domingo, 22 de outubro de 2017

Da (des)montagem de mobiliário


Há uma corrente que defende que a IKEA é, na verdade e essencialmente, uma empresa farmacêutica, com fortes e múltiplos interesses na categoria dos psicotrópicos. Será esta a razão subjacente ao intrincado método de montagem dos móveis low cost do gigante Sueco. Amarelo.

Aquilo que parece uma prateleira por tuta e meia, feita de cartão e que é só desdobrar e fica prontinha a receber as fotografias do batizado do cachopo, do casamento dos pais e de um tio secular que ninguém sabe já quem seja, revela-se todo um teste à capacidade de autocontrolo da pessoa. 

Mesmo que consiga descobrir qual é o lado de cima, o que não é tão fácil como pode parecer, o mais provável é concluir que falta a chavinha. Aquela que serve para apertar o único parafuso que, estranhamente, é suposto ser o bastante para segurar a coisa no sítio. Salvo seja. Não vale a pena porem-se a pensar que talvez haja uma lá por casa. Porque a chavinha é sempre uma cena única. Não é sextavada, nem em estrela, nem sequer das normais, para um parafuso simplório, com uma racha ao meio. Nada disso, que o Sueco é um bicho que não grama de dar azo a trocadilhos parvos de cariz sexista. E sexual.

A chavinha é única, para um parafuso único. E não existe. Talvez se tenha perdido ao abrir a caixa, pelo que se põe a família toda a desvirar a casa. Sem resultado. Pode ser que dê para apertar isto à mão, vamos lá tentar, que já se começa a ficar um bocado irritado. E o raio do catraio bem podia ajudar qualquer coisinha. Afinal, era ele o batizado. Não tarda apanha uma galheta. 

Tanta merda por causa de umas fotografias velhas, mais um tio que não interessa a ninguém, dass. Não me grites, quero lá saber do casório, é preciso dependurar um documento que nos lembre disso, é? Dizes divórcio outra vez e eu meto uma pouca de roupa numa mochila e zarpo daqui. Isso mesmo, vai lá tomar um Xanax, a ver se acalmas. E traz-me dois. No processo, dá uma galheta ao puto. E um Actifed. Lá está.

Pelo contrário, o móvel de fabrico nacional já inclui uns senhores, normalmente usando calças de cintura descida, motivo pelo qual se lhes vê o rego cada vez que se baixam. São os montadores. Do móvel, pois claro. Não é a cena mais sexy do Mundo, mas poupa uma data de chatices. 

A desvantagem é que para a pessoa se ver livre do mobiliário Sueco, basta arranjar um bebé e pô-lo a gatinhar pela casa. É sabido que os bebés têm uma cabeça descomunal, em proporção ao seu enfezado corpo, que tende a esbarrar contra tudo o que é esquina. Ora, qualquer toque na mesa de origem nórdica, e lá desabam as molduras pelo meio das peças em madeira contraplacada. Digo, cartão. Mas então não era uma prateleira? Ah, isso. Foi-se a ver, era uma mesa. Trocaram a referência. Ui, olha o que encontrei pai, a chavinha! Estava embutida numa das patas da mesa. A mãe pergunta se queres um Xanax. Pumbas, uma galheta nas trombas, para não ser insolente.

Já o mobiliário em madeira maciça - risos - carpinteirado à mão - mais risos - nas Lusitanas oficinas, é muito mais resistente. Para um tipo se ver livre de um aparador, é melhor começar logo por lhe enfiar um patarrão. Mas é de força. Aquilo abana, mas não cai. Momento em que se acrescentam mais seis porradas, de preferência com um machado de cortar lenha. Mesmo que uma não conte, as outras cinco devem chegar para desfazer a coisa. Salvo seja.

Olha, perguntem ao Sérgio Conceição e ao FCP. É malta habituada a ver-se livre de móveis.

...

Eu podia ser um bocado mais plasticina, lá isso podia. Em vez de maçar as pessoas com quantidades apreciáveis de disparate, como acima, fazia uma apreciação ao jogo e pronto. Quero dizer, moldava-me ao interesse do leitor, da maioria deles provavelmente. O que, é sabido, contribui para aumentar a relevância e, não menos importante, manter a DECO à distância. Seria muito menos divertido para mim, o que é motivo mais do que suficiente para me estar bem a ralar para o consumidor. Para além de que seria basto parecido com tudo o resto. Já sei que isso é excelente, porque põe o produto na linha da frente. E se for uma prateleira IKEA? Ui, não tarda, espanca-se tudo no chão. E seria tão monótono. Mas tanto. Nada divertido.

Ainda por cima, a capacidade de moldagem permitiria que me esquecesse. Podia muito bem fazer de conta que ter dito preto era maijómenos o mesmo do que ter dito cinza. Ou que a minha opinião era assado, dada a forma que assumia no momento; mas passara a frito, uma vez moldado a uma nova, mas passageira, realidade. Podia até dizer sempre cozido e pronto. Os cozidos são mais saudáveis, já se sabe. Mesmo que sejam morcelas e chouriços de sangue.

Não se dá o caso. Cada um é para o que nasce, paciência. Eu cá, parece que nasci lindo de morrer, nada plástico, e basto opinativo. Com grande dificuldade em abandonar a minha convicção, a menos que me demonstrem que ela está errada. Quem nunca? Se somarmos a isto uma parva mania de ser do contra - devo ser tãããão irritante. Hã? Qual Xanax, meu docinho? - damos com um gajo que gostou tanto do jogo de ontem do FCP como qualquer outro Portista. E que dele tirou as mesmas conclusões que, porventura, a maioria. Só que se senta do lado da bancada da imensa minoria que se está a cagar para a onda - olha a onda, olha a onda - e desata a dizer quais foram. Ai ca burro.

...

Então, grandes conclusões da demolição do mobiliário de Paços de Ferreira:

- O Iker é melhor do que o Sá.

- O Ricardo é muito melhor do que o Layun.

- O Herrera, em início de construção atacante, tem elevado potencial para dar cagada. Fora dela, é muitíssimo útil para o modelo adotado.

- Ter Corona e-fe-ti-va-men-te em jogo, é um luxo.

- Brahimi é o melhor jogador do FCP. E do campeonato. De muuuuitooo longe.

Todas as opções técnicas são legítimas e respeitáveis. Quando tomadas por quem de direito, são absolutas e inatacáveis. Infelizmente, para quem gosta de cenas muito submissas em nome da Nação, são sempre comentáveis.

Por isso, feliz da vida com um treinador que se tem revelado melhor do que eu o pintava, afirmo convictamente que nenhuma legítima opção técnica altera as conclusões expostas. Muito menos qualquer conferência de imprensa cujo substrato é deixar-nos de Alma cheia. Não é pouco, lá isso não, mas não é técnico.

Posso ter uma opinião? Posso? POSSO? - pumbas, porrada na mesa - Sem pedir licença aos treinadores e comentadores?

A propósito do que, devo dizer-vos,  gosto muito das conferências de imprensa de Sérgio Conceição. Quase sempre dou por mim a pensar: Nem mais! Por exemplo, depois do jogo de Leipzig, quando disse que perdemos sobretudo por termos cometido erros defensivos pouco habituais. Daquela defesa que ele decidiu alterar profundamente.

Ou ontem, quando afirmou alto e bom som que temos um grupo espetacular, de gente comprometida e de grande gabarito. Enfim, o contrário de um plantel curto e feito de restos, como alguém deixou transparecer em entrevistas dadas a media internacionais. Sendo que uma parte substancial do mérito disso - de sermos bons e melhores do que os outros - é do treinador. Ah poijé bebé.

...

Para o fim, a que considero a conclusão mais relevante do jogo de ontem: O FCP de Sérgio Conceição, e de nós todos, está um nível acima da competição Nacional que disputa. Somos de outra liga. Da dos Campeões. E tinha saudades.

Mas bem, não é como se já não o tivesse dito antes. Nem como se a maioria não tivesse já afirmado o contrário. Right?

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Soundtrack to Mr.Silva: Honesty is my only excuse.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A Culpa é do Cavani - Strap, strap

Resumo de Leipzig: não jogámos um piço! Azul.

