sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A Mesa do Canto: 2 Oli or not 2 Oli (com Bala Dragão)


O melhor que a pessoa pode fazer é nada. Pensem nisso. Sempre que nos pomos a fazer coisas, corremos um sério risco de fazer merda, de dizer disparate, de pensar mal, de verbalizar errado. Tirando a queca - âmbito em que cada um deve valer-se a si próprio - o melhor é um indivíduo rodear-se de especialistas e, sempre que tiver uma dúvida, olha para os tipos e pergunta:

- Olha lá pá, tu que sabes/trabalhas/te interessas tanto de/com/por (riscar o que não interessa) ________ (preencher ao gosto do freguês), diz-me cá uma coisinha...

E pronto, fica tudo esclarecido e apontado e explicado e anotado. Com a vantagem adicional de, caso seja uma bela treta, a culpa ser do outro. Lá recorre o espertalhão a uma frase feita:

- Pá, só te vendi o peixe que venderam a mim.

Foi por isso que decidi abrir uma Tasca. Já vos disse em ocasiões anteriores que aqui há sempre alguém que tem a resposta. Ainda por cima, por norma, estão perdidos de bêbados, o que dá um colorido muito próprio à coisa. Sendo que facilita a desculpa perfeita:

- Não me lembro nada disso. Devia estar bêbado.

...

Olha, nem de propósito. Está ali na mesa do canto um gajo que se diverte a compilar números. Ele há tolos para tudo, Deus me valha.

Até dá jeito conhecer esta estirpe de doido varrido, porque já se evita de andar a dizer balelas por achómetro. Vai-se e arranjam-se uns números que sustentem o disparate que se arrotou. Caso não se encontrem, pois ignoram-se com muita força as tais das estatísticas, camufladas no eterno:

- Oh, isso as estatísticas, já se sabe, pfff ... - Gesto de desprezo com a mão. - Servem para tudo e o seu contrário.

Bora lá mazé falar com o moço, que temos todos uma coisinha para tirar a limpo.

- Atão menino, tass?

- Olhó... - Interrompido.

- Deixa-te de merdas que não tenho tempo para letra. Olha lá pá, tu que te interessas tanto por números, diz-me cá uma coisinha: porque raio é que o Oliver foi corrido da equipa?

...

Esta análise é baseada apenas em jogos do Campeonato. Não foi feita análise a jogos das Taças – Oliver é quase totalista em ambas – nem da Liga dos Campeões, onde apenas jogou 45 minutos contra o Besiktas. Foi aliás nessa derrota por 1-3 que Oliver deixou de ser titular, à exceção das referidas taças.

Sendo assim, analisei e comparei dados dos jogos em que foi titular (5 primeiros jogos do campeonato) e os restantes em que esteve no banco/bancada (8).

Saliento que isto serve apenas como uma comparação e não será 100% fiável retirar qualquer tipo de conclusão.

Foram recolhidos dados sobre os seguintes itens:

- Passes e Eficiência de Passe
- Bolas na Área Adversária
- Remates Vs Remates Enquadrados vs Golos
- Oportunidades Flagrantes
- Bolas na Área do FC Porto
- Bolas na Área vs Oportunidades Flagrantes dos Adversários vs Golos

Passe e Eficiência de Passe

Neste item, os números mostram que com Oliver, a equipa efetuou uma média de 479 passes por jogo, contra 429,8 sem Oliver.

Curiosidade: Com Oliver a equipa faz mais de meio passe a mais por jogo e por minuto (0,55), em comparação com a equipa sem Oliver.

Posse de Bola

Aqui os números também não deixam dúvidas. Com Oliver, o FC Porto teve uma média de 61,6% de posse, contra 54,5% sem o jogador.



Bolas na Área Adversária

Uma média de 43 bolas por jogo, é o número que a equipa apresenta com Oliver, contra 35,4 sem Oliver.

Remates vs Remates Enquadrados vs Eficácia Finalização

Nos jogos em que Oliver foi titular, a equipa conseguiu uma melhor média de remates por jogo (19,8 vs 16,5), mas acertou menos na baliza (6,6 vs 6,9). Porém, nos remates enquadrados, tivemos melhor finalização com Oliver (36,4% vs 34,5%).

Curiosidade:  a equipa, nos primeiros jogos da época, rematou mais, acertou menos na baliza mas foi mais certeira.

Oportunidades Flagrantes vs Golos

Aqui aparece o segundo item em que a equipa esteve pior com Oliver, apesar da média de golos ser igual. Isto choca com o dado anterior. O FC Porto criou menos oportunidades com Oliver (3,8 vs 4,5) mas devido à melhor pontaria, obteve uma média de golos igual: 2,4 por jogo.



Bolas na Área vs Oportunidades Flagrantes dos Adversários vs Golos

Na parte defensiva da questão, os números mais uma vez estão ao lado de Oliver. Com ele em campo, os adversários tiveram menos Bolas na nossa área (21,8 vs 24,6), menos oportunidades flagrantes de golo (0,4 vs 1,0) e menos golos (0 vs 0,6).



Conclusão

Nos 11 itens analisados e comparados, podemos ver que a equipa com Oliver ganha em 9 deles. Perde apenas em oportunidades de golo e nos remates que acertam na baliza.

Oliver não remata muito, é certo, mas a equipa teve uma melhor eficácia na finalização.

Precisamos de um jogador que segure a bola e passe bem? Já temos. Precisamos de um jogador com mais critério a temporizar e a soltar? Já temos.

Continuo com a minha ideia que num meio campo a 2, o Herrera consegue equilibrar mais a equipa. Mas num meio campo a 3…é Oliver e mais dois!

Por Bala Dragão | Bai à Linha e Cruza

...

Foi ele que disse, não fui eu! Eu não tenho a culpa.

O Bala traz uma abordagem que faltava na bluegosfera, daí que passe a figurar na lista de Bons Vinhos e Petiscos. Para além disso, foi um xuxu e dispensou do seu precioso tempo para vos brindar com a análise acima. A vocês, sua cambada de inúteis alcoolizados. Abençoados.

...

Sobre a bola de ontem, reservo-me para o A Culpa é do Cavani que gravaremos amanhã. Talvez. 

...

Soundtrack to Mr. Bala: Heart of a Dragon

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

António João escreve-se uma carta

Caro António João,

Espero que estas linhas te encontrem bem dos pulmões e regular dos intestinos. Outrossim, desejo que a Maria Antónia mantenha a mão para aquele tempero e as carnes tão rijas quanto as Primaveras permitirem. Enfim, que em par estejam rosadinhos e felizes, quais bácoros num filme de bonecos, desses que vão começar a dar em todos os canais da televisão.

Escrevo-te porque sei que, dada essa anacrónica, ainda que crónica, embirração com tudo o que não seja papel, és o único tipo do Universo conhecido que não ouve regularmente o A Culpa é do Cavani. Resta-me pois esta maneira de te tornar ciente do que por lá se disse, ainda este fim de semana, acerca de uma desconfiança que tinha: aquela coisa da posse de bola estava nos planos, a estranhar-se enquanto se entranhava. 

Quase consigo ver o teu ar de enfado perante a facilidade desta referência ao Fernando, mas é o que se pode arranjar a esta hora da manhã. E é sempre divertido, se mostrares as linhas a alguém, pela possibilidade de acharem que é uma linha publicitária, muito antiga, de uma marca de refrigerante. Sem saberem que...é mesmo. 

Ah as saudades que vou tendo destas pequenas, e mesquinhas, conspirações literárias, ao balcão, copos de três à frente, meio cheios numa garrafa diferente da do resto dos fregueses.

A vaca fria é que ainda ontem nos fartámos, de novo, de ter a chicha. E fomos mais felizes com ela, tanto que o treinador, a empurrar a alegria do cincazero para dentro da sobriedade humilde que decidiu que seria a sua imagem de marca - se bem que a mim me pareça que não dura mais do que este ano - até veio dizer que “nos divertimos com bola”. Citei. 

O resultado desta besta negra da posse são dez golos em dois calmos jogos. Bem sabemos que não terão sido dos mais complicados da época, dados os contextos. Mas poderiam muito bem ter sido, pelo que não me soa ajuizado menosprezar a competência. Da equipa e do treinador, naturalmente. Sobretudo porque é muito bom de ver como ficar com a bola não é incompatível com a objetividade e o foco na baliza. E nem com o Marega.

Agora lembrei-me do Garret, vê tu bem. Um tipo que tem nome de leitaria, diriam os brutamontes, besuntando os seus sonhés de mostarda. E nós sorriríamos e ficaríamos quietos, bebericando dos copos grossos as nossas bebidas brancas. Absinto, se os poetas estivessem na berlinda; um bagaço caseiro, se calhasse apetecer-te discorrer sobre os “Esteiros” da vida; até uma amêndoa, ilegalmente fresquinha, se quiséssemos fazer de conta que não admiramos o Peixoto. Ao ponto de o deixar aparecer neste parágrafo, raios.

Mas foi o Garret que espreitou do meio da tempestade, na terra do choco frrrito. A pessoa a devorar a crónica de viagem e, sem dar por ela, já a parecer uma catraia pubescente, suspirando pelas desventuras da Joaninha, e rapidamente retornando ao estado das estradas do Reino, por onde dificilmente poderá circular um Carlos que salve a moça.

