sábado, 18 de fevereiro de 2017

O jogo das diferenças e empurrões

Esta não é fácil...

Ah o fim de semana, esse período maravilhoso, a menos que se tenha que andar a encher placas numa obra. À chuva. Nos desertos gelados da Mongólia. Ou pior, muito pior: A carregar o Pedro Guerra às cavalitas de um lado para o outro. A Mongólia tem um encanto todo diferente, quando se colocam assim as coisas. Quer dizer, para mim tem, majeu sofro das cruzes.

Não estando o estimado freguês em nenhum destes casos - e não sendo igualmente obrigado a praticar o sexo por via oral a padres, num vão de escada, em noites chuvosas, por euro e meio, para sustentar uma família de dez - então...

- Opá, foda-se, já percebemos! Get on with it!

Ok, ok, feitiozinhos de merda, hein? Para não estarem praí só a emborcar penalties de branco adamado ao desafio, vamos lá fazer um joguinho de salão. Diferenças, pode ser?

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DESCUBRA A DIFERENÇA

O futebol nacional é uma ilha no mar de constrangimentos do país. A seleção é Campeã Europeia; o melhor jogador de todóMundo é Português; os nossos clubes batem sucessivos recordes de vendas, o que é ainda mais relevante se tivermos em conta que boa parte dessas transações são efetuadas com cachopos nados e criados em solo Luso; e mesmo assim, duas equipas Portuguesas disputam os oitavos de final da mais importante competição Mundial, a Champions League - sendo que um deles venceu, muito recentemente, a primeira mão dessa eliminatória, contra um colosso Germânico, partindo em vantagem para o jogo decisivo; os nossos melhores árbitros são estrelas convidadas no Médio Oriente, para promoverem o futebol e ajudarem, com bastos elogios, a formar os juízes locais.

Pudessem outros setores vencer o estranho, e estúpido, preconceito contra o desporto Rei, e aprender com os executivos e agentes da indústria do futebol. Seguramente, teríamos todos muito a ganhar com isso.

Apesar de toda a evidência, há sempre quem tenha a pretensão de chegar ao topo por vias travessas e proteste por tudo e por nada. Agitando polvos surreais, ao invés de apostar no talento e no mérito para atingir os seus desígnios. No fundo, tudo o que fazem é prejudicar o próprio setor do qual vivem. E que, apesar deles, floresce, qual papoila em prado verde.

O futebol nacional é o esgoto onde desemboca toda a porcaria excretada pelos inúmeros constrangimentos do país. É certo que temos uma seleção nacional Campeã Europeia, por obra exclusiva de um predestinado que, naturalmente, cedo saiu de Portugal; se é justo que tal génio seja considerado o melhor jogador de todóMundo, não é por isso menos triste que quando olha para a sua origem, o Universo veja tanto lixo a céu aberto; motivo mais que suficiente para que os melhores valores da formação local aspirem, antes de tudo, a sair tão rápido quanto possível desta autêntica ETAR. Ainda que proporcionem chorudos negócios, já se sabe em que bolsos de que filho acaba boa parte do dinheiro - por justiça, reconheça-se que, ainda assim, existem vermelhas exceções a esta regra;  de tal forma que já clubes nacionais estiveram a ponto de serem excluídos da mais importante competição Mundial, a Champions League - não será preciso recordar qual, nem porquê, certo?; os nossos árbitros permanecem eternamente manchados por casos mal resolvidos pela Justiça civil, que impediu que, por uma vez, o futebol Luso mostrasse ao país o caminho da seriedade.

O aumento extraordinário do nível de literacia da população, deveria contribuir para a melhoria deste estado de coisas. Por breves períodos, como os últimos três anos, pode parecer que o estado geral do desporto Rei caminha para melhorias significativas. Apenas para que se perceba, como agora, que tudo não passa de um fugacho e que a rede mafiosa permanece entrincheirada, agarrada qual sarna à pele da estrutura que comanda os destinos futebolísticos. Só alguns, os mesmos de sempre, ganham com isso.

 Apesar de todas as reuniões bem intencionadas que se convoquem, é inútil apostar no talento e no mérito para atingir os desígnios a que se propõem os honestos. Mais vale dedicarem-se à pesca. Do cefalópode. Porque o futebol está podre.

A pista é: ESTA

Divirtam-se meninos.


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Quem não estiver virado para as diferenças, pode assistir ao nosso workshop "O que é um empurrão", com o formador Desernesto Josefino Anão.

- Oh Fino, Desernesto é um nome estranho, hein?

- Foi o paizinho. Detestava o nome Ernesto. Então, assim que eu nasci, aproveitou para o negar.

- Hã?

- Negou o Ernesto. Fiquei Desernesto. Anão ficou-me do meu tio Rui, com quem partilho a filiação clubística. Por acaso, o meu tio Rui também é Silva, oh Silva. Achengraçade.

Gritam lá do fundo: ... pois, isso!

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JOGO DO EMPURRA
com Desernesto Josefino Anão, lampião

Então vejamos, a questão que se coloca é: Afinal, o que é um empurrão?

- Oh xôr Fino, e um puxão, o que é?