Agora que já todos disseram tudo, é natural que sintam que é tempo de, realmente, perceberem o que se passou em Leipzig. Nada temei, oh valentes, cá estão os imbecis habituais para trazerem uma abençoada chuva de sabedoria sobre as vossas cabeças, que ardem de ignorância. Ou então é uma resma de disparates, uma delas.
O facto é que, muito à minha conta e nas boas graças dos ventos Vassalianos, por fim alguém parece ter deixado de fazer de conta que o jogo na Alemanha, o propriamente dito, é que era o mais importante da última terça-feira. Digam lá o que quiserem, escondam-se na hipocrisia do "o que importa é a bola e assim", façam de conta à vontade. Por aqui, foi-se direto ao elefante: Será que o Lusitano de Évora é mais forte que "O Calipolense" Clube Desportivo de Vila Viçosa?
Infelizmente, concluiu-se que não jogam na mesma divisão, pelo que o assunto depressa se esgotou e tivemos que nos pôr a falar de outra coisa qualquer. Olha, e se discutíssemos guarda-redes? Boa! Lembram-se daquele que era muntabom? Opá, o Espanhol, pá. O que tinha um nome parecia uma loja de móveis. Quais Moviflor, quais caralho! Isso! Ikerea, esse mesmo! Que passou se com ele? Não sabemos, mas o Vassalo jura que viu um tipo, que trataremos apenas pelas iniciais SC para não se saber quem é, a apalpar a Sara Carbonero toda.
Como quase sempre, valha-nos o equilíbrio do nosso defesa central Italiano Bertocchini, para temperar o tufão de indignação dos outros estarolas. Desta vez, com direito a um momento de introspeção tocante e uma revelação pessoal que mais parecia a porta de um armário a abrir com estrondo. 
Deixem-se de merdas, vocês não conhecem suficientemente a legislação para saberem se me podem processar por publicidade enganosa. Inchem!
Enfim, é mais uma tentativa minha para arranjar maneira de ganhar a vidinha a fazer o que faço melhor: estar sentado a dizer alarvidades sem ponta por onde se lhes pegue. Vocês bem podem contribuir para isso, só vos fica bem. Basta terem 55 minutinhos de paciência e clicarem aqui abaixo. Isso, andem lá, não dói nada, reparem que o artefacto do amor tem ar de ser bastante macio...


Quem quiser continuar a ouvir pelo site, tranquilo, é só usar o leitor que está embutido no post de cada episódio. Quem ouvir usando uma app, seja iTunes, Podcast Addict, Pocket Casts, Podcast Republic ou tantas outras que por aí andam, pode encontrar o Cavani aqui:
Todos os episódios anteriores estão no site e no feed RSS, pelo que, como de costume, amandem as vossas postas para cavani@porta19.com!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Para que lado é Marte?

Enche o balde, corre à eira, foge da fagulha, despeja a àgua, volta, enche o balde. Não respires, não desistas, foge da fagulha, despeja a àgua, volta, enche o balde. Corre à eira, até ficares sem beira, olha a fagulha que te apanha, larga o balde, volta. Pega na criança, arrasta a mulher, liga o carro, corre, corre.

O senhor secretário manda dizer que não devias deixar o balde, a senhora Ministra está extenuada, havia de tirar uns dias de repouso, meter uma baixa, mas faz-lhe jeito o dinheiro. O senhor enlutado lamenta que a estrada esteja impedida, as bermas um Inferno só, mas promete que não volta a acontecer. Sofre ele próprio, pois amigos seus de ocasião estão desaparecidos. Omissos.

A criança chora, a mulher grita, o fogo canta, ou será Dom Dinis que recita, qual Nero, perante a sua Roma mandada plantar? Ah, não é altura, agarra no cachopo, nos cabelos da mulher, corre, corre, larga o carro, foge da fagulha, não respires, não desistas, leva o balde, nunca se sabe. Como se corresses à eira, extinta, com uma pouca de água, inútil, vai aos trambolhões pelo meio do lume, antes que o fumo te cegue. Te seque.

Na improvável clareira do Inferno, os telefones não funcionam e os rádios avariaram, mesmo quando era preciso coordenar o salvamento. Diz que o Mundo vai rebentar e tu, já agora, gostavas de estar cá para ver. Parece que o Porto vai ganhar e tu, assim sendo, preferias estar no café a festejar. O petiz tem teste, a mulher tem trabalho, a eira é que já lá não tem nada. 

As televisões mudaram de canal e transmitem as passeatas de protesto, veemente, e gritos de ordem e exigências de dignidade. E aumentos de uns quatrocentos euros, 400. É o povinho que buliu e não mugiu, enquanto lhe vergastaram sem piedade o lombo com o austero chicote; e agora, uma folguinha nas costas, sai em alegre algazarra, reclamando a sua fatia do bolo imaginário. A maior de todas, essa é que é a justa, até deixar de haver bolo. Eira. 

O SIRESP falhou e nos walkie-talkies só se ouve os comentadores falhados, os duendes premonitórios, os sabichões que bem tinham avisado e os populares ávidos do direto, abanando concordantemente as suas cabeças. Distantes.

A rede social está inacessível enquanto a tragédia lavra. Gatinhos e cãezinhos amorosos estarão seguramente a ser deixados para trás, abandonados à sua sorte, quiçá escondidos nos restaurantes que frequentam. O drama suporta-se melhor em ambientes familiares. Poderiam as cabras, assadas, ter ido ao restaurante? 

O tempo que te sobrou para a imbecilidade, meu caro, aí agarrado de unhas e dentes ao cachopo e à senhora, que a eira já lá vai. E as cabras. E a casa. E o carro. Restou esta fuga da mente, uma espécie de descanso. O que daria a senhora Ministra por um momento destes.

Na cada vez mais mirrada clareira do Inferno, não há cibernética, nem cúpula de proteção climática, nem fusão a frio. Não há operacional, nem veículo, nem meio aéreo vindo do estrangeiro. Mas chove. Nem muito, nem pouco, apenas o suficiente para que estes três não se acrescentem a determinada lista.

Não respires, fica direito perante o Presidente, não chores, olha que está a dar na televisão, não protestes, há uma altura certa para tudo. Agradece ao senhor secretário, abraça o senhor enlutado, pergunta pela senhora Ministra. Que não veio, meteu, por fim, umas merecidas férias. Chega-te para lá, que têm de caber na fotografia os senhores que comentam e mais os diretores disto e daquilo, arreda, não tens uma eira para cuidar? Limpar mato? Depois admira-te se arder.

Um estúpido que fez tanto - não! ainda menos! - como os outros, puxa-te pela manga da camisa esfarrapada. Quer pedir-te desculpa por não te ter conhecido noutras circunstâncias. Antes de teres muitos e vários motivos para o mandares apanhar no cu. Desculpa.

Corre, corre, pega na criança, arrasta a mulher, foge daqui antes que venha a cheia. Para que lado é Marte?

...

- Já está, Senhor. - Com ar estranho.
- Muito bem, Pedro. Sei que discordas, mas às vezes tem mesmo que ser. Só aprendem assim, lembra-te do Egipto. - Triste.
- Sim, Senhor. Posso ir, Senhor? - Apressado.
- Pois claro, senhor Pedro, o Pescador, vá lá à sua vidinha. 
- Até depois, Senhor. - Em passo de corrida para a saída.
- Ah, Pedro, é verdade, mantém-me a par da queimada. E nada de disparates, como chuva e assim. Ainda me faltava estragar-se o plano de castigo por falha dos serviços.
- Sim, Senhor. - Sai a correr, comprometido. Bastante.

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Soundtrack to wildfire: Burn it all!



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A Mesa do Canto: Farturas e vegetais (com Sedcas)


Pode ser da constipação, que nos zanga com a vida, mas o facto é que me sinto bestialmente farto. Assim de uma maneira geral, estão a ver? 

Farto do disparate hiperfeminista ou megaparvo, como preferirem, a histeria que por aí vai que pega em tudo e mais nos tomates do mudo. Pobre mudo. Agora também implicam com a depilação, como se eu quisesse saber. Por mim, podem andar alegremente a passear farfalhudos montes de Vénus, enacaracolantes buços e densos matagais pelas pernas abaixo, a ver se mimporta. Não tenho é que gostar, certo? Não estou a oprimir ninguém só porque prefiro que as vaginas não me façam lembrar o Artur Jorge, poi'não? Irrita-me que não ser assim, signifique instantaneamente que se é assado.