Tu a esperar uma bola para o Sado, a ver se o vento a trava dentro do campo e o Marega a apanha sem querer, e o passe a sair rasteiro e tenso, a morrer na bota do Hector (!) e lá vai o jogo para o outro lado, o adversário a cansar-se na nossa paciência, a recuar - oh, ainda um pouco mais - depois a subir para cortar a linha e - como assim? - bola longa nas costas do lateral. A estrada e a Joaninha. Como se fosse um rascunho - ainda um rascunho - de Garret.

Por outro lado, não temas, irrita-me não me sentir irritado. Talvez seja da quadra, mas dei por mim sem ponta de azedume. Tu dirias que não passo de um labrego iletrado, ignorantemente alegre, enquanto as roldanas do Mundo se movem para o inevitável fim. E brindaríamos a Nostradamus, com um cálice de Porto, e tu procurarias a tua cópia de bolso do “Livro de São Cipriano” e eu brandiria uma velha Bíblia, gasta e anotada e cheia de rabiscos e resultados do Totobola.

Isso não muda nada, nunca mudou. Continuo, e continuaria, com esta sensação de nada a dizer. Como se estivesse a observar Elliot a começar uma folha limpa com how many loved e a riscar, sem saber que lá voltará. Um velho a ver um jovem a errar ligeiramente, por acertar um pouco antes do tempo, seguro de que não demorará muito até gritar a plenos pulmões: Do not go gentle into that good night. Viste? De Elliot a Thomas sem sequer pestanejar. É um dia de absinto, meu caro António João.

Tal a bonomia que nem do André me queixo. Por lá esteve, qual palmito. É certo que não se pode contar com ele para dar gosto ao prato, mas liga com qualquer molho. 

Ora, já cá faltavam as receitas. Não tardaria até estares a imitar a Modesto ou o Herman ou a fazer de Chefe Silva na sua versão Sueca. Amarretada. Por falar em gente rude apreciadora de belas comezainas, abriríamos uma garrafa de Soalheiro e faríamos questão de brindar em copos adequados.

Somos sempre tantos e apenas estes dois, sejas tu José ou Maria, quando o tempo se proporciona e o assunto - que era mesmo qual? - se acomoda à pena. Hoje foste António , ainda por cima João, não fosse ficar menos evidente a multiplicidade. Por teres sido esse é que te minto e te digo que escrevi, quando na verdade digitei. Se te revelo a farsa nestas últimas palavras, é na esperança que me venhas pedir contas. Com o nome que quiseres.

Recebe um forte abraço deste que te estima,

António João

...



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Concurso de talentos



Sabem aquela malta que vai aos concursos de talentos e não tem porra de talento nenhum? Como aquele senhor, natural de Marco de Canaveses e habitante de Vila Meã, que foi imitar um comboio a carvão. Está claro que, como no caso vertente, muitas vezes acabam mesmo por ficar na História. Não é bem pelos motivos que gostariam, certo? Eu fico sempre a pensar: fuoda-se, mas quem é que disse a este tipo que era boa ideia fazer isto?

Acredito que em muitas situações a culpa não é do pobre desgraçado, apenas. A mãezinha sempre me disse que eu cantava como um rouxinol, os amigos acham uma piada imensa quando solto gases, toda a gente na minha rua concorda que eu sou o novo CR7. E pronto, de tanto a comuna tentar ser querida e fofinha e simpática com o sujeito, lá acaba ele por se esbardalhar aos olhos de toda a gente. Anda Guedes!

Eu cá acho que há alturas para tudo. E se as moças cantam mal, é melhor não lhes dizer que estavam bem era no Chuva de Estrelas. Não vá a coisa dar-se e eu ter que carregar o peso de ter sido o criador do Duo L&G o resto da vida. Right, loves?


...

Ora então, ontem o FCP cumpriu a sua missão e arrumou a qualificação para os oitavos da Champions. E não fez por menos, enfiou cincadois ao Mónaco, Campeão de França e semifinalista desta competição a época passada. No conjunto dos dois jogos disputados contra a supostamente mais forte equipa do nosso grupo, fizemos 6 dos nossos 10 pontos, marcámos 8 golos e sofremos 2. Inchem!

Mas o que dizer sobre a partida de ontem? Ora deixa lá ver como colocar as coisas...foi assim a modos que...cinco golos e tal...bem, é como quem diz...jogámos uma merda. Pronto, é isto. 

Eu bem sei que parece mal estar a escrevê-lo e isso tudo, mas pá, é que foi mesmo. Não quero, nem posso, desmerecer o trajeto quase impecável que temos feito este ano desportivo, tampouco a relevância de termos atingido este objetivo, nada disso. 

O que não quero é entrar no carreiro e acrescentar a minha às vozes que se levantam, dizendo que o menino cantou bem, parecia um anjo. Nop, cantou mal que se fartou, chegaram a doer-me ojóvidos. Se aquilo era um concurso de talentos, tinha ficado selecionado para o compacto dos bloopers. Lendo o que por aí se foi escrevendo, devo dizer, por justiça, que começo a admitir que tenha entrado no estádio errado, numa dimensão diferente, dados os problemas técnicos dos torniquetes, ontem. Menos mal que o resultado foi o mesmo.

O facto é que ao intervalo o FCP já tinha arrumado a questão. E também se tinha arrumado dos oitavos o Felipe, à conta de andar às beijocas com um adversário. Tínhamos feito dois golos nos primeiros remates à baliza, perdido 3512 bolas no inicio da construção e feito 4365 passes errados. Perante um Mónaco que, felizmente, não apareceu para jogar a primeira parte. Disso não temos nós culpa nenhuma. Como somos pessoas bem educadas, até agradecemos e fizemos bastante menos do que podíamos. Para poupar os coitados.

E mais vos digo, acabámos o jogo com mais de 60% de posse de bola e aposto que ao intervalo a percentagem seria maior. O que me levou à primeira conclusão que tirei deste jogo: não queremos lá muito ter a bola, porque não sabemos ter a bola. É assustadoramente simples. Das perdas potencialmente comprometedoras junto da nossa área, aos passes do Danilo para os placares de publicidade, passando por charutos "vai Marega" dos centrais, viu-se o reportório completo. E a coisa só deu ares de melodia, quando Brahimi se lixava para a ala e ia ao meio tocar qualquer coisinha ou Aboubakar recuava abaixo da linha de meio-campo. Ver o terceiro golo, é perceber a diferença que a técnica faz. Entre os dois.

É certo que Otávio se lesionou no aquecimento e isso terá feito alguma diferença. Oh, fez toda a diferença. Ter André André na equipa ou no banco faz sempre muita diferença. Digamos que jogámos 10 contra 11 até às expulsões. Nesse momento, teríamos ficado 9 contra 10, mas saiu o bom do André e as coisas equilibraram-se numericamente. 

Como é que posso dizer-vos isto? Ele é o seguinte, eu acho que o André estava bem era nos lampiões. A sério. E não é para os enfraquecer mais, apenas. É porque acredito genuinamente que ele seria importante e feliz por lá. Parece que o estou a ver: André recebe a bola, André dá dois passinhos, adversário aproxima-se, André cai e levanta os bracinhos a pedir falta. Pá, no 5LB e no Campeonato Nacional, isto tem muito potencial para resultar. 

A malta que está pronta para disparar um "sim, sim, vai ver o lance do segundo golo...", é favor ir mudar de truces. O André participa, falhando um passe. Não era para o Danilo que ele queria passar. Passar? Era mais livrar-se da bola, mas ok...

Resumo da primeira parte: três secos no bucho do Mónaco, jogar à bola não nos assiste, André negociado para Lisboa.

...

A segunda parte foi diferente. Se por haver menos gente em campo, se pelos golos do adversário, não sei. Para mim, a diferença deveu-se a...WTF?!... Héctor Miguel Herrera. 

Que grande segunda parte, menino. O melhor Herrera que já vi e olhem que já vi muitos. O moço recuperou bolas, circulou a chicha, pressionou o adversário, orientou os colegas, fintou!, fez passes de rutura, ganhou metros em condução, ufa, uma canseira de tanto bem jogar. Assim, vale bem os tais 30 milhões, sim senhor. 

O problema é nunca ter aparecido antes, o que me leva a crer que o da primeira parte - jeitoso para o modelo, mas sempre com uma herrerice engatilhada - é o que nos vai tocar na rifa já a seguir. De qualquer maneira, ele existe! Eu vi. Gostei. Manda mais. Standing ovation

Em resultado disto, os centrais tiveram que construir menos, Danilo também e pode libertar-se, as coisas correram melhor. O Mónaco é que só apareceu quando Moutinho e Falcão entraram. É indecente termos que andar a emprestar jogadores à outra equipa para darem alguma luta.

Também gostei basto do golo do Soares. Uma bela tolada no meio dos centrais. E pus-me a pensar: se em vez de acertar na bossa que o Marega tem na cabeça, aquela bola de sexta-feira tem caído na cabeça do Tiquinho... Está claro que para isso era preciso que não se tivessem lembrado de pôr o Marega a 9 e o Soares a descair numa ala. Na sexta, sim. Oh well, não ter entrado o André André para ponta de lança, já não foi mau. 

Resumo da segunda parte: Herrera, Herrera e mais Herrera, Soares is backisto e isto.

...

Enquanto os lagartos, à imagem do seu treinadorzeco, se acobardam e saltam fora, não indo além do mais do que normal no seu grupo (1 ponto em 4 jogos com Barça e Juve); e os lampiões são a chacota da Europa inteira; o FCP faz pela vida e apurou-se num grupo muito difícil, porque muito equilibrado, mais ainda quando o favorito se estampa ao comprido e o supostamente mais acessível se revela o bicho papão. Fomos fortes, fomos competentes, fomos eficazes, merecemos muito a eventual felicidade que possamos ter tido aqui e ali. Muito bem Sérgio, muito bem equipa. 

