia e processos de jogo completamente distintos. É curioso reparar que, e utilizando os mesmos métodos, as dinâmicas são outras. Por exemplo, continuamos a usar muitas vezes o passe longo. Mas agora procurando mais a profundidade, com propósito e até alguma mecanização, e menos o mandalápracima e eles que batam cabeças com os centrais. Nem vamos discutir, porque já passou, quem é que lá estaria para o fazer, dado que os avançados estavam na linha, os médios no nosso meio campo e os extremos em parte incerta.

A equipa está curta, em alguns momentos intensa, percebem-se as intenções e a presença na área - e suas imediações - multiplicou-se. Com tanta novidade, parece acertado deixar jogar muitas vezes juntos os melhores.

Gostei de algumas variações a este sistema prático e objetivo, como a libertação de um dos alas para uma missão "Messi". Sobretudo, foi uma delicia ver Brahimi - mais do que Otávio - nesse papel de vagabundo livre, percorrendo toda a frente de ataque, jogando e fazendo jogar.

Em suma, para além de diferente, o futebol do FCP é mais exigente e os jogadores parecem gostar. E rende golos em catadupa. Assim como deixa a defesa mais exposta, está claro. 

Daí, na minha opinião, a importância que Danilo terá na nova época. Todos os adversários criaram oportunidades de golo que poderiam ter dado outros contornos aos resultados. Não é normal, quando se trata do Gil Vicente ou do Portimonense. O crescimento em competição de Danilo, tratará, espero, de minimizar esse problema, providenciando uma ajuda extra à defesa que nenhum outro médio está apto a dar.

A) e B) demonstram um caráter pragmático na preparação, culminando em

C) Faltou-me "aquele" jogo. O teste a sério, contra um colosso que, independentemente da equipa apresentada, nos deixasse com um frio na barriga só pelas camisolas. O adversário contra quem comemoraríamos sentidamente cada golo ( não me cheguei a levantar em nenhum dos golos contra o Corunha ).

Mas a verdade é que, dia 9, não jogamos contra o Barcelona em Camp Nou. Jogamos no Dragão, contra o Estoril. É claramente para essa, e outras que tais, partida que nos preparámos. 

Virá o tempo de apanhar gente crescida e não o poderemos evitar. Veremos o que temos para oferecer nessas ocasiões, estando mais rodados, melhores fisicamente e, queremos!, mais confiantes. Melhores, pronto.

A) + B) + C) =

D) O rolo compressor. Oferecido como um cordeiro à ânsia - à imperiosa necessidade, digo - de vencer do nosso Povo, por contraste com os espalhanços dos rivais, o futebol de ataque e golos do FCP venceu, para já, as desconfianças e parece ter criado o tal mar azul.

Nada de orgasmos prematuros, até porque nos lembramos de outros rolos compressores que acabaram ajoelhados aos pés de um chato de galocha, em pleno Dragão. Ainda assim, precisávamos disto. Para que o mar cresça e se torne um maremoto, condição essencial para que tenhamos possibilidade de vencer a guerra que aí vem. Que será travada com armas desiguais, como sempre. Nada de ilusões.

...

Em todas as pré-épocas há quem se destaque e quem se apague. Durante o ano subsequente, muitas vezes estas primeiras impressões se revelam falsas. No entanto, não estamos a falar, pelo menos para já, de gente desconhecida. Deste modo, é mais provável que o que vimos seja uma amostra do que veremos. Vamos pois às individualidades, por ordem decrescente de importância:

Sérgio Conceição
O líder incontestado, o que é uma novidade. Teve a capacidade de chegar como se nunca tivesse saído e de deixar desde logo claro que é ele quem manda. Uma postura diametralmente oposta à do seu antecessor, em todos os aspetos. Conquistou logo por aí a massa adepta.

Tão importante quanto isso, foi ter apresentado um futebol novo, com quase todos os jogadores do ano passado. Uma equipa com marca de treinador, desenhada por ele à sua imagem e semelhança. De tal maneira que conseguimos todos dizer quem é que deveria colmatar o problema que temos - ah pois temos - na ala direita: Sérgio Conceição, o próprio. Haverá algum por aí?

Na Tasca dá-se o corpo ao manifesto na defesa dos nossos e não será diferente agora. Mas devo dizer que vou sendo conquistado, porque parti com um pé lá atrás. Não tão atrás como com NES, mas sem estar propriamente saltitante de felicidade. Continuo a ter as minhas dúvidas, pois claro, mas são menos e menos importantes. É bom sinal. É o grande ganhador deste período, seja qual for o ângulo de análise.