Farto da voragem progressista, qual Mariana de charro em punho, que parece encontrar sempre um novo limite para ultrapassar. Opá, eu acho muito bem que as pessoas mudem para o sexo que quiserem. Ou que o cortem rente, se preferirem. Até sou da opinião que deviam ser todos gajas, menos eu. Ia ter cá uma saída, nem vos digo, nem vos conto. Para além de que cobraria caríssimo, já se vê. Mas têm a certezinha absoluta que é boa ideia deixar putos de dezasseis decidirem isso em duas penadas? Pá, aos dezasseis é só de uma vez, certo? Para chatear o meu velhote, eu era moço para querer ter duas antenas e escamas. Púrpuras. Se calhar, seria melhor não me facilitarem a vida, não?

Farto de ideias tão felizes como "Francesinha Vegetariana". Não! Se é vegetariana, não pode ser Francesinha. É como se fosse verdade que se pode fazer um bitoque com seitan. Não pode. Arranjem outros nomes, não sejam Tonys.

Farto de gajos alaranjados e seus companheiros de paródias e mais aos seus artefactos rebentadores, que ainda nos mandam desta para uma qualquer, à conta da sua parvoíce. Pilas pequenas, sem dúvida!

Farto que se percam as pessoas em pequenas hipocrisias sem sentido. Foda-se pá, o boçal sou eu e estou alguns trinta mil anos à frente desta gentinha, em matéria de inclusão.

Cada um deve ser e fazer aquilo que muito bem lhe der na gana, em contando que não está a dar cabo da vida ao próximo e que já é moço para ter dois dedos de testa. E se quiserem ser gajas com tranças até ao chão nos pelos do cu, pois sejam. Com umas missangas, ainda vira moda. Se o que apetece mesmo é serem moços, mas vestirem saias e pintarem as beiças, mas com barba à lenhador, acho muito bem. A inclusão está muito próxima do não querer saber. E eu, muito sinceramente, não quero. Espero somente que sejam todos muito, mas mesmo muito, felizes, das maneiras diversas que escolherem. E que me deixem a mim fazer as minhas escolhas. Julgando-me tanto quanto eu os julgo pelas suas.

Não, não gosto de pelos. E não, não me incomodam os seus, cara senhora. Ai, desculpe, senhor. Não reparei. Agora despache-se que diz que isto está para ir pelos ares.

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Nem de propósito, o gajo faz-me sinal lá da mesa do canto. Grito-lhe:

- Kékéres pá? Algum naco na pedra, em sangue, pode ser?

Ele sorri e vai-se aproximando. Quando pousa os cotovelos no balcão, atiro-lhe:

- Olha lá, porque é que um animal que não rumina, se haveria de abster de comer carne? Meu animal. 

Pensa dez segundos, o tempo suficiente para não me mandar à merda, mas insuficiente para inventar uma resposta que não sinta. Diz-me:

- Somos capazes de viver sem explorar ou condicionar outras espécies.

Acredito que não seja necessário um animal morrer para satisfazer um simples desejo do meu paladar. Não creio que este seja mais importante do que a vida de um ser consciente, inteligente, capaz de sentir dor, medo e expressar sentimentos como o luto ou a perda.


A opção de não comer animais por compaixão, é parte de uma visão do Mundo menos violenta, que não acredita na superioridade de uma espécie e que não crê que uma vida seja mais importante do que a outra, seja ela de outro humano ou animal.

Penso que fazendo este caminho, consigo transmitir à minha filha e aos que me rodeiam sinais de que esta opção tem mais vantagens para o planeta e para todos os seres que directa ou indirectamente condicionamos. Faz-nos ser mais conscientes e, quem sabe, talvez nos ajude a evoluir como pessoas, pois o denominador comum de tudo o que é vida deveria ser a compaixão.

Com Sedcas | Picture this by Sedcas

Este ruminante opta por escrever na ortografia antiga. Boi.
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Ele nunca me tentou convencer a comer apenas erva. Nunca me disse que a opção dele o tornava melhor do que eu. Não falou uma vez em saúde, nem em emagrecimento. Só de compaixão.

Eu continuo a comer grandes postas à Mirandesa, deliciado. Mas há sempre uma opção vegetariana no menu da Tasca. Serve all, love all.

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Soundtrack to these days: A word to the wise...

domingo, 8 de outubro de 2017

Distribuição normal da ocupação de mesas



É precisamente à custa da disciplina de Métodos Quantitativos II que, neste exato momento, olha em volta, perscrutante, sem canudo algum de que se possa valer. Por algum motivo, parece-lhe que se sentiria mais confortável, consolando-se num qualquer “ah mas sim, eu sei bem do que me estou a pensar, foram anos a queimar as pestanas”. Não se dá o caso, essa é que é essa. E apesar disso, faz sentido.

Quer dizer, devemos conceder que há gente que pensa nas coisas quando deita mãos à obra e empreende nestes mastodontes comerciais. Ao fim e ao cabo, é natural que não se tenham posto a atirar mesas para os espaços desocupados, a ver quantas lá caberiam. São até moços para ter um algoritmo que indique a proporção correta. Se não estética, pelo menos a adequada para escoar o previsível movimento de junk foodies.

Mesmo para um tipo razoavelmente iletrado, se torna evidente que existe uma certa lógica no movimento: aviam-se hamburguesas carregadas de múltiplos motivos para enfartes do miocárdio, enchem-se copos de papel de pedras de gelo e alguma água açucarada, atafulha-se o tabuleiro de guardanapos e tenha uma morte feliz, próximo; enquanto isso, alguém terá tratado de fazer valer o seu investimento no super-menu extra big large - com as novas batatas hiperoleosas, por apenas mais 0,75€ - e terá despachado essa quantidade apreciável de lixo bem saboroso, besuntado em salsa para patatas e ketchup. Levanta-se então - Ave  Caesar, morituri te salutant - e eis que abre o espaço necessário e suficiente para que se abanque o próximo receptáculo de gorduras bastante saturadas. O queijo derretido já a ficar sem graça, devido ao choque térmico.

Mas, estranhamente, não é isso que se passa. O que podemos ver é uma horda de esfomeados, tabuleiros na mão, a babarem, sabe-se lá se de fome, se de raiva, como os cães. É até um pouco assustador, vê-los de cabeça à roda, qual periscópio varrendo o horizonte do Báltico. Malditos Nazis.

Passados alguns minutos, a situação piora, à conta da pilha de nervos de se andar à procura de lugar. Ficam de olhos muito abertos e apressam o passo, dando ares de loucos perigosos, capazes de matar por uma cadeira. Aos poucos vão desistindo, seguram o tabuleiro quase ao nível dos joelhos, tristes e desconsolados. Vagueiam por entre as mesas, onde decorrem animadas conversas, como uma matilha de cães famintos, ainda que carreguem o seu alimento. Ou pior, como uma trupe de mortos-vivos. Credo. 

O inimigo opta pela antiquíssima estratégia da ignorância e do desprezo: faz de conta que nem os vê. Fazer que não se vê é, muito incongruentemente, como usar óculos. Quem é que vai desancar outro alguém que nem sequer o está a ver? Como quem diz: moço, percebo lindamente o teu desespero, sendo que eu próprio já passei por isso. Infelizmente, nem te estou a ver, porque até era rapaz para te arranjar um lugarzinho. De vergonha que tinha. Se te visse. Que não vejo. Olha, cortei outra fruta. É mesmo giro, o raio do jogo.

E assim chegamos a este magnífico cenário: os que detêm a comida, estão de pé à procura de onde se sentem. Os que comida não têm, estão tenazmente alapados às mesas, fingindo-se distraídos. Havemos de convir que há um certo sopro de justiça social. Marx havia de sorrir, notando que os que detêm a matéria prima estão longe de controlar os meios de produção. Também, iam produzir uma bela merda. Literalmente.

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Se o pintassem daquela cor estranha que tem o bronze, diríamos um homem estátua. Perfeitamente estático, segurando o seu tabuleiro, metido nos seus pensamentos, apenas traído pelo leve roçagar da improvável gabardina, agitada pela deslocação de ar que o movimento das pessoas provoca. Subtil.

Embora a probabilidade da distribuição lógica dos indivíduos pelo espaço pareça, por motivos impenetráveis, comprometida, estranha a ausência de apetite da turba tabuleiristica pelos três mil e seiscentos lugares - assim por alto - na mesa mesmo em frente a si. Menos um, ocupado pela senhora gorda. No entanto, descomplexada. Dada a claramente intencional exibição de banhas e refegos, saltando alegres para cima das calças muito justas e por baixo do top que mal lhe cobre as massivas mamas. As unhas muito longas e multicolores, completam o ar festivo da sombra muito azul e dos lábios muito vermelhos. Tudo muito. Demais.