Mais uma vez, somos o representante único de uma Liga, de uma Federação, de um País que não nos respeita e não nos quer bem nenhum. I speak the truth. Vai Vitor.

Agoooooraaaaa, isto foi cantar lindamente no chuveiro. Não pensem que estão prontos para os Coliseus. Podemos jogar mais. Aliás, devemos. E já o fizemos que eu sei!

De qualquer forma, tendo em conta o que somos e o que, aparentemente, queremos ser, defendo que os oitavos são mesmo a nossa praia. Não aquela em que morremos, mas o sitio onde nos sentimos bem. É que vêm aí os tubarões. Ao contrário da maior parte, acho que nós desatamos a bater palmas. Explico:

O mais provável é que nos toque uma grande equipa. Para mim, seriam bem-vindos o City ou o Barça, mas pode ser um Inglês qualquer, menos o Zé e seus mastodontes. O que queremos mesmo é malta que goste de jogar à bola, trocar a redondinha de uns pójôtros, atacar, correr alguns riscos por força do seu maior cartel e assim. 

E nós, sem a bola que nos atrapalha, prontinhos a disparar um Marega direitinho para onde estiver virado, um Brahimi em ziguezague até à área, o Héctor de orelhas em riste, up, up and away, qualquer bolinha parada, com creme e tudo, a eficácia do Aboubakar a finalizar o contra-ataque. Oh sim, os oitavos são a nossa praia. Uma em que vamos passar em direção aos quartos. Siga!

...

Para vossa grande tristeza, mas merecido descanso dos respetivos tímpanos, o A Culpa é do Cavani, Especial Champions, só se grava no próximo sábado, por motivos assim assim. Deal with it.

...

Soundtrack to Mr. Silva: ...baby, i don´t care!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A Mesa do Canto: O homem charmoso - definição (por Gabriela Maia)



NOTA INTRODUTÓRIA

Ano e meio após me ter sido solicitado pelo meu mais-que-tudo (e muitas referências ao quanto eu desconsiderei o pedido), aqui vai um pikeno textinho de minha autoria.

O tema foi-me dado, mas acho que, embora abordado, não era bem isto que o Silva pretendia.
Oh well, life sucks! Tu não mandas em mim e eu sou uma gaja imprevisível!


PREÂMBULO

Enquanto na prática e no mundo real e concreto seja um facto largamente comprovado que os anos passam, o mesmo nem sempre é certo dentro das nossas belas cabecinhas.

A mais nova, por exemplo. Sabemos que cresceu. E sabemos porque a roupa de outros anos vai deixando de servir em comprimento e, em zonas especificas e localizadas, em largura também. Porque chega a casa e se enfia no quarto e só sai para comer, fazer a higiene pessoal e lavar a (pouca) louça (sob veementes protestos, TODOS OS DIAS e uma ou outra tentativa de greve de fome). Porque já não corre desenfreada e aos gritos nos espaços públicos, como uma criança que viva habitualmente encarcerada. Porque (GRAÇAS A DEUS) já não faz birras 328 vezes ao dia… agora só amua 233 e reclama de tudo, na generalidade, 981.

Mas depois chegam aqueles 15/20 minutos que sucedem o jantar (TODOS OS DIAS! E eu cá tenho a teoria que é uma mera estratégia para adiar a lavagem da louça, à espera que alguém se esqueça ou que a mesma se lave sozinha.) e é o descalabro! Recuamos 10 anos no tempo e de repente a menina tem outra vez 4 anos. Não satisfeita, o avozinho desencarna nela, qual morada aberta, e lá vem o Acácio (Uláááá!) infernizar-nos aqueles momentos em que, iniciada a digestão e possuídos pela preguiça, o que nos apetece mesmo é estender as perninhas na cama, com o computador por cima e regalar-nos a ver episódios de séries várias, literalmente até à exaustão. E dormir. Mas não!

Nem vou estender-me com os pormenores, porque este não é o tema do post. Posso só dizer que com tantos gritos e barulhos diversos, os vizinhos devem pensar que a menina é vítima de graves atentados à integridade física; vulgo, violência doméstica. Nem sei como nunca fomos visitados pela Segurança Social… mas vai-se a ver, estará para breve. Adiante.

Num destes dias, a propósito dum jantar de consoada de S. Martinho (que, como tão poucas pessoas conhecem esta antiquíssima tradição, eu começo a desconfiar que é uma invenção da minha mãe para nos por a comer bacalhau com batatas e couves, castanhas e bolo rei, fora da época Natalícia), a conversa derivou para a política e a miúda aborreceu-se. Ora, sendo horas do Avô Acácio nos fazer a habitual visita e estando o senhor à vontade, visto que aquela fora mesmo a casa dele, lá desceu sobre a rapariga e, a partir daí… não sei como se desenvolveu a conversa da política. Mas também, duvido bastante do interesse dos temas em debate. No harm done.

Na ausência de uma cama, de um computador e da ameaça de uma “noite sem tecnologia”, demos por nós agarradas ao telemóvel, a fotografar pormenores do rosto, de preferência passivos de provocar náuseas e repugnância. Sim, tínhamos acabado de jantar e não teria piada de outra forma!

Ele foi o interior das narinas… acreditem, não é bonito ver em pormenor esta parte da anatomia de alguém que até anda meio constipado. Não é não! (Devo acrescentar que os telemóveis, hoje em dia, estão dotados de potentes câmaras, com uma resolução extraordinária. Para o bem e para o mal.)
Ele foi uma borbulha (vulgo espinha) pubescente…

Ele foi um olho com a particularidade de ter um sinal na íris… Hã?


AO QUE INTERESSA

E pronto, todo este preâmbulo foi para nos trazer a este momento específico. Era dispensável? Era. Podia ter sido MUITO mais breve? Podia. Mas eu tinha esta dívida e estou a pagar com juros (e com sorte, para a próxima, pensam duas vezes…).

Àqueles que ainda estão connosco e ainda guardam uma réstia de esperança que a coisa se componha, agradeço a paciência, mas aviso já que isto não vai melhorar!

(Aguardemos então uns momentos para que os desistentes possam ir à sua vida, fazer coisas interessantes, enquanto choram pelo tempo perdido que não recuperarão nunca mais.
Ok, parece que se foram. Vamos então…
Ups, aquele senhor pensou melhor e também vai.
Sim, agora estamos em condições de continuar, nós os dois – eu e tu, babe!
...

Ficámos, então, num close up de um olho que diz que é meu. Diz que é, porque eu ainda tenho as minhas dúvidas! E porque é que tenho dúvidas? Porque lhe vislumbrei umas pequenas riscas em redor (vulgo pés de galinha - porque rugas não serão certamente! Ai o caraças!), que não se coadunam nada com a frescura destes meus 18 ou 20 e poucos (mais 1 ou 2) anos! Shit! Queres ver que afinal não tenho 35 anos?! Merda de câmaras potentes com resolução extraordinária!

E esta estranha descoberta desencadeou uma crise existencial que me levou numa viagem de profunda introspeção, em que me coloquei as célebres questões básicas que assombram todos os seres humanos: Quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Qual o significado da vida? O Benfica ainda tem hipóteses de ser campeão?... (Quêêêê???!!! Queres ver que discriminam os benfiquistas aqui na Tasca!)

E a que conclusões cheguei?, perguntam vocês. Bem, relativamente ao Benfica, não faço a mais pálida ideia, porque não percebo nadiiinha de bola, para além de que é um tema que ora me entedia, ora me aborrece!

Quanto ao resto… posso dizer que fiquei um teco deprimida! Passo a explicar.

Ora bem, eu sou uma gaja, certo? Certo! (Podes afiançar isso, luv!) E nós, gajas, somos o fairer sex. Somos aqueles seres lindos, maravilhosos, sexys, misteriosos, manipuladores, distantes, com mamas e pernas e rabiosques apetecíveis. Blá blá blá!

Passamos uma parte da nossa vida (metade, mais coisa, menos coisa, se atendermos à esperança média de vida) a ser veneradas, desejadas, endeusadas. Enquanto os gajos são considerados o refugo da evolução, não obstante haver um ou outro exemplar bonito e/ou jeitoso, mas sempre de qualidade física inferior à gaja! “Nós, gajos, somos feios, sem jeito e tal e coisa!” – dizem os próprios à boca cheia. Dizem sim, que eu já ouvi! E de repente, sem que nada o anuncie, por isso nos apanha despercebidas, o cenário muda! Inverte-se!

Chega a altura em que nós, Deusas do Olimpo, por força de esgotarmos o tempo para cumprimento do nosso desígnio biológico enquanto espécie, parece que deixamos de fazer falta e por isso podemos definhar e falecer à vontadinha! É, a natureza tem estas coisas engraçadas, sem ter piada nenhuma.

Como dizia o meu novo médico da especialidade das partes íntimas e zonas correlacionadas: “As mulheres nascem com um armazém de células - os ovários - e, por volta de uma determinada idade, esgotam o número de óvulos disponíveis. Ora bem, a partir desse momento, as mulheres deixam de ter uma função biológica e começam a envelhecer… e morrem. (O dito senhor é bastante pragmático a falar… bruto, mesmo! Mas depois até é fixe noutras coisas e eu simpatizo com ele. Não invalida que me deprima, obviamente. Oh well, mixed feelings.) Já os homens – continuava ele, orgulhoso de si próprio e de fazer parte do grupo dos felizardos -, nascem com uma fábrica de células! Os testículos que produzem os espermatozoides. E produzem-nos até morrer!” – e parece que incha de tanto orgulho! Ou seja, depreende-se que a função biológica dos homens é válida por tempo indeterminado. Como os contratos na Função Pública: é para a vida!