Ainda não valerá meia cláusula de rescisão do Zé, mas já não se me assemelha completamente fora de hipótese que possa vir a acontecer. No futuro!

Ricardo Pereira
Sentou e sentará Maxi, exceto quando tiver que ser extremo. Estou convencido que será dos tipos com mais jogos - e bons! - nas pernas no fim do Campeonato. 

Tem dificuldades de posicionamento? Sim, às vezes. Terá cada vez menos. Ataca lindamente e isso, para aquilo que preparámos, é o mais importante. Não comprometendo na defesa, longe disso.

O que me fez render foi, no entanto, o desempenho sempre que subiu no terreno. Não porque o ache um extremo fora de série - cumpre bem, é mais isso - mas sim porque foi o que melhor desempenhou o papel definido pelo treinador para aquela posição. Sem perder o sentido atacante, nunca se esqueceu de ser o terceiro médio. Foi um regalo vê-lo a disputar bolas de cabeça ao lado de Oli - e a ganhá-las - e, logo de seguida, ganhar as costas ao lateral ou oferecer o flanco a Maxi, criando uma linha de passe para Danilo ou Oliver. 25 milhões começam a ser curtos.

Brahimi
É o melhor, ponto final. O suplemento de qualidade extra da equipa. Não vai ser fácil que faça o que o treinador lhe gostaria de pedir, lá isso não. Daí que me pareça que, inteligentemente, Sérgio lhe pede coisas diferentes. Quando sai da linha e se liberta completamente, sem que ninguém saiba bem onde vai aparecer, é o melhor desequilibrador do Campeonato Português. Quando não...também é. E como isso é precioso entre a capacidade de sacrifício dos avançados - sobretudo um deles - a geometria de Oli, a segurança de Danilo e a profundidade dos laterais. 60 milhões, já a seguir.

Soares
Os três golos de ontem não fazem diferença nenhuma. Sabíamos já que ele os pode fazer e fará. O destaque é, acima de tudo, porque parece ter ficado toda a gente húmida com o desempenho do novo colega de setor. Que é bem bom, sem dúvida.

Mas se repararem bem, o FCP de Sérgio Conceição parece feito por medida para a capacidade física e de sacrifício, as razoáveis velocidade e técnica, o sentido de baliza e espírito de corpo de Soares.

Formará com Aboubakar uma dupla de respeito e pode até nem vir a ser o melhor marcador da equipa, mas será com certeza o ponta de lança mais utilizado. E o mais importante. Vão vir milhões.

Oliver
E não é que NES tinha razão? Oliver pode jogar ao lado de Danilo ou de quem seja. A diferença é que tem a quem entregar a bola, seja para trás ou para o lado ou, acima de tudo e a maior parte das vezes, para a frente. É a placa giratória da equipa, uma espécie de bússola que indica para onde será a próxima correria. Fá-lo quase sempre bem e ninguém o pode substituir, o que poderá ser um problema.

De resto, não revela nenhuma nova qualidade. Não, não é um novo Oliver, é o que toda a gente vê, desde que abra ojólhos. Há cada pechincha por 20 milhões...

Herrera
Pois... Talvez a minha expectativa esteja tão baixa que baste este moço não provocar um canto, procedendo a mandar um estoiro em direção à sua própria linha de fundo, para eu achar que está soberbo. Talvez. Mas este Herrera que falha poucos passes, com um pouco mais de tempo para pensar por estar mais atrás, mas que também avança e provoca roturas e aparece na área - ufa! - parece-me útil.

É mais um para quem o futebol do treinador deve assemelhar-se a uma gaja boa no meio de uma reunião de camafeus. Como ele. Arriscando-me ao arrependimento, diria que entre ele e Sérgio Oliveira e, até, André André, venha este Herrera. Aí está a nossa chance de ir buscar los millones.

Aboubakar
Naturalmente. Até porque não temos condições de o substituir. Pelo sim pelo não, mantenham o Marega e o Indi no plantel. Se lhe der a travadinha, é metê-lo no chuveiro cujôtros dois, a ver se não lhe passa a depressão nunstante.

Entretanto, é desembolsar os milhões da renovação. Acabarão por render.

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E quem não cabeu? Sube-se?

Hernâni
Pá, não vai dar. Alô Turquia? Alô Pione?

Teixeira
Porra pá, eras a minha esperança para dar descanso ao Oliver e não dás mais do que isto? Raisparta. Vai-se a ver, é alguma virose. Pode ser que fiques só porque sim e mostres que estávamos certos. Eu e tu. Mas não parece nada.

...

Soundtrack to new hopes: Another road begins...