Escolhe um lugar, dois mil assentos de distância, não vá a matrona sentir que lhe invadem a bolha. Pousa o tabuleiro e ouve-se um apito, qual sirene a anunciar a hora de arrear da linha de produção. O povo olha-o. O som provém da mesa, o alvo guarda as mãos nos bolsos das calças:

- Uôi, oh morcom, num bês ketá ocupado? Sou pequenina, é? Salta majé daí, ai o carago.

Mais próximo, os olhos um tanto abertos de espanto, procura alguma informação que parece relevante:

- Ali, tão longe? A tantas cadeiras de distância?

- Olhameste, olha. Vamos ter chatice? Já num te disse ketátudócupado? - Olha em volta, os braços apoiados na mesa, o imenso rabo semi-levantado da cadeira. - Já aí vêm as pessoas, é irejandando daí prafora.

Um cachopo da mesma estirpe - em termos de carnes - aproxima-se, comendo alguma batata no seu ketchup. A distância para a senhora sentada reduziu-se na medida exata, como que predeterminando o desfecho. Ela berra de novo:

- Ainda aí estás? - Olha o rapaz. Grita: - Rolando, já te disse pra num lEmberjasbatatas!

Só quando sente a textura ligeiramente áspera dos canos serrados na têmpora, percebe que não é por se falar muito alto que se tem mais razão. Oxalá alguém lhe tenha guardado um bom lugar, lá do outro lado.

Os serviços de limpeza vão-se ver aflitos com tanto ketchup derramado.

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As fugas nunca são muito atribuladas. Nem se fazem em passo de corrida. Dá tempo para ir pensando nas coisas do Mundo.

Ainda agora, por exemplo, o passo é estugado, mas tranquilo, fazendo esvoaçar as abas da gabardina. E pensa: Porque é que animais que não ruminam, haveriam de se abster de comer carne?

Ah, os Grandes Mistérios da Existência...

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Soundtrack to big'ol lady: Save a place...

terça-feira, 3 de outubro de 2017

A Culpa é do Cavani - Todo assadinho



Ena, já saiu outra daquelas coisas do Cavani. Se não têm nada de muito, mas mesmo muito, importante para fazer, ponham-se já a ouvir. Se tiverem... Oh, caguem nisso - mas cuidado com as assaduras - e vão ouvir na mesma. Amanhã também é dia.

Se não estão com paciência nenhuma, ficam sem saber se os Jorges ainda acham que los gatitos do Campo Grande têm melhor plantel do que nós. Quer dizer, por aí também não valia a pena, porque andaram às voltas e falaram de tudo e mais dos tomates do mudo, mas não responderam. Maricas, a esconderem-se atrás do Sérgio Oliveira, pfff.

Também permanecerão ignorantes sobre  qual a equipa que calhou ao Jergo Juses quando ele queria apanhar o Chelsea. Well, em ouvindo não saberão na mesma, uma vez que a memória do Vassalo tem uma capacidade semelhante ao número de votos da Ágata na sua corrida à Câmara de Castanheira de Pera.

Para mais, ficam por fora do nível de Mourinhice do Sérgio Conceição. Ou acham que eu não ia implicar com merda nenhuma? Nem pensar! Implico e implico basto. Embora...fuck que primeira parte estrondosa hein? E não é que temos treinador em vez de gritador? 

Em suma, não ficarão mais sábios, mas ficam mais bem dispostos e a gente continua a pensar que vale a pena investir o nosso rico tempinho nisto da podcastinação. E o vosso também.

Despachem-se antes que esgote. Está pronto e todo assadinho. Trinchem-no como vos der mais jeito:


Ou mais singelamente, carregando AQUI.

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A acrescentar à resma de disparates que podem ouvir nesta jornada do A Culpa é do Cavani, apenas um nome: Danilo! Que jogaço, moço.

Soundtrack to Danilo: MONSTER




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

O péssimo timing do Senhor Silva (inclui A Culpa é do Cavani)



Basmati para um caril de camarão; duas batatas a murro para uma posta alta de bacalhau na brasa; uma mão cheia de castanhas a assar com o cachaço; o ovo a cavalo do hambúrguer de salmão fumado, Tasca's way; meia dúzia de croutons na sopa de peixe do Silva.

O Sol na parte de dentro da coxa, depois de uma manhã de sexo; as tuas costas no peito, antes de adormecer; Happy par Clinique; Running Free a entrar na autoestrada - out of money, out of luck, got nowhere to call my own, hit the gas and here i go... - uma imperial, que não um fino, na esplanada da praia de São Lourenço; a Maria Amélia antes do hino da Champions.

( O autor reflete e decide manter o tema:

Pois, ia-me perdendo. Porque balanço em mais um comboio e a distância que isso cava me vai pesando mais a cada ano. Mês. Pesava menos anteontem, pronto. Isso faz-me derivar de tudo para Saudade. Mas era de bola que vos queria falar. 

O autor apercebe-se que viveu um momento de esquizofrenia positiva e, sem mais nem menos, ri-se e apetece-lhe dar uma palmada nas costas do Jorge Vassalo. O autor pondera cagar nas responsabilidades e dar meia volta no Entroncamento. )

De facto, há coisas que não são essenciais, no sentido literal de não serem a essência do fenómeno, mas fazem uma diferença tão grande que passam a ser uma marca distintiva. O acompanhamento perfeito. Como quarta foi de terça. 

Sim, é bola. Sim, sou um imbecil, Senhor Presidente.

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A estrondosa vitória do nosso FCP no Mónaco, já foi abordada por todos em todo o lado. Em nenhum sítio de forma tão aparvalhada e, já agora, sonora, como no


Não imaginam a surpresa e a alegria de percebermos que alguns de vós, de facto, nos ouvem. Também não fazem ideia de quanto nos divertimos a gravar cada jornada. E daí, até é provável que façam.

Só ouvindo mesmo.

...

São atribuídas ao nosso treinador algumas declarações, obtidas em torno do jogo de terça, não sei se antes ou depois, se antes e depois, nem agora interessa. O que me importa é o conteúdo, porque me preocupa um pouco. Poucochinho. Uma ervilha, vá. Só que as ervilhas germinam.

Então, parece que o nosso Sérgio - que vitória rapaz, vénias! - terá dito em alguma altura qualquer coisa como;

Epá, deram-me um guarda-redes e foi isso. Olha, ainda nem o convoquei. De resto, nada, nem um reforço.

Já sei que há muito quem concorde com esta acepção. Pessoalmente, discordo. Podem intuir que o treinador queria outros jogadores, diferentes, melhores, piores e capazes de andar de salto alto, é tudo indiferente. O facto é que é falso que não tenhamos tido reforços. 

Não contratámos mais do que o Vaná, lá isso não. Mas Aboubakar, Marega, Ricardo Pereira, Hernâni e Sérgio Oliveira, não constavam do plantel do FCP que terminou a época passada. Para mim, são reforços. É particularmente interessante reparar no impacto que têm na equipa, não? Mérito deles e, muito!, do treinador.

Sobretudo, não gosto do tom. Não se adequa ao discurso que Conceição tão bem vem mantendo. Aquele de que os jogadores são excelentes, da satisfação com o grupo ser plena e a confiança na prossecução dos objetivos total. Pá, não sei, soa-me a "eu não terei a culpa".

Da mesma forma que é um disparate pensar que a Direção, noneadamente o Presidente, não teve nada a ver com os fracassos de anos recentes; é estupido pensar que alguém poderia tirar o corpo de qualquer novo insucesso. Verdade seja dita, o único insucesso até agora foi o jogo com o Besiktas. O primeiro a assumir a responsabilidade foi o treinador. Well done!

...

Hoje, volto a ler referências a declarações do meu treinador - finalmente temos um de novo, chiça! - que não me sossegam. Agora foi:

Ui, guita não há, é para esquecer. Tive que andar a aproveitar restos e a apostar em jovens. Para já está a correr bem, mas não é fácil. Ser Campeão Nacional será o maior desafio da História do FCP.

Poooooiiis, só que não. 