Mas voltando ao assunto que aqui nos traz, por muito injusto que isto me possa parecer (e é!), nós mulheres, depois de sermos as melhores e as maiores, envelhecemos! Só isso: ficamos velhas aos poucos. E não melhora. É até morrer. Kaput!

Pimbas, uns cabelos brancos aqui (vai de colorar com regularidade), umas rugas ali (uma pipa de massa em cremes e massagens e tratamentos), umas peles descaídas acolá (mais cremes e mais massagens e mais tratamentos), umas gorduras acumuladas por todo o lado, com especial enfoque na barriga para parecermos velhas e, ironicamente, grávidas e com refegos a sair por todo o lado (ginásio à força toda). E isto para não falarmos das mudanças de humor repentinas, do termostato avariado, das insónias e o diabo a sete! Olhe-se por onde se olhar, não há nenhum lado positivo neste processo.

Passamos de Deusas a cangalhos! Fuck! E sem perspetivas de melhoria até ao fim dos nossos dias. Double fuck!

E os produtores infinitos de espermatozoides? Sim, esses tipos mal-enjorcados que passaram metade da sua vida a invejarem-nos e a desejarem-nos? O que lhes acontece? Também envelhecem! É, leram bem, envelhecem… mas não envelhecem só: ficam CHARMOSOS!

Os homens melhoram com a idade!!!! Aaaaahhhhh, ironia!!!!!

Parêntese: Ok, nem TODOS os homens envelhecem bem, é certo, mas também nem TODAS as mulheres são Deusas, correto? For the sake of argument, vamos generalizar e pronto. Todos (eu e tu, amor, que somos quem aqui chegou. Se bem que me pareceu que ali atrás leste na diagonal…) de acordo?

E o que é um homem charmoso?, perguntas tu. (E perguntas. E perguntas. E tornas a perguntar. Há um ano e meio.)

Não é fácil responder, porque a minha opinião é isso mesmo: meramente pessoal. E nunca fui fundamentalista de ideias e conceitos, por isso charmoso é isto, mas também pode ser aquilo.

Não, não estou a fugir ao assunto, não senhor! Estou aqui prontinha para responder a esse repto, com toda a minha sabedoria acumulada de pés-de-galinha, peles descaídas, refegos vários, afrontamentos e instabilidade emocional.

What?!...


JÁ NÃO ERA SEM TEMPO

Nossa!!!! Já são estas horas?!!! Meu Deus, como o tempo passa!

Credo!!!! O texto está assim tão extenso?!!! Deus me livre, como é que alguém (tu, babe), teve paciência para ler esta trampa até aqui? Continuas a surpreender-me. Pela positiva. E é por isso que te amo. E pela tua linda e enorme pila também, claro!

Bem, mas agora não te vou fazer perder mais tempo precioso, porque sei que és uma pessoa super, híper, mega ocupada e, por muito que me custe e eu gostasse, a resposta à tua questão terá de ficar para outras núpcias. Bolas!

Anyway, talvez daqui a um ano e meio!
Ou 20, quando eu chegar a essas idades em que as mulheres envelhecem e, então, acumular essa sabedoria toda a que fiz referência ali atrás.

Love u, my hero!

Por Gabriela Maia

Esta gaja opta por escrever na ortografia antiga umas vezes, noutras não. Boazona! 

...

É tããããããããooo foooooofa! Às vezes tenho receio de a apertar tanto que lhe esmague o tórax. E parva, também é bastante parva! Love u back, my Queen Bee.

...

Soundtrack to a half: The one with all the strenghth.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

La bouche at the trombone



Tenho estado a pensar, desde sexta-feira, em como é curiosa a dinâmica da opinião. Por exemplo, notam-se já muitas baterias apontadas ao Presidente. Reformulo, não estão de novo, sempre estiveram, mas ultimamente discretas, por força dos resultados. Os mesmos que o fizeram abrir a boca, porque de outra forma permanece mudo. Agora, volta a ouvir-se o "onde está o Presidente?" de outras ocasiões.

Lá está, eu concordo. Não podemos reagir a tudo o que nos têm feito como se fosse um arrufo. Caramba, passaram-nos óleo de bebé nas nalgas, vaselina no olho do coiso e enrabaram-nos à bruta, sem sequer nos pagarem um cafézinho. Em nossa casa, diante de toda a família, riram-se e foram-se embora a gritar "shhhh, pouco banzé, oh panasca, tu sabes que gostas". Naturalmente, é difícil agora aceitar que deixem a falar sozinho o único tipo - para além de nós! - que disse alguma coisa sobre o sucedido. Precisamos do "pai".

Digo, precisávamos. Teria sido importante para nós que ele aparecesse e armasse um chinfrim do caraças. Que ameaçasse os malfeitores, que viesse de caçadeira de canos serrados, aos tiros, a mandar abaixo tudo o que mexesse, indignado como nós, perante a violação brutal a que assistira. E nada. Pois claro que concordo com quem pergunta onde está o Presidente.

Só que eu acho que era importante para nós, para dentro, ponto. Ao contrário dos que pensam que faria alguma diferença, eu acho que seria indiferente para todo o resto. Reparem do que se fala, dois míseros dias passados: Dragão à porta fechada. Futebol a ferro e fogo, à conta de mosquitos por cordas no distrital. O Ministro a apelar à paz e à contenção. Isto é, ninguém quer saber do modo como 8 pontos passaram a 3 e a liderança foi de isolada a partilhada. Como se toda a gente tapasse os olhos e pusesse os dedos nos ouvidos, enquanto canta lalalalala bem alto. Como os putos. Porque isto não passa de uma brincadeira.

Por outro lado, já vejo a formar-se a corrente "a SAD não deixa o Oliver jogar". Dá-me para rir, mas preocupa-me, porque revela já - e é tão cedo ainda - um certo desnorte da minha gente. Vejamos, se isso fosse assim, o nosso treinador poderia ser na mesma o líder que pintam? E que ele próprio gosta de assumir que é? Afinal, alguém faz a equipa que não o treinador? Este? Eu concordo que é um disparate grande ter o melhor médio do plantel encostado, mas penso que é uma decisão - estúpida! - da exclusiva responsabilidade do treinador. E isto é um sinal de respeito. Meu por ele.

É nestes momentos que olhar de cima, com a frieza possível, por norma resulta bem. E não o estamos a fazer, de novo. Não os adeptos, a quem nada deve ser pedido, senão sentimento e apoio. Mas os responsáveis, aqueles que deveriam já ter encetado o caminho que nos tire desta lama. Isso não se faz tornando mais relevantes programas de televisão - como muitíssimo bem apontou o Jorge Vassalo no último A CULPA É DO CAVANI - e as pessoas que os protagonizam. O "Dallas" não pode ser mais importante do que a produção de petróleo do Texas. E o tempo é...foi! Era ali, na sexta-feira, em cima, com o ferro quente. Para ninguém ouvir, mas nós não nos sentiríamos tão abandonados. Mais uma vez, cheio de razão o meu amigo do Porto Universal.

Parece-me que começamos a ficar tolhidos, espantado e perdidos, prestes a entrar na fase do "não há nada a fazer". E aí, os adeptos vão acabar por desistir. Ou partir para a puta da loucura. Uma delas. Não há necessidade. Porque ainda há muito a fazer. É só pensarem um pouco e elevarem-se da lama. Embora às vezes me pareça que a lama lhes convém. Que é para lá chafurdar que nos preparámos. Mas há alternativa.

...

Singelamente, apresento, sem muito tempo de reflexão, uma linha de atuação que me parece muito interessante, exequível, sustentada e, melhor do que tudo, bem mais eficaz do que esperarmos por amanhã e mais um episódio da nossa raiva. Requentada. E é trabalho de comunicação também. Vejam:

Na quarta-feira, há uma boa probabilidade de o FCP passar a ser o único representante português na Champions. Isto significa que seremos o único clube nacional com acesso aos media internacionais. Porque nenhum outro interessará. No limite, os lagartos, dependendo da performance, terão uma nota de rodapé. Vai servir para vender o Gelson.

Ou seja, em contraponto com a comunicação social ao serviço do desígnio nacional, enleada nas audiências vermelhas, perfeitamente autista para a realidade e, portanto, para os justos protestos do FCP; temos do outro lado media nada comprometidos com o tuga status quo e interessados exclusivamente no FCP. Por quanto tempo, não saberemos, porque dependemos de sorteios e afins. É por isso que exorto quem de direito a aproveitar e já! Para elevação das almas, esclareço o meu raciocínio:

a) A tutela delega na FPF esta coisa da bola. A FPF delega na Liga a parte profissional. Mas detém os árbitros, bruxo.

b) A Liga depende da qualidade dos concorrentes e, em boa parte, da reputação. É assim que pode valer dinheiro.

c) A aspiração, cada vez mais clara, do líder da FPF não se esgota em Portugal, longe disso.

d) A tutela não está nada interessada em banzé. Menos ainda em "sujar" a imagem de meninos exemplares que os resultados, mormente económicos, vão construindo.

Por tudo isto, sugiro que a próxima conferência de imprensa do nosso treinador, em antevisão ao embate contra o Mónaco, se centre em... sexta-feira. Fazer a ponte não é nada complicado: equipa desgastada física e, sobretudo, animicamente --» roubalheira indescritível em Portugal --» na Europa somos respeitados, em casa não --» o departamento de comunicação pode, a quem se interessar, fornecer um dossier completo sobre o que se passa em Portugal. E a seguir a esta, teremos pelo menos mais três. Usem-nas!