Meu vitorioso e querido Sérgio, a História do nosso clube está cheia de grandes desafios. Maiores do que esse de seres campeão, acredita. 

Assim de repente, já serias nascido em 1982 para saberes da dimensão do desafio desse Verão. Que te parece a ideia de pegares num clube que, mais do que dinheiro para comprar jogadores, não tinha nota para pagar a conta da água? Pois moço, tomavas banho em casa? 

Olha, houve quem enfrentasse e vencesse esses desafios. E fosse campeão. Alguns são já gratas memórias do nosso Livro Dourado. Outro, podes cumprimentá-lo respeitosamente todos os dias. Seu sortudo. Sim, na verdade, és tu quem tem a sorte de aqui estares. Not the other way around.

Depois, gostava de perceber o que é isso dos jovens. Está bem que catraios com 24 ou 25 anos são jovens. Mas olha que já têm basta quilometragem. Não era a esses que te referias, certo?

Então a quem seria? A Mikel, o Turco? A Rafa, o Bife? Rui da Rotunda? Baleno e Barela? Govea, o Belga? Quais jovens? Eu?

Confesso, não gosto de sinais de malta a pôr-se em bicos de pés e espero que o contexto e o tom e tutti quanti me tenham dado a ideia errada. O meu maior receio em relação ao nosso treinador, tinha a ver com uma certa tendência...errr...Jesuíta que lhe notei em Braga. E em Guimarães. Os franciús que falem por si. Quero muito ficar sossegado em relação a isso. Porque há coisas que nenhuma vitória paga. Falo por mim, pois claro.

Se para dentro - do balneário, do Portismo, do País - dizes Nós, mantém a palavra quando te põem microfones diferentes à frente. Não que mintas, de maneira nenhuma, mas esqueces-te de que o líder vencedor - que serás! - conduziu uma equipa. Não a salvou. Nem Jesus salvou a Humanidade. Get it?

Que má altura para discordar do Sérgio, não é? Kékássaber.


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Autárquicas 2017: P.I.L.A. (inclui Pausa Fashion, com YSL)

Até os bonecos animados votam P.I.L.A.

O período eleitoral é sempre uma festa para mim. Divirto-me que nem um bácoro a rebolar no esterco. Gosto das campanhas, dos comícios, da afonia dos candidatos, dos comentadores de coisa nenhuma, dos programas, das promessas e dos debates.

É como se fosse um imenso festival de comédia, com uma ou outra atuação mais inteligente, mas quase tudo a puxar ao pimba: brejeiro e sem conteúdo, mas muito dançante e bem disposto. Enfim, o ideal para um tipo se enfrascar e andar por aí a rodopiar alegremente com balzaquianas de avental e chinelo.

( PAUSA FASHION, com Yvo Silva Lourenço - YSL

Depois da bota que é uma pantufa da Serra da Estrela, eis que se deu o passo decisivo no que toca à estupidez de meter no pé: o chinelo de quarto de andar na rua. Não sei pá, podem acrescentar-lhe os pompons que quiserem. Mais berloque menos brilhante, continuam a ser chinelos de andar por casa. Fica mal irem todas pintalgadas e arreadas para a noite, com o belo chanato fúcsia de felpo no pé. Parece sempre que vão só ali despejar o lixo, foda-se.)

Mas este ano estou muito triste e desiludido. Quando pensava que a classe política não podia descer mais baixo, fazem-me isto. Não que depositasse alguma esperança na imaginação desta gente, mas já ficava satisfeito com os disparates normais. Nem isso, vamos avançar para Autárquicas que mais parecem a RTP Memória: o tio Isaltino, o primo Narciso, o avô Valentim, só faltava maijum e fazíamos disto uma tira dojirmãos Metralha.

Está bem que há uns cartazes maijómenos catitas, mas boa parte são fakes e ojôtros não ficarão assim tanto para a história. Não lobrigo um Ninja que me faça ficar ligado na campanha e ansioso por ir votar. Caraças pá, nem um Tino de Rans, para não pensarem que exijo ópera em todas as eleições. Bastava-me um Zé Cabra.

Perante um cenário em que a coisa mais relevante é a candidatura da Ágata - será que ela canta nos comícios? E usará chinelo de quarto na rua? Não se sabe, porque ninguém liga nenhuma à campanha da Ágata. Suínos. - não tive outro remédio que não tirar da gaveta um antigo projeto político da Tasca.

Ah poijé bebés, tremei partidos do sistema, chorai movimentos de cidadãos, pensastes kisteratudovosso, agora inchai!

...

Senhoras, senhores, trangéneros, intersexuais, andróginos, assexuados e maijukinventem a seguir, tenho a honra de vojapresentar o mais inclusivo movimento político da História da Humanidade:

O Partido do Interior do Litoral e Arredores.

Como se percebe, é um partido que não deixa nada de fora. É uma malta que quando entra, vai de cabeça e dá tudo até ao fim. Uma espécie de martelo pneumático da disputa partidária, que só depois de tudo bem esburacado é que se dá por contente. Enfim, vocês percebem a ideia e  já se poupam a mais uma série de metáforas parvas.

Para todos aqueles e todas aquelas (e etcs pelo meio) que estejam a enveredar desde já por uma linha de raciocínio meio estúpida - tipo, ah e coiso, lá vem ele com o machismo besta e retrógrado, a piada fácil e boçal - fica aqui o desafio: organizem-se e apresentem alternativas válidas. 

Olha, lancem o Comité Operário Nacional Antimachista, por exemplo. Antevejo épicos confrontos entre ambos. 

Hã? De ideias, está claro. Somos contra qualquer tipo de violência, sobretudo da que dói. Credo.

...

O P.I.L.A. ora descai mais para a esquerda, ora se inclina para a direita. Não tem um espectro ideológico dogmático, uma vez que o nosso único interesse é a satisfação do Povo. Umas vezes para um lado, outras para o outro, logo se vê qual é a fórmula que mais interessa à cidadã. Digo, cidadania.

O que verdadeiramente define o nosso movimento político, é o conteúdo programático do PILA: nada, zero, bola, não temos. Tudo depende da ocasião, vamos agora estar a fazer planos para quê? Em chegando a vias de facto, logo se define o melhor modo de atuação.

No entanto, o cerne do projeto é sólido e a nossa convicção profunda. A essência do partido está plasmada na nossa PU - Promessa Única:

Em ganhando, não governaremos.

Pá, é que a nossa vida não é isto. A gente não gosta lá muito de andar a viajar a convite de empresas e assim. Nem temos pachorra nenhuma para aturar os outros políticos, Deusmalivre. 

O PILA limitar-se-á a selecionar e empossar os profissionais que melhor saibam gerir as diversas áreas de intervenção. Isto é, pôr o gajo ou a gaja (ou um etc, tanto faz) certos no lugar certo. Depois, aplica-se-lhe uma avaliação de desempenho anual, como a qualquer funcionário público. Só que a sério. Se estiver a fazer porcaria, vai para o olho da rua na hora, tipo precário. Puta que o pariu, não vamos andar a encher o cu a quem não faz nada de jeito.

Ou seja, o PILA não será mais do que uma empresa de recrutamento e trabalho temporário. 

...

Queremos genuinamente ajudar, criar condições para que todos tenham vidas melhores, a começar por nós, está claro. Olha não, andávamos aqui nesta parvoeira e não ganhávamos nada com isso kéjbêr? A diferença é que o PILA se compromete a divulgar todo o income

Desde logo estabelecendo claramente quanto é que nos toca, em sede de Orçamento de Estado, e jurando solenemente que declararemos todas as gorjas que aceitarmos ao Tribunal Constitucional. Sem lérias.

Quem está já a pensar em suborno, está cheio de razão. Bastante até. Já quem está a pensar em vir a subornar, brevemente estarão disponíveis as linhas dedicadas e o contacto de e-mail que devem utilizar.

A grande mudança para o que agora temos, é que o PILA tornará público o seu CES - Caderno de Encargos de Subornos. As regras serão claras e todos os cidadãos poderão saber em que condições metemos guita ao bolso. That easy. 

Para terem uma ideia da linha orientadora, está já definido que no âmbito dajobras Publicas será escolhida SEMPRE a proposta que mais beneficie o munícipe, o cidadão, o Povo, consoante aquilo em que estivermos a mandar. No caso de empate entre dois concorrentes, em vez de irmos analisar tudótravez, ganha o que fizer um donativo maior ao PILA. Sendo que 10% desse valor reverterá para a ASA - Associação dos Silvas Abandonados.