Jorge Nuno Pinto da Costa é o mais titulado Presidente da história. Ser-lhe-à difícil conseguir algum tempo de antena, no âmbito da Champions, para reforçar aquela mensagem? Não poderá o departamento de comunicação tratar disso? Claro que pode.

O nosso treinador, tão conhecido em França - já que é de Mónaco que se trata a seguir - tão rápido a revelar as fraquezas do seu plantel e a ausência de reforços de cada vez que um jornalista da estranja lhe deu antena, não poderia agora contar como está a correr a experiência de disputar um campeonato que não pode ganhar? Ou como se passa de 8 potenciais ponto de avanço do tetracampeão para 3 e liderança partilhada com o vizinho da Capital? 

Infelizmente, não posso utilizar na minha estratégia de comunicação algumas armas ainda mais relevantes. Um jogador com milhões de seguidores, com um impacto junto dos media internacionais ao nível das grandes estrelas mundiais - o que valeria o CR7 dizer que em Portugal o Campeonato está "comprado"? - um homem cuja palavra, porque ponderada e inteligente, é respeitada por todos e, ainda melhor, ouvida. Só que não conta para o totobola. Porque o que toda a gente quer mesmo saber de Iker é porque não joga e quando sai. Podia ajudar-nos muito nesta luta? Podia, mas não nos estava a apetecer. Porque não pensamos para lá dos nossos pequenos umbigos. Vossos.

Em resumo: usem os microfones que vos vão apontar e digam o que se passa! Não aos de sempre, mas aos que nos querem ouvir. Saltem a fronteira, elevem-se da lama. Não aumenta as audiências do Universo Porto, mas quem sabe faz mais mossa, porque chega mais longe?

Quanto tempo até alguém perguntar ao Facadas Gomes, em pleno scotch depois da reunião do board: Say dear, what the fuck is happening down there? Are you having trouble at home, dear? Não lhe ia ficar bem, por muito que desvalorizasse. Até porque há foras de jogo difíceis de explicar e penalties demasiado evidentes, por mais que o queiram não ser.

É mostrar-lhes como tem corrido a pioneira experiência portuguesa do VAR. Quando funciona, para quem funciona, que resultados tem. E deixar o Facadas explicar.

O mesmo serve para o Pedro Dentinhos Novos nas suas negociações de patrocínios e direitos e o diabo a quatro. Vende lá esse jogo mais coreografado do que o wrestling americano. Boa sorte com isso, Pedrocas.

Ou o nosso em breve Presidente do Eurogrupo, visita regular - à esquerda de sua Excelência o Primeiro Ministro, que à direita fica o António Costa - de determinado viveiro de octópodes, a ter que entabular amena cavaqueira sobre estas coisas do futebol, em vésperas de Mundial. O franciu ainda ressabiado, de sorriso trocista: Mais que se passe t'il la bas, Marriô?

Se acharem tudo parvo e muito a despropósito, então pensem em alternativas. Como está, não resulta. Trabalhem, carago!

...

Soundtrack to Champions: Speak!



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Vão pró caralho!

Estou cansado, das milhas no lombo que se montaram em cima de uma inoportuna constipação. Outra. Não a vou piorar no Dragão, mas era exatamente o que faria, não se desse o caso de - desculpa Porto - haver quem ame mais do que ao FCP. Enfim, é certo que o faria e os amores maiores sabem que áquela hora estarei longe, fechado, um senhor de idade, circunspecto e mal humorado, até rebentar no fundo das redes a alegria do catraio travesso, escondido por detrás dos óculos que me envelhecem. Mais.

Logo de manhã, encarei um tipo de fato de treino vermelho, emblema de aviário bordado ao peito. É natural que as costas moídas, o nariz assado, o sentimento contraditório da jornada que iniciarei daqui a pouco e mais este anormal, me tenham azedado um pouco. Quem nunca? 

...

De repente, está toda a gente a falar de futebol, como que a toque de caixa das conferências dos treinadores. Um, porque não tem o que dizer e mal amanhou umas frases que metiam e-mails, no seu jeito labrego de quem não sabe do que fala. Outro, porque sente frio quando as luzes não incidem diretamente sobre os seus costados. Azedo, eu sei. Ao fim e ao cabo, essa é a missão deles. Só que...

Mas que raio, então está criado o clima de agoréksebaibêr? Really? Como se o resultado de hoje, importante que é, pudesse apagar ou conduzir para segundo plano tudo o que fomos descobrindo. Como se um punhado de terra, fértil que seja, fosse transformar a lixeira a céu aberto num lindo laranjal, pelo qual se passeiam luzidios unicórnios e multicolores aves do paraíso, enquanto simpáticos Pégasos rasgam as nuvens de algodão doce. Este o momento que esfumará qualquer outra verdade. O resultado que interessa, único.

Ora, vão pró caralho! O polvo não será menos corrupto se ganhar, mesmo que, por uma vez, justamente. Nem quem o acusa perderá legitimidade por isso. De igual modo, se o Bem - que somos nós - triunfar, ainda que da forma expressiva - cincazero! - que espero, não ficará tudo bem e as contas acertadas. Longe disso, muito longe, não se deixem levar. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

...

O Presidente da Liga, arreganhando a sua estupenda dentição postiça, clama que o futebol espera decisões da Justiça. E rápidas. Como está toda a gente preocupada é com a bola, isto tende a passar despercebido. Só que eu estou azedo.

Olha, Pedro, vai pró caralho! Onde está a reabertura do caso dos vouchers tão céleremente arquivado? E os resultados do suposto inquérito aberto à conta dos e-mails? Onde está o teu Conselho de Disciplina, quando não ocupado a multar e banir Super Dragões? Porque esperas pela Justiça? O que aconteceu a Ricardo Costa e a todos os envolvidos na descida de divisão do Boavista? Se nada, porque mudaram agora os procedimentos? Porque não temos consequências desportivas de todas as acusações pendentes contra o mesmo clube? Esperas pela Justiça? Ou ficaram tão caros os dentes que agora lhes ganhaste estima e tens receio de os perderes? De novo.

...

Futebol? Hoje não falo de futebol, vão pró caralho! Entretenham-se vocês com isso, porque depois desta manhã, eu já vi tudo...

...

Com uma vénia ao Joel Neto, por não me ter deixado a pensar que sou é tolinho. Pena ser lagarto. Ele, foda-se. Vão pró...isso.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O comunismo de género

Enerva-me basto a corrente, muito atual, pelos vistos, de igualitarismo sexual. Uma espécie de Comunismo do género que atinge o seu clímax - orgasmo, pronto - na ausência completa de diferença entre os sexos. Exceto as anatómicas, que essas são indesmentiveis até para quem só sabe o que lê nas redes sociais. E se não leu lá, é pouco provável que sequer tenha sido pensado, está claro. Para além de que diferentes anatomias dão jeito, qualquer um, uma ou in-between, concordará. Mesmo que prefira atingir o clímax sem recorrer a elas. Vir-se, pronto.

Acabo de ler alguém defender exatamente isto em poucos caratéres: mulheres e homens diferem exclusivamente na anatomia, o resto é a mêmamerda. Era esta a ideia. E era um gajo. Como em quase tudo na vida, também no feminismo os homens deixam muito a desejar, quando comparados com as mulheres. Sai-lhes cada disparate que só visto.

Aliás, nada mais irritante do que um macho ultra-feminista. Tipo uma Capaz, mas com pila. Portanto, não se aproveita mesmo nada. A mim ninguém me convence que aquilo não é uma estratégia de engate. Oh sim, vinde a mim a resma de gajas oprimidas e discriminadas. Depois, pumbas, não lhes abre a porta, não lhes puxa a cadeira, compra flores, mas oferece-as ao melhor amigo da moça e por aí adiante. Tudo na esperança de colmatar com esta atitude o facto de ser feio como a Duquesa de Alba e ficar a perder, em tamanho de pila, para o Steven Seagal. E conseguir, ainda assim, saltar para a cueca da feminista incauta. Depois vem para a Tasca enfrascar-se e conta a toda a gente. Machista do caralho.

A verdade, verdadinha, é que os géneros diferem biologicamente e, portanto, em todos os restantes níveis do Ser. O género não é uma construção social e, por isso, todas as tentativas de desconstrução são meras balelas. Ocupam tempo, dão corda à conversa, enervam aqui o Santo, mas valem tanto como o árbitro Rui Costa com um VAR ao lombo. Em vez de celebrarem a diferença, procuram explicar que ela é inexistente. Como se o preto devesse ser o mesmo que o branco e a missão deste na vida fosse ser igual ao amarelo que, já se vê, não difere um cu do esverdeado. Ou do fúcsia, que nem cor devia ser. Enfim, são daltónicos dos sexos.

Um dia, ponho-vos a par das maravilhas da Teoria Sexual das Espécies. Agora não me apetece que me está a dar a preguiça e só vim aqui beber uma bica e desabafar convosco. Ainda assim, para que alguém - ‘tamojaí malta do hate? - possa desancar-me violentamente - please do! - deixem-me esclarecer que boa parte das diferenças provêm do chamado gene cultural. Quer dizer que foi, de facto, a sociedade que as estabeleceu ao longo de milénios. Só que a base é biológica, meus queriduchos. O meu ponto não é que não há desigualdades chocantes e imorais, é apenas que há diferenças, para além de pilas e vaginas. E ser imoral não é o mesmo que ser anti-natural. 