No fim do dia, a força motriz do projeto é o Bem Comum: melhorar a vida das gentes, enquanto eu fico podre de rico. Lá está, comum.

Quanto a vocês não sei, majeu cá acho que é um projeto com grande potencial de crescimento. É dar-lhe carinho, digo eu. Quanto mais carinho lhe derem, mais o PILA cresce. Tão certo como o Fábio Veríssimo ser nomeado para VAR de um jogo dos lampiões.

...

INFORMAÇÃO AOS PILÕES (ké a malta que quer votar no P.I.L.A.)

É natural que não encontrem os candidatos PILA nos vossos Boletins de Voto, uma vez que ainda não fazemos ideia de quem possam ser. Majisso é uma fraca desculpa para votarem nos palhaços do costume. Basta desenharem o logótipo do partido no boletim. Em todo o boletim mesmo, para não restarem dúvidas.

Protesta, insurge-te, rebela-te! Vota duro, Vota P.I.L.A.!




A Culpa é do Cavani - Episódio 10: Josué, o nosso Pikachu


Os Cavanis voltaram a estar juntos na mesma sala! É verdade, caros saudosistas, com direito a comboio e tudo! E aproveitámos a proximidade para uma análise do pós-Portimonense, feita por dois terços dos Cavanis, já que eu cá não vi o jogo. Não obstante, estive contra as opiniões dos outros, por uma questão de princípio. 
Muito amor pelo Brahimi, algum pelo Herrera e pelo Marega, naquele que foi um dos episódios que atravessou mais épocas em termos de análise, regressando aos tempos de Adriaanse e culminando com a escalpelização que todos esperavam: o plantel de Paulo Fonseca era feito de “tremoços” ou jogadores a sério? 
E atenção, Josué, se nos ouvires, nada contra ti rapaz. Pikachu é um termo carinhoso! Para terminar, uma mini-antevisão do jogo de Alvalade, o Mónaco e a chatice da Rádio Renascença e de Fernando Gomes (o da Federação) não terem vergonha e meterem um nojo do caraças.
Todos os episódios anteriores estão no site e no feed RSS, pelo que como de costume amandem as vossas postas para cavani@porta19.com!
Link para a página principal do podcast: A Culpa é do Cavani
Link para o décimo episódio: Jornada 10 – Josué, o nosso Pikachu
Link para feed em leitores de podcasts: http://aculpaedocavani.porta19.com/feed/mp3/

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Nomes - RMS



Do espólio do Velho dos Sapatos, apanhado por acaso, e esquecimento do referido, enquanto se limpava mesas:

" Nomes - RMS

Várias vezes - em algumas manhãs muito cedo, no meio de uma neblina fumarenta; em dois ou três finais de tarde de Sol poente e corpos de sal; numa raríssima noite insone - as palavras voltaram à minha mente: não me escreveste um poema quando eu nasci.

Podias-me encontrar um lugar impenetravelmente escuro e totalmente silencioso. De uma ausência completa, consegues imaginar? Um sitio impossível, sem consequência nem História, em que não restasse mais nada senão eu diante do meu sentimento por ti.

Ainda que fechasse com força os olhos, a imagem seria clara na minha mente; e quando me tentasse esgueirar para coisas que me distraíssem - futebol, aposto! - elas seriam impensáveis, pois dos Universos material e espiritual e racional e qualquer outro que pudesse alguma vez ter existido, nada restaria que não o que me És. Mesmo aí, eu não teria palavras para dizer este Amor.

O que queria era ser Livre. Fosse e nada te custaria qualquer esforço, porque de tudo cuidaria. De forma que a tua vida seria um constante passeio por veredas floridas ou uma corrida pelo caminho que te apetecesse. Feliz seria eu, de te proporcionar até o que não soubesses ainda que desejavas.

Oh não, nunca cairias, nunca falharias, nunca perderias. Serias Perfeita, no Mundo Perfeito,  cheio de pessoas Perfeitas. Porque serias sempre tu a definir Perfeição e tudo se te submeteria em nome deste Amor. Que é só meu, mas é tanto e tão grande que dominaria todas as Coisas e Seres, incluindo os Entes que habitam as interdimensões espaciotemporais. E os Vampiros e os Magos também. Um ou outro Lobisomem é que poderia ser mais rebelde.

Só que me prendo. Travo esta batalha infinitamente, de mim para comigo, desde o momento em que, nascida, pudeste olhar-me. E eu descobri que a minha missão era a tua Felicidade e que isso me ia custar tudo o que alguma vez poderia ter tido. Consagrei-me nesse instante e deixei de saber dizer este Amor.

É por isso que povoas os meus piores pesadelos. És a minha fraqueza inultrapassável, a morte de toda a valentia e qualquer bravata. É de ti que rezam as lendas que me recuso a ouvir e é para ti que correm todos os males do Mundo: as pestes, os demónios tiranos, os feiticeiros malvados e os Homens de uma maneira geral.

Sou só este e tenho tanto medo de não ser suficiente. Sobretudo, tenho um pânico descontrolado de que tenhas medo. Do que seja. Por isso te ensino a fazer pazes com ele, a tratá-lo como a um amigo, a conhecê-lo. A enganá-lo, como eu faço a cada minuto a todos os pavores de que sofro por ti.

Ah mas nada de enganos, eu permaneço o herói de espada em punho e abdominais ao léu, o Campeão do Mundo de secar cabelos, o original do teu sentido de humor, o homem que descobriu que o Planeta acordou de pernas para o ar e as pessoas tinham que acordar rapidamente, mas com cuidado, antes que caíssem das suas camas no teto. Sou esses, ainda frescos, e também o porquinho Alfredo, o Burro Tójó, a galinha Hermengarda e a certeza de que perceberias que não faz mal desenhar horrivelmente, se te divertires.

E sou um tabefe que não esqueces até hoje. Nem eu. Contínuo a sentir o mesmo frémito de alivio e o mesmo arrependimento escondido. Veremos o que se sente num eventual próximo, nunca fora de questão.

Um dia serei só isso: memória. Não há como fugirmos, meu Amor. Nasci e nasceste, aí traçámos o meu Destino. Sou para ti, mas não posso ser Tudo Sempre. Porque inevitavelmente acabarei por quebrar a minha promessa e te faltarei.

Nesse tempo - oh sim, falemos de tempos imensamente longínquos - serás o que eu não pude ser: a fonte de toda a Felicidade. É só isso a que aspiro: construir a cada nega, a cada frustração que te imponho, a cada gargalhada, aquela que se bastará. Porque te Amo, é certo, mesmo que não consiga encarar de frente este Amor. Porque me mataria cedo.

És o Amor que não sei escrever. "

...

Soundtrack to RMS (with a drop of grief): What's a miracle?

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Mesa do Canto: Em passo de corrida (com Mega)

www.gorunningtours.com

Tenho um problema com filtros. Desde puto que sou péssimo a fazê-los. E a enrolar também sou uma nód... Hã? Ah, pois, não, neurónio errado. 

Diz que tenho um problema com filtros que me faz ser basto inconveniente por vezes. Eu acho que estão muito enganados, visto que sou um doce de pessoa, com quem deve ser facílimo simpatizar. Não tanto pelo ar castiço e apalhaçado, mas sobretudo pela natural bonomia, fina inteligência, excelente trato, esmerada educação e uma dose de humildade natural que até espanta. Por manifesta modéstia, deixemos de parte os magníficos atributos físicos da minha pessoa, mormente os que não são imediatamente visíveis. Ainda que se adivinhem, receio bem. Não que seja muito complicado que os descubra, lá isso não. Quaisquer três garrafas de tinto carrascão e uma aposta estúpida depois, aí vai ele, com as pendurezas badalando por aí.

Parece que as pessoas não devem falar logo que as coisas lhes vêm à cabeça. Tipo, devem ponderar a formulação das questões que os atormentam, de modo a não ferirem susceptibilidades. Por exemplo, explicam-me que é de evitar chegar ao pé de alguém e perguntar "Atão, morreu o tê pai? Foi com quê?". Ainda que o progenitor da criatura tenha, de facto, passado desta para uma outra.