Como não podia deixar de ser, o cerne de toda a questão, a origem primeira de toda a diferença, é a foda. Nada a fazer. São milénios de evolução marcados pelo simples facto de ser mais fácil para um macho substituir uma cria do que para uma fémea. Calma, não fiquem já todos excitados e a espumar das ventas, xuxuzinhos. É evidente que os machos humanos, dada a construção social que, vai-se a ver, agora até dá jeito, não menosprezam o valor dos seus filhotes. Mas muito do que nos distingue parte daqui. Se quiserem, um dia lá iremos.

Por agora, tudo o que me importa é que parem com esse disparate de que é tudo farinha do mesmo saco. Pá, não vale a pena, eu não vos vou papar o rabo. Também  não é pela via da ciência que me convencem. Tentem o charme, sei lá. 

Aí está uma coisa que parece diferir basto entre os sexos. Um gajo repara no charme delas, pois claro que deve reparar, mas não à primeira. É que fica lá por debaixo da bela tranca e boa prateleira e assim. Já elas, farto-me de as ouvir dizer: Oh sim, feio como a traseira de um acidente ferroviário, mas ui, tããão cheio de charme. Olha, só de pensar nisso, estou molhada até ao umbigo.

E foda-se, por mais que peça ajuda, ainda não consegui saber o que é isso do homem charmoso. Devo ser eu.

PS. Not just yet, luv;)

...

- Não sei, Senhor, mas se calhar, boa parte disto é por Sua causa...

- Claro que é, Pedro. Tudo é! - Distraído. - Majéukê agora?

- Oh, isso de Ser O Senhor. Um em vez de Uma, percebe?

- Ora, eu tentei, Pedro. Não resultou, não se fala mais nisso. - Nostálgico.

- Ah, não sabia, desculpe-me. Posso atrever-me a perguntar porquê, Senhor? - A medo.

- Muito fraquinha de mamas, Pedro.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O fanático e o Infarmed



Sou um adepto fanático. Não tenho, e creio bem que nunca tive, qualquer problema com isso. Sou daqueles tipos com palas, com quem é complicado falar. Por outro lado, tenho uma irritante paixão pela retórica. Adoro boas e longas conversas, tendo a ter opinião sobre praticamente tudo e, por qualquer motivo estranho, costumo argumentar a favor dessas opiniões, mesmo quando elas acabaram de surgir, sem uma grande reflexão anterior. Lá está, fanático.

Então se for bola - e é a maior parte das vezes - ui, nem vos passa. Mas podem tirar a limpo no A Culpa é do Cavani.

Os anos trazem uma certa doçura e agora já me apetece menos vezes partir os ossos todos ao meu interlocutor. Não porque discorde de mim, que isso é música para os meus ouvidos, mas quando não percebe o meu argumento. É horrível quando uma coisa tão clara para a pessoa, se vem a revelar ininteligível para outro alguém. Ca nervos, dass! Mas controlo isso com mais paciência e - espanto! - tal permite-me compreender muitas vezes o que me dizem do outro lado. Digamos que de vez em quando sou um tipo quase normal.

No entanto, devo dizer que me parece que vivemos num país em que não há remédio. Ou somos fanáticos ou somos candidatos ao suicídio. A malta vota em partidos porque é do partido. Como assim "sou do Coiso"? Pode ser-se de outra pessoa, pode ser-se de uma terra, pode ser-se de um clube, de um grupo, de uma ideologia, vá, mas não se pode ser de um partido. Ser de, implica paixão. Há sempre Amor quando se trata de entrega. Entrego-me a ti, a vós, a isso, porque vos amo. Sou fanático, portanto.

Quando escapamos a este extremo, temos uma facilidade tremenda em notar a hipocrisia. Ui, é por isso que, sendo da espécie que somos, vos exorto a serem sempre, e para sempre, fanáticos. Porque assim escolherão um lado e poderão detestar o outro. Sim, sim, já sei, "detestar", que exagero, que pouco urbano. Pronto, deixemos-lhe as aspas. "Detestar". E quanto menos "detestarem", mais vos aconselho a tomarem um omeprazolzinho. O estômago agradece. Querem ver?

...  

Se eu fosse um artista e a minha vida fosse postar-me diante de milhares de pessoas e fazer parte de um espetáculo, preferia ser dos que as pessoas aplaudem. Não queria ser o herói bonitinho, mas aquela personagem secundária que, vai-se a ver, rouba o palco, com a sua aura misteriosa e a sua profundidade e o papel decisivo que, afinal, desempenha para que corra tudo bem. Ou tudo mal, tanto faz. O que provocar mais suspiros entre as gajas com melhores mamas.

O que ninguém gostaria era de ser o tipo que é assobiado por toda a gente. Ainda a atuação não começou e já está tudo a mandá-lo prá puta que o pariu. Ao árbitro. Se a isto acrescentarmos que, no fim da peça, vem sempre alguém acusar o tipo de ser um cabotino de primeira, incompetente do caralho, ladrão de merda, corrupto que dói, prá puta que o pariu, percebe-se que estas pessoas andem um bocadinho azedas a vida toda.

É por isso que eu, às primeiras, tendo a simpatizar com as reivindicações dos senhores do apito. O problema é que os apitos têm cores. Ah poijé bebé! Ele é o Dourado e vêm uns e são a favor. Era entregá-los de quatro a uma tribo de pigmeus esfomeados. Não pá, a barriga tinham eles cheia, não era isso. Os pigmeus, pois claro. Temos também o apito em tons de vermelho e vêm uns e são contra. Todos em pelota a descerem por um corrimão de lâminas até uma bacia de álcool etílico é que era. Depois de comidos pelos pigmeus. Do que não há dúvida é que a culpa é do apito. Fazem greve, os pobres coitados, pois claro que fazem, com toda a razão.

Só que, espera, não fazem nada! Aaaaah não, não é bem isso, não é bem greve. A greve é essa coisa chata que pode ter consequências e descontam no salário e isso tudo. Para além de que não é solução, somos agora algum sindicato ou quê? Greve nunca, podemos é pedir dispensa. É isso mesmo, o que vamos fazer é pedir dispensa, por motivos de estarmos meio taralhoucos da cabeça. Está no regulamento, ninguém nos pode pegar. Aaaaah não, pedir dispensa é com 20 dias de antecedência. Diz que se é na véspera estamos a quebrar o regulamento e ainda levamos com algum processo e, Deusnoslivre, alguém acaba por perder algum dinheiro. Só se falecermos todos, que acham? Pois, também não me pareceu boa ideia. O que fazer?

Brilhante: nem greve, nem dispensa, adiamos esta porra toda. Isto é, avisamos já que pedimos dispensa para daqui a 20 dias, a menos que nos chupem a pila amiúde. Bem catita a solução, hein? Nem um cêntimo de desconto Abreu, lá terás por inteiro o teu. Tudo dentro do regulamento, sem perder a face, à homem mesmo. Entretanto, alguém vai ser roubado indecentemente e não se vai aguentar e vai protestar. Logo vemos o que fazer na ocasião. Sendo certo que há por aí uns meninos queridos que terão uma deslocação que não vem nada a calhar, em breve. Boa altura para armar merda da grossa, não acham sweeties?

Reparem, senhores, vós não sois filhos da puta. Ainda que algum seja, isso não é defeito nem doença que se pegue. O que sim sois, é um bando de coirões hipócritas. E incompetentes. É isso que são. E é por isso que a vossa legitimidade é pouco mais ou menos a mesma que a de um cata-vento quando se recusa a mudar de direção. Já eu, sou fanático.

...

A Agência Europeia do Medicamento vai ser instalada em Amesterdão. Ficavam melhor no Porto, acho eu. Eu cá preferia, embora fosse preciso desenvolver mais a prostituição e a legalização de queques que fazem rir e assim, para igualar uma metrópole como Amesterdão. Nota-se o fanatismo, certo? E se o ignorar?

A verdade é que muito dificilmente a EMA se transferiria para Portugal. E se isso acontecesse, a nossa melhor hipótese seria... Lisboa. Aliás, a nossa única hipótese. Os motivos pelos quais isto é verdade, anda a malta do Norte a apontar há décadas. Centralismo é reunir centralmente as condições ideais para que tudo venha a convergir para o... centro. Centralismo puxa centralismo, capisce

Esperar que sejam organismos internacionais a contribuir para a alteração deste estado de coisas, em vez do nosso próprio Povo - primeiro! - e governantes - logo depois - é pura ignorância de uns, populismo de outros e algum fanatismo dos do costume.

Caríssimos, Portugal disse assim: oi malta boa, 'tamos aí? quero ver essas mãos no ar. bora todos pó Porto? belas sandes que lá há e outras coisas também, achamos nós. era bom pormos lá a Agência Europeia, não acham? claro que a Agência NACIONAL está noutro sitio. mas pá, para vocês aquilo deve chegar bem.

Vejamos, a agora discutida - esqueçam, está longe de ser definitivo - mudança do INFARMED para o Porto, só podia fazer parte da nossa candidatura. Era o que faltava que não fizesse. Só que isso não significa nada. 

Descentralizar não é apresentar uma candidatura votada ao fracasso. Descentralizar seria que tivesse feito sentido mudar o INFARMED para o Porto há uns anos valentes atrás. Porque se tivessem reunido no Porto as melhores condições para albergar a nossa Agência. Significando que antes se teriam cá estabelecido importantes pólos de saber e indústria? Oh, mas isso temos, à conta da iniciativa Académica e privada. 