Felizmente, acabei numa tasca. Toda a gente sabe que isto é um pólo de saber muito superior a qualquer Campus Universitário. Quê? Qual Campus, caralho? Superior a qualquer praça de táxis. Não há pergunta que fique por responder numa tasca. Seja o que for que queiram saber, temos cá alguém que já fez. Ou está a pensar fazer. Ou não pode ser interrompido neste momento exatamente por isso. Ainda melhor, estão bem a danar-se para a maneira como lhes perguntam as coisas. Até porque não saberiam responder com meias tintas.

... 

Tenho andado a pensar que deve haver uma razão maior do que ser saudável para a malta andar toda taralhouca a correr de um lado para o outro. Será que eles sabem que vem aí o Apocalipse Zombie e estão a treinar? Óspois, correm mais do que nós, as pessoas normais que não desatam a correr só porque sim, e os mortos-vivos agarram-nos primeiro e comem-nos. Eu de ser comido não me importo assim muito, desde que não envolva pilas que não a minha. As dentadas é que não aprecio.

Olha, nem de propósito, aí está ele, o nosso especialista em correr porque sou tolinho. Chega-me a pingar suor, até mete nojo, mal consegue dizer Super Bock e moelas. Ah, o lanche de campeões depois de uma bela corridinha, hein? Pergunto-lhe:

- Oh morcão, porque é que tu corres se não vai alguém atrás de ti para te bater?  

...

Porque é que eu corro se não vêm atrás de mim para me bater? Olha, fodeu-me!’ e nem foi preciso chamar o Marega…

Há perguntas que são tão inteligentes que independentemente da resposta que um gajo tiver para dar já entra a perder, por isso mais vale responder e já estou a ganhar. Confuso? Habituem-se, vai piorar.

Se duvidam de quão inteligente é a pergunta, pensem se o Stephen Hawking era capaz de a responder. Não, pois não? Então pronto! Divago.

Milhões de anos de evolução humana e correr é-nos tão instintivo como respirar. Basta pensar que uma criança, quando finalmente domina o equilíbrio necessário para se manter na vertical, começa por correr, mesmo antes de saber caminhar. Corremos porque temos falta de tempo, somos apressados, e, com as ferramentas que a Natureza nos deu, continua a ser a forma mais rápida de chegar a algum lado.

Dizem os estudiosos que correr liberta endorfinas, aumenta a sensação de bem-estar e faz activar no cérebro a mesma zona de prazer que as drogas. Mas fica mais em conta. É capaz de ser verdade. 

Eu corro porque faço parte duma tribo, corro com a minha seita. É mais fácil de desincentivar se alguém quiser mesmo vir atrás de mim para me assapar o pelo.
Além disto tudo, tenho o privilégio de correr no Porto, com o Douro como companhia. No meio dos meus, com o cheiro a mar a invadir-me as narinas, o Sol a morrer no horizonte, intervalado pelas pontes e o “foda-se, oblá, já num te bia há colhões de tempo, caralho!!” como banda sonora ao passar pelas vielas. Não há nada que pague isto. E a marginal cheia de fêmeas em roupa de desporto justa também não.

Ui, já lá vem o camurso do Silva com as moelas e mais um fino e a pergunta continua sem uma resposta à altura. Cito o Rui Pinho, que em tempos citou outro gajo qualquer e digo que corro porque posso. 

Olho para a vitrina onde o Silva deixa a garrafa de Dimple a ganhar pó e aproveito o reflexo para fazer uma tabela, lanço um olhar ao Stephen que acena a cabeça, a concordar comigo. Ou então é um espasmo.


Com Mega | @magalhaes81

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Soundtrack to Mega: RUN!

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O Mega é um prezado freguês da Tasca. O primeiro a desafiar-me para me juntar à seita do pássaro azul. Faz o favor de me aturar por lá também. Não fiquem invejosos, vocês também podem frequentar em @tascadosilva

Agradeço-lhe a disponibilidade, pois está claro, para ocupar a Mesa do Canto e lançar alguma luz sobre um dos Grandes Mistérios da Humanidade. Se o virem a correr feito doido por ai, assapem-lhe! Não vá a criatura estar a atravessar um momento de menor motivação... 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Solidariedade e um mistério

Quizz: descubra o erro nesta imagem

Manifesto desde já a minha solidariedade para com ojárbitros da bola que querem aumento. Percebe-se lindamente a reinvidicação. 

Com o penta prometido a deslizar, prevê-se um aumento exponencial do gasto em refeições por parte da classe do apito. Só o que se perde em vouchers, dava para alimentar o Pedro Guerra durante um ano. Bem, provavelmente nem tanto. Um mês. Duas semaninhas? Kéjbêr que foi à pala de poupar para a ração do paquiderme que venderam tanta gente?

No mínimo, haviam de lhejatribuir um seguro de saúde, com cobertura oftalmológica, dado esforço córneo que agora lhes exigem. Ora agora é para não ver nada, ora agora é para ver até o que não estiver lá. No ecrã da BTV. Dá cabo das vistas a qualquer Fábio, credo.

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Estou igualmente solidário com a Liga de Clubes, por não querer aumentar ojárbitros da bola. Percebe-se lindamente a nega.

Com o penta encomendado a deslizar, não se entenderia que fossem premiados os elementos mais importantes da equipa que perdeu 5 pontos em 6 jogos. Pois, esses mesmo, a classe do apito. É apenas justo que demonstrem competência na tarefa que lhes está atribuída, antes de se porem a chorar por aumentos. Até ao fim do campeonato, têm ainda muito tempo para contribuirem para a prossecução do objetivo. Não tenho dúvidas de que se esforçarão. Meus queridos.

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É apenas humano sentir-me solidário com o jogador Marcão - irmão de Marcãozão, Marcãozorro e Megamarco, filho de Dona Marquinhas e Sêu Minimarco - que se atirou todo inteiro de encontro a uma locomotiva. É parvo da parte do cachopo, majistusmiúdos, já se sabe. 

Faço votos para que recupere rapidamente e que o acidente tenha servido para lhe meter algum tino naquele cérebro de ervilha. Ai ca burro.

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Protomaregodependência
Não contam com menor solidariedade todos aqueles que querem saber tintim por tintim o que se passou em Vila do Conde no Domingo. Para satisfazerem essa felina curiosidade, só vos resta irem a correr ouvir o 


Está lá tudo, pelo que nada há a acrescentar aqui. Bem sei que aturar estes três imbecis por 50 minutos não é fácil, majé para vosso bem. Estamos juntos!

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Grandes mistérios da Humanidade:

Porque correm desauridos de um lado para o outro tantos indivíduos, se não vai alguém atrás deles para lhes bater?

Também não sei, mas vou investigar.

domingo, 17 de setembro de 2017

Domingo B, uma pausa e um eargasm

Faz-me lembrar qualquer coisa...

Ontem pude, finalmente, ver o primeiro jogo completo dos meus meninos queridos. Pois claro que tenho, não sou menos do que um lampião qualquer, olha que merda! Isto é, vi o FCP B. Já tinha andado a ver uns pedaços dos outros jogos, mas assim à boss, um jogo inteiro, sem interrupções, ainda não tinha acontecido este ano. Sendo o primeiro, o meu plano era, muito inteligentemente, deixar-me estar caladinho e não desatar a mandar postas de pescada na Tasca. Para plano, não parece estar a correr nada bem...

É que já esta manhã li a conferência de imprensa do Sérgio, nomeadamente este pedaço, e fiquei a pensar que o gajo devia ter começado a frase por "Como disse o Silva, o desequilíbrio do meio-campo...". A seguir explicava porque é que em vez de corrigir aquilo dos avançados e dos alas, tratou de tirar um médio e pronto, estava tudo dito. Só que, de facto, um gajo falar depois de ver as coisas a acontecerem é mais fácil. Mesmo quando eu e o Sérgio pensamos da mesma maneira, e ao contrário de 99% da malta pelos vistos, ele tem que fazê-lo antes. Já eu, posso cagar sentenças depois. Parecendo que não, faz uma diferença do caraças. Sobretudo nas nossas contas bancárias, poor me.

Foi aí que me decidi a falar nos B desde já. Antes que seja tar...depois. A quem é que isso vai fazer diferença, não faço ideia. A ninguém, acho eu. Majolha, melhor isto do que andar metido nas drogas e no gamanço e na malfeitoria de um modo geral.

...