O que ninguém trouxe para o Porto foram os centros de decisão política e burocrática. Em nenhuma área. E estaríamos, honestamente, à espera que a Europa o fizesse? Ou seria mera hipocrisia? Mal encapotada.  Eu cá gostava que acontecesse, mas para além de fanático, ainda sou federalista. Dass, não se aproveita nadinha.

...

E regresso, tranquilo, ao meu fanatismo. Que me deixa, as mais das vezes, escapar ao pesadelo da espécie. Na verdade, também aí sou fanático: adoro pessoas! Só que me irritam.

Soundtrack to human: You belong...here.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A inveja e o Bósforo

...é cuspir de um lado ao outro...

Olá fofuras de titio Silva, como vão essas vidinhas insignificantes? There, there, abracinhos apertados. Não é como se eu quisesse m-e-s-m-o saber. Ainda assim, confesso que tenho pensado em vós. Nada de extraordinário, não me está propriamente a apetecer espancar o macaco enquanto vocês olham embevecidos, nada disso. É só que sinto que vos tenho dedicado pouca atenção e temo que a taxa de suicídio entre vocês os cinco possa subir drasticamente. E tenho a agenda tão sobrecarregada que me ia ver aflito para aparecer em velórios e funerais e assim. Vai daí, achei mais simpático voltar a espalhar alguma luz na vossa enfadonha existência. Dá-me mais jeito, pronto.

Podia alegar que o trabalho e essas coisas todas e o Cavani e assim, me roubam o tempo que tinha de lado para a Tasca. Mas não vou mentir a meus pikenos marshmallows, poi’não? A verdade é que me abandonei a um estado superior do Ser, ao zénite da Alma, à essência da Vida. Enfim, deu-me a preguiça. Por outro lado, quando chega à bola, tenho debitado quase tudo o que há para dizer no A Culpa é do Cavani . Depois aborrece-me estar a repetir.

No entanto, pus-me a pensar na extensa faixa de surdos que seguem a Tasca. Pá, é uma malta que não se governa com podcasts, como por exemplo o meu tio Abílio, que é tão surdo que mesmo as letras só as entende em maiúsculas. É uma audiência que pode facilmente optar por outro canal. Sobretudo numa época em que emergem tão promissores talentos no nacional fazer rir. Olha, o Zé Marinho é um, para citar apenas o que faz rir mais.

Vai daí, nada temam, a Tasca continua a cheirar a vinho e o tasqueiro continua pronto a espalhar serradura por cima do que vomitarem por aí. Ou escarrarem. Quero é que a ASAE se foda. Bora discutir bola? Bora.

...

Diz que vamos jogar hoje à Turquia. Já se sabe que os Turcos é uma malta que ainda não perdeu o hábito de mandar nojôtros povos. Primeiro, porque ainda são reminiscentes do Império Otomano e aquela mania de governar a Europa está-lhes entranhada nos genes. Depois, porque estão sempre desconfiados que toda a gente é um Curdo em potência e eles embirram um bocadinho com Curdos. Deve ser por isso que vão todos em peregrinação para os estádios, fazer um chinfrim dos diabos e ameaçar os adversários e isso tudo. É um pedaço aborrecido e faz dores de cabeça, pelo que se aconselha que a malta vá com a lição bem estudada e de tampões nojóbidos.

Mas a Turquia é um belo sitio, cheio de Turcas e suas belas mamas e outros atrativos que agora numalembra. Uma localidade bem catita para arrumar esta coisa do apuramento para a próxima fase da Champions, disso não há dúvida. Ah, também é um famoso local para a prática do "ver quem cospe mai'longe". Os concorrentes podem cuspir no Bósforo, a ver quem consegue mandar uma bisga na Europa que chegue à Ásia. A chamada bisga transcontinental, portanto. Pode-se tentar com mijo, mas depende um bocado da temperatura e da quantidade de cerveja.

Só que não é para turismo e desportos náuticos que o nosso FCP lá vai. Pessoalmente, estou plenamente convencido que vamojarrumar os Turcos com tranquilidade. Bem sei que eu acho (quase) sempre isto, mas desta vez dou-me ao trabalho de vos explicar porquê. Seus sortudos!

a) Esta época, o treinador tem demonstrado que se há coisa que faz com facilidade é aprender. E ignorar que o André André é uma bosta também, majisso não é para aqui chamado. As coisas correram-nos mal duas vezes: Besiktas e Leipzig. As duas equipas que menos conhecíamos. Os Alemães tiveram o azar de vir à oral ao Porto, depois de termos chumbado no primeiro exame, e foi o que se viu. Agora é a vez dos Turcos. Creio que ninguém nos ganha duas vezes este ano, a menos que mude muito a sua maneira de jogar e o Besiktas não vai fazer isso. Até porque as coisas lhes correm de feição, não havendo motivo para grandes mudanças. Tansos.

b) Os tipos estão pouco maijómenos apurados. Claro que não vão querer perder - embora seja o que têm de mais certo - mas também não é como se fosse o último jogo das suas vidas. Sendo certo que no jogo do Dragão nos faltou intensidade e agressividade. Tendo em conta o ponto anterior, essas serão duas das nossas armas esta tarde. Pobres Quaresmas.

c) Não é que aposte os tomates, porque gosto basto deles e shit happens, mas estou mesmo convencido que vamos entrar com pressão alta e meio-campo com gente suficiente e dentes à mostra, de forma que os Turcos vão andar feitos baratas tontas a tentar perceber por onde andam os nossos. E nisto, pumbas, guolo do Puorto carago!

d) A perder, pode muito bem ser que dê aos Quaresmas a travadinha e venham para cima de nós que nem Tarzões. Num dia como deve de ser - e hoje é! - aí está uma cena com que nos damos nada mal. Somos a típica equipa Judo. Eles atiram-se cheios de força e nós puxamos-lhes o bracinho, usando a força deles, e estatelamos os moribundos na relva. Enquanto isso, do outro lado do campo faltaram defesas que parassem o Brahimi e o Aboubakar e o Corona e - oh sim! - O Herrera. Já para não falar na costumeira velinha de igreja, aka, bola parada da ordem. Cincazero!

e) Com quem é que se vai processar a terraplanagem do Otomano incauto? Com estes onze: Iker; Ricardo, Felipe, Marcano, Alex; Danilo, Oliver (olé!), Herrera; Corona, Abou, Brahimi. O bom do Hector vai jogar mais perto do Aboubakar do que do Oli, penso eu de que.

...

É por tudo isto que acho que os suínos que decidiram acompanhar a equipa fizeram uma escolha muito acertada, coirões. Não lhes bastava andarem a divertir-se que nem labregos com os desportos náuticos no Bósforo, ainda vão encher a pança com um jogo de gala contra o Besiktas - pun intended. E de comidas cheias de especiarias e bem apuradinhas e arroz basmati e chá de menta, cabrões. Bem feito que lhes vão rebentar as hemorróidas. Incha! Digo, inchem, ops...

Inveja, eu? Hã?

...

Soundtrack to Turkey: Demokrasi!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Culpa é do Cavani: Mantendo a média da auto-estima



Nós, os privilegiados que não bastava terem nascido lindos e irem ficando mais bonitos cujanos, ainda são espertos como um alho, podemos optar por uma postura cagona de superioridade, de um certo apartheid até, que nos leva, irremediavelmente, a conviver apenas com outras estrelas de semelhante brilho. Esta escolha, na minha opinião, leva-nos a perder o contacto com o Mundo. Vivemos no Olimpo dos poucos escolhidos, pensando, erradamente, que o Universo é um esgoto imundo, salpicado aqui e ali por umas ilhotas de WC Pato.

Ou então misturamo-nos com a ralé, indiferentes ao cheiro e assim, espalhando luz na escuridão das suas inconsequentes vidas. Esta é a escolha dos mártires da bondade, dos apóstolos do conhecimento, dos profetas da beleza. Conscientes de que a sua superioridade só ganha propósito quando serve a Comuna, estes paladinos da pureza sacrificam-se em prol dos outros. Do Homem, enfim. Digamos que são os superiores de entre os superiores. Os que ficam com as gajas mais boas das gajas mais boas. E os gajos mais bons dos gajos mais bons, no caso de serem, elas próprias, gajas bem boas de entre as gajas bem boas. Cozem-se unscujôtros, cumásbatatas, pronto.

Por exemplo, eu gravo um podcast com um gajo que faz gala de dar hais do ku mal acorda. E outro que se esforça por aguentar 30 segundos a copular com um cavalo. Os meus pares instam-me a parar com isto. Crêem que achincalho a espécie - a nossa - que os diminuo de alguma forma. Até porque é suposto o conteúdo produzido ser sobre um jogo: Futebol, conhecem? A todos os pedidos respondo com o mesmo irrefutável argumento:

Opá, são tão foooofos!

Podia estar a contemplar a perfeição dos conceitos, a teorizar a magia do surgimento da Vida, a ver pornografia de origem Eslava, lá isso podia. Mas não, misturo-me. Faço-o por mim? Se quiserem acreditar nisso, poijacreditem. Tudo por vós, pois será vosso o Reino dos Céus. 

Hã? Não, obrigado, só bebo Matinal. 


...

Quem quiser continuar a ouvir pelo site, tranquilo, é só usar o leitor que está embutido no post de cada episódio. Quem ouvir usando uma app, seja iTunes, Podcast Addict, Pocket Casts, Podcast Republic ou tantas outras que por aí andam, pode encontrar o Cavani aqui:
Todos os episódios anteriores estão no site e no feed RSS, pelo que como de costume amandem as vossas postas para cavani@porta19.com!


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Comes e bebes, glúteos e pilas


Vocês recordam-se que, não satisfeito por ter um aspeto físico espantoso, ainda me fui meter naquilo do Getting physical, POIS RECORDAM?! Bem! Conforme prometido nesses tempos idos, cá estou para vos dar conta de coisas da vida de uma pessoa em boa forma, enquanto no processo de se pôr dessa maneira. Hã?

Fiquei muito bem impressionado ao perceber que havia um Profissional Tipo - acho que é o que significa o PT nas camisolas - que define um plano para cada ginasiante. É muito atencioso da parte deles, mesmo que aparentemente ande toda a gente a fazer os mesmos exercícios. Pronto, não será lá muito personalizado, majaté é fofinho. Passados uns tempos, faz-se uma reavaliação. É a altura em que dizem a todos: Sim senhor, muito bem, está a ir lindamente, seja lá o que for que esperava conseguir com isto. E procedem a redefinir o belo do plano. A mim aconteceu-me o mesmo.

Só que o amigo que ficou encarregue de tratar do meu caso, deve achar que tem queda para a comédia e decidiu ser engraçadinho. Foda-se, mal posso mexer os bracinhos. Eu não fui feito para levantar pesos e fazer elevações e essas merdas todas. A minha ideia era experimentar umas máquinas que vistas de fora têm ar de fazer cenas fixes. E depois ir três quartos de hora dar cafunhos na piscina. That's all dude. Acho que confiei demasiado na linguagem corporal e acreditei que todo eu grito: NÃO CONSIGO LEVANTAR ESSA MERDA! Afinal, vai-se a ver, há malta que deve ser surda.

Para não dar parte de fraco, perante o estúpido e mais a quantidade de toscos que pensou "pracaso, tu no ginásio, espera aí que duras lá muito, duras", procuro cumprir à risca o bom do plano. Mas dói-me. No entanto, a compensação de ter mais 0,0327 mm de diâmetro no braço esquerdo é inolvidável. Ora vão-safoder sim?!

O mais preocupante, however, é que agora tenho uma quantidade industrial de exercícios para os glúteos para fazer. Pá, não sei, tenho aquela sensação Hansel, 'tão a ver? Aquela vozinha no intimo que vos diz: uuuuiiii, bê lá se nuntetá a engordar póspois te comer. Talvez seja por isso que aldrabo bastante nos agachamentos. Se a trampa das elevações me deixam os braços neste estado, imagino o que os glúteos soberbamente torneados me poderiam fazer. Credo.

...   

O mais relevante desta minha experiência no campo da atividade física sem propósito nenhum, é toda a dimensão sociológica da coisa. É muito divertido. Por exemplo, sendo um rapaz dado aos desportos, daquele género que joga a tudo e não é bom a merda nenhuma, tenho passado por bastos balneários masculinos ao longo da vida. Apesar de não serem importantes para os escândalos e as noticias e assim, os balneários masculinos são um fenómeno muito pouco estudado. Provavelmente porque ninguém quer saber disto para nada, mas também há a possibilidade de ser porque toda a gente sabe do que lá se fala e acontece e tudo e tudo. Gajas, bola e o ocasional panasca, certo? Pá, isso é ser muito redutor, quando não um tiro ao lado.

O facto é que o famoso ambiente do balneário varia consoante a modalidade. Eu só conheço os dajaulas de Educação Física, do jogo da bola e agora este do coiso. Os primeiros eram basicamente uma seca, a menos que se fosse um tipo suficientemente diferente para ser gozado, altura em que se deviam tornar num tormento. Nos segundos, o assunto principal é...bola. Neste agora, a malta não se conhece assim tanto, é mais reservada, fala só cujamigos, se calha a andarem metidos naquilo juntos, de resto é bondiatémanhã.

                                          [ Interlúdio para Questão Pertinente

Como é que acontece isto? Dois gajos estão a tomar café e a falar de futebol e um lembra-se: epá, havíamos era de ir juntos para o ginásio. E o outro: olha que é uma ideia bem catita. Andamos lá aos pinchos e a transpirar e depois vamos tomar uma banhoca os dois. Eu nunca combinei isto com nenhum amigo ou conhecido e estou sinceramente intrigado. Se alguém puder esclarecer-me, agradeço. ]

E falam de quê nos ginásios? De comida e bebida. Caraças pá, fui ontem à Tasca do Silva, ui, aviei algumas duas doses de camarão e já antes tinha comido um  casqueiro praticamente sozinho. Incha! Depois acabei a noite bêbado que nem um cacho. Bebi bué. Muito mais do que tu alguma vez bebeste. Sou mais bebedolas do que tu. E como mais. Incha! Não, eu é que sou. O Silva até acabou com o buffet livre de uma vez que lá fui. Quase que lhe falia a espelunca. Incha! E conheço restaurantes mais bons do que os que tu vais. Onde me embebedo até ao coma alcoólico. Incha! Ena pá, a sério? Temos que lá ir. Pá, pois temos, temos mesmo que combinar isso. WTF?

Enquanto andam estes nesta conversa, os velhotes da Hidroterapia vão coxeando entre os bancos e os cacifos, com aquele ar de enfiavatumalambadanessa'fuças que logo viam se é bonito fazer inveja à pessoa carregadinha de diabetes.

...

Mas há coisas que são aparentemente transversais a todos os balneários masculinos. Digamos que são as constantes daqueles ambientes, traços marcantes das relações - salvo seja - sociais - ah, assim está bem - que ali se estabelecem. Ora então, o que andamos nós a fazer entre as quatro paredes dos nossos balneários, perguntais.

A puxar a pila, pois claro. Na esmagadora maioria dos casos, a própria, felizmente. É indesmentível: puxamos a pila e há até quem passe basto tempo nisto, mesmo que seja inconscientemente. Porque o fazemos? Tenho uma teoria:  

Andar a correr de um lado para o outro, a acartar pesos ou a dar cambalhotas ou chutos numa bola, não são atividades lá muito estimulantes, do ponto de vista da libido. Quer dizer, não é como se a pessoa pensasse: hmmm, agora vou correr até ao trampolim, faço uma chamada a pés juntos, dou com as mãos no cavalo e pumbas, um mortal. Só espero não cair mal e ficar paralimpico. Ui, que tesão, se me corre bem ainda me venho. Pá, não. Ou seja, o exercício não é conhecido por provocar potentes e duradouras ereções. O que quer dizer que quando se chega ao balneário, não está o homem propriamente no seu melhor. Sim, isso mesmo, we do care

Um gajo quer sempre que a sua pila seja a maior de todas, não há volta a dar. Se não é, então quer que seja a mais bonita - claro que há pilas mais bonitas, oh aqui...ai espera, não se pode. Em todo o caso, já sente que salva a face se não se considerar ridículo. Ora, acabado de se esfalfar todo, mais perto de sufocar do que de pensar em estupendas mamas, o mancebo estará sempre mais parecido com o gajo a sair da água em Moledo, em janeiro, do que com o Nelson Évora em qualquer situação da sua vida. Já se vê que isto aumenta exponencialmente o risco de a ter mais pikenacájôtras. Solução? Puxar por ela. Pela gaita, pois claro.

E pronto, é vê-los alegres e contentes, a fazer piadas sobre o jogo, ou metidos consigo mesmos depois de mais três mil cento e dezassete agachamentos - deixa ver o teu dedinho Hansel, anda lá - a puxarem a pila, a esticarem a gaita, a esfregarem o macaco. Uns mais discretamente, outros à descarada, até os respetivos pirilaus verem restabelecida a circulação e deixarem de parecer um quisto sebáceo por cima dos tomates. Como quem diz, agora sim, podeis comparar e tirar as vossas ilações. Até posso perder, mas dei o meu melhor. Enfim, ficamos descansados, é isso. Quem dá o que tem...

Isto é um comportamento automático e estou em crer que nos é incutido, talvez por imitação, desde muito cedo. Não pensem que acontece só a soberbos exemplares do género masculino com cerca de 45 anos - um vosso criado - nem pó. A questão é que um gajo quando é adolescente é diferente.

Lembram-se dos moços que entram no balneário à beira de sufocar, lá em cima? Aos putos novos isso não acontece da mesma maneira. Eles vêm a pensar que já se sufocavam no meio de um estupendo par de mamas. Ou não tão estupendo. Podia ser mesmo mau, salixe. Lisinha cumópai, safoda. Umas, pronto. Mas desatam a puxar pelas pilas como qualquer homem normal. 

Putos, tende tino. Um dia ainda partilham o balneário com o Profissional Tipo que tem a mania dos glúteos. E se ele pensa que estão felizes por vê-lo, hein? Vá lá, ide, ide puxar as pilas, mas com calma, na medida certa. A ideia não é serem o Louis CK, é só não parecerem o Adolfo

...

Eu sei que não é muito sexy e que estarei a destruir as fantasias de inúmero gajedo. Mas o melhor mesmo é tirarem a limpo num balneário perto de vós. Se vos deixarem entrar, já se sabe. Porque outra das coisas que caracteriza o nosso género, é o papo. Não pá, isso é as gajas. A gabarolice, pronto. 

Eheh e tal, faço e aconteço, era já, apanhava-a aí, ui, cacete. O quê? A senhora tem que vir passar a esfregona no chão? Credo, esperai, esperai! Ninguém abra a porta até eu ter uma toalha à volta da cintura e a camisola vestida. Ia agora a senhora vermustruces e as man boobies, Deusmalivre!

...

Hã?