Quando olhei para o nosso onze para o jogo contra o Nacional, pensei o mesmo que os amigos da página oficial do FCP: Fixe, deixou-se do disparate dos três centrais e vamos jogar à bola. Boa altura para isso, porque o Nacional é um dos - nesta Liga não há principais, é tudo em molhos - candidatos à subida. Depois reparei bem na equipa e estava lá o nosso capitão, Rui Moreira. Ora, quando o bom do Rui está no onze, que é sempre, só depois de o jogo começar é que podemos saber qual é o sistema. Voltaremos a este rapaz, mais à frente.

No papel, eu via um meio-campo de muito trabalho e arte maijómenos, com o melhor jogador da Liga em Agosto descaído na esquerda, mas, seguramente, cheio de liberdade para pegar no jogo no meio, beneficiando de um defesa esquerdo que é um extremo e das costas quentes daquele miolo cheio de músculo e capacidade de recuperar bolas. Apesar desta perspetiva de jogo me deixar com uma semi-ereção, depressa o cérebro - que é aquele orgão que serve para passar as cenas de semi a gandapau - me atirou para um duche frio. Estava mal, não devia ser assim, era estúpido! 

O meu entusiasmo, que vocês os quatro conhecem, pela equipa B, deve-se ao facto de pensar que o projeto não serve apenas para potenciar jogadores. Serve também para dar cobertura à malta da A. Isto é, para os substituir sempre que for preciso e se justificar. É uma extensão do nosso plantel e não pode ser olhada de outra maneira. Só que tem sido. Toda a gente parece olhar para a B como se fosse outro escalão. Tipo, é os juniores. Errado! Estes miúdos são profissionais e devem ser tratados como tal. Para o bem e para o mal.

Portanto, na minha opinião, a equipa B deve jogar SEMPRE da mesma maneira do que a equipa principal. Não é quase sempre, é SEMPRE, mesmo! Basta atentar no seguinte tutorial:

"Como meter um B a jogar na equipa A, em 3 tempos"

1º Tempo - Pega-se no cachopo da B com cuidado, para não lhe partir uma perna ou assim

2º Tempo - Põe-se o moço a treinar a semana toda com os A

3º Tempo - Mete-se o B na A. 

Basicamente, é seguir os passos da cópula, sem a parte de pagar jantares e fazer de conta que somos tipos inteligentes e seres sensíveis. Panascas, no fundo.

(Pausa para fazer vénia à Rita e sus muchachas capazes)

Ora bem, apesar de simples, isto implica uma coisinha importante: não ter que se ensinar o rapaz como é que tem que jogar e quais são as especificações da posição que se pretende que ele ocupe.

Foi por isso que o que eu via no papel, antes do jogo, por muito que me parecesse uma gaja bem boa, não me dava tesão. Porque não cumpria um dos objetivos primordiais da B. E uma coisa que faz o contrário da sua essência, tarde ou cedo dá merda. Ou pior do que isso, dá merda nenhuma.

...

E então começou a bola. Quase tudo o que está refletido acima foi com os porcos. Quais 4-3-3? Estava-se mesmo a ver que o Moreira ia jogar a terceiro central. Laterais projetados, dois médios de contenção, o André plantado à frente e Fede e Galeno para que vos queremos. Para ser mesmo, mesmo perfeito - not! - só faltava cagar no talento do Varela e fazer um jogo de esticões e pontapés para a frente. Ou seja, por cima do Fede e à espera que o Wanderson as apanhasse. E não é que apanha a maior parte? Desde que os matulões lá de trás consigam mandar os charutos de forma a que a bola não saia, o bom do Galeno, mais ressalto menos canelada, acaba por ficar com a chicha. Para ideia de jogo, é pobrezinho.

Vejamos, se nos estamos a danar para a articulação com a equipa A - é o que me parece, até melhor opinião - os resultados passam a ser importantes. É que essa treta da "formação" e da adaptação a um escalão diferente e rebéubéu pardais ao ninho, era interessante se Garcia, Rafa, Galeno, Fede, Omar, Mikel ou Rui Pedro tivessem servido para alguma coisa. Which they didn't. Há dois que brilham na B e já leio muito Portista de rede social a pedir o seu empréstimo em janeiro. Para crescerem, dizem eles. Como o Rafa e o Mikel, certo?

Nesse caso, Folha apresenta, nesta altura, um futebol de treta, mas bons resultados. Aliás, muito bons! Claro que ontem podíamos muito bem ter perdido o jogo na primeira parte. Íamos para intervalo a levar uns trêjum e ninguém se podia admirar. Mas também ninguém se pode queixar de termos ganho, depois de uma segunda parte muito melhor. E porquê muito melhor? Porque a bola passou mais tempo nos pés da nossa gente do meio-campo do que no ar. Numa direção qualquer. Até aparecer o Galeno, vindo da outra ponta do campo, e ficar com ela.

No entanto, um gajo olha para os jogos, vê os erros dos miúdos, as qualidades de tantos deles, e encontra muito por onde pegar. Há muito mérito de Folha nisso, porque mesmo sem a tal - e fundamental, foda-se! - articulação, consegue ir desenvolvendo valências dos jogadores que poderão ser muito úteis. Assim alguém esteja atento. Confio que estará, mas por mera fé, que sinais disso, até ao momento, são zero. 

A começar pela constituição do plantel. O tal que é curto e não tem soluções para o cansaço de Soares na quarta-feira. Ou para Danilo. Ou então estão na Rotunda da Boavista e na Bélgica.

Deixemos de lado Fede Varela. Primeiro porque vocês sabem - pois sabem? - que, muito antes das serenatas que lhe cantam agora, eu disse que era um fora de série. Onde chegará, não sei. O que sim sei, é que não cabe no modo como a equipa A joga. A menos que...espera lá, a menos que seja o ala que dá o equilíbrio ao meio-campo. Aquilo de que se queixava o trei...foda-se, olha que bem visto xôr Folha. Ou foi mero acaso?

Esqueçamos o melhor jogador da Liga II, porque há mais de quem possamos falar.

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PAULINHO MOREIRA

O Moreira pode jogar em qualquer posição, o que, na minha opinião, o vai ajudar muito. Porque não será um 8, sua posição de raiz, de exceção, mas pode vir a ser um belo upgrade do Paulinho Santos. 

O Paulinho jogava a trinco, a defesa esquerdo, a defesa direito, a guarda-redes se fosse preciso, a extremo, a dar porrada no João Pinto, name it sirs. O Rui já foi seis, oito, central, lateral esquerdo e aposto que, pedindo com jeitinho, também vai à baliza. 

Para o nosso eterno - e que gosto é vê-lo no banco, ao lado destes cachopos - Paulinho, a grande diferença do Rui é ter um pé esquerdo de eleição. Útil, muito útil, tipo canivete Suiço.


MOUSSA GALENO

O moço tem menos - oh, muito menos - caparro que o Moussa, mas joga mais à bola. Oh, qualquer coisa mais. Também é um pedaço trapalhão, mas ainda vai muito a tempo de aprender. De resto, por muito que vos custe a acreditar, faz o mesmo que Marega: estica o jogo, porque a equipa está muito distendida, vai atrás da bola e chateia os defesas, ganha-lhes metros e metros e faz golos. E cai menos vezes. Folha está a fazer dele um segundo avançado, sem perder de vista que vem da ala. Coincidência?


JORGE "BICHO" FERNANDES

O ai Jesus dos Portistas é Diogo Dalot. E eu percebo porquê. Se for a central, para não estranharem muito o nome, é o Diogo Leite. Estão, naturalmente, enganados. Não que o Diogo não prometa, que promete e muito, mas antes dele, acima dele, está Jorge Fernandes. 

Não sei se olham para ele como o tal quarto central que falta à A. Desconfio bem que não, sobretudo porque estão a ensiná-lo a jogar num esquema de três centrais - caga lá nisso António, credo! - mas deviam. Porque é um centralão e, se não o ignorarem, vai ser um grande jogador. Foi ele que deu a casa - a mansão! - que nos deixou a perder. Foi ele que empatou o jogo. E chorou a comemorar. Foda-se, vai Bicho!

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Enfim, tempo de me concentrar no que é mesmo importante hoje. Por deferência de um labrego, terei oportunidade de estar em Vila do Conde e tenho a certeza que virei de lá feliz e contente. Já estou a ficar ansioso pelo primeiro dos cinco golos que vamos marcar. Vai ser do Oliver, carago!

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EARGASM: ALL SAINTS!
(e é do FCP, carago!)