O amigo, se não se importa, inscreve-se no próximo workshop "O que é um puxão". Hoje, trataremos apenas dojempurrões. Prossigamos. 

Apesar de podermos dissertar longamente acerca da questão, talvez possamos simplificar, recorrendo a algum material audiovisual. 

Assim, podemos dizer que ISTO é um empurrão. Aliás, um daqueles que devemos apelidar de violentos e mal intencionados. Não se trata de um vulgar chegapralá. Uso até este exemplo mais extremo, para que tenham noção da gravidade que o ato pode atingir. Oh para os meus pelos do braço, até se eriçam. Estou todo arrepiado, credo.

Mas se, perante ajimagens, ficamos a saber que o empurrão é uma coisa que, de facto, existe e até aleija, não devem restar dúvidas de que o seu contrário é igualmente verdadeiro. A questão passa a ser: Qual o contrário de empurrar?

- É puxar! Poijé, oh Finório?

Já disse que hoje é só empurrões. E para vos mostrar o oposto de empurrar que, ao contrário do que pensam certos iluminados, não é puxar, recorro a ESTAS IMAGENS

Ora cá está, como puderam ver, o contrário de empurrar é estar de costas para a coisa supostamente empurrada e atirar-se para cima dela. Digamos que isto é desempurrar, pronto. Negue-se o empurrão.

Portanto, o primeiro é empurrão, o segundo é uma vergonha que não lembra. Entendido? Para empurrar, tem que se estar de frente e usar os braços e essa coisada toda. É muito simples.

- Tipo, pôrlhasmãos no peito e mandá-lo de cangalhas e ASSIM?

Não! Nesse caso em que está a pensar, não! Definitivamente, não! - Bate o pé no chão e fica muito vermelho. Quer dizer, mais vermelho - É apenas outra vergonha! Percebeu bem? Percebeu? 

- Não se enerve, oh Fininho. Isso é de estar de pé tanto tempo. Descem-lhe ojaçucares, credo. Olhe, empurro-lhe uma cadeira e você senta-se um pedacinho, hein? Ou prefere puxá-la?

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Nota: Desculpem, mas analisar um jogo em que o segundo classificado passa a PRIMEIRO, por via de trucidar o ÚLTIMO, não me assiste. Acho surreal. Foram quatro, podiam ter sido dez. Sem sermos brilhantes. É isto.

O mais relevante da noite de ontem, foi ver uma bancada que já assobiou a equipa quando ela passou para primeiro - oh sim, eu lembro-me! - a festejar efusivamente o mesmo exato feito. E assim é que deve ser! Empurrá-los para as vitórias, puxá-los para cima, nunca o contrário.

Por outro lado, acho tão maijengraçade assistir ao banzé dos borrados...

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Overlook to white and red: It's stinking dudes... 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

USF vs CGD, trocado em velhotes



Por motivos assim assim, tenho visitado com alguma frequência a minha USF. Ah pois, eu cá tenho uma USF. Uma coisa linda, toda ela remodelada em doirados. Bem, quer dizer, não. É só as mesmas instalações de sempre do Centro de Saúde, que agora se chama Unidade de Saúde Familiar.

Da última vez que lá estive, já ninguém me perguntou nada. Nem número de beneficiário, nem nome, nem estado civil, nada! Só mesmo simpatia e bons dias e "vá,vá, já sabe onde é" e essas coisas. Enfim, o tratamento que gosto de ter no café: Nem piu, já toda a gente sabe o que vai tomar o moço, vamos falar de outras coisas e tratar de encontrar o jornal, antes que dê porcaria . Agora, na USF? Bolas pá, quem é tratado com esta familiaridade e até algum, quando não muito, carinho, são os velhinhos. Clientes habituais, pois claro. Raisparta!

Diga-se que eu, desde sempre, protesto que tenho uma ternura toda especial pelos velhotes. E é verdade que me amargura vê-los sofrer, como aos petizes, e que me detenho sempre que posso a ouvi-los. Gosto de estar no meio da velhada a fazer piadas porcas e a bater peças de dominó na mesa. Provavelmente, reminiscências de uma varanda sobre as grandes savanas, mesmo que por baixo lhe ficasse uma rua que subia, num bairro clandestino da periferia de Lisboa.

Até porque, sejamos francos, há que respeitar os velhotes. Eu cá, até lhes tenho algum...receio, vá. Epá, a sério, os velhos querem lá saber! Estão-se a cagar. Alguns, literalmente. Ai andei a mudar-te fraldas que cheiravam pior que o esgoto de uma vacaria e agora queres-me é despachar pra casa do tê irmão? Incha, besunto, aí tens a fraldinha bem recheadinha. Aiai que o paizinho não se pode mudar sozinho. E aviso já que, se mal respiro, o cheiro não me incomoda nada.

Por exemplo, se decidisse enveredar por uma carreira na ladroagem, no rapto, na extorsão e, eventualmente, no estupro vingativo - malfeitoria em geral, portanto. - arranjava logo um bando de velhos e organizava uma quadrilha. Havíamos de ser o bando de meliantes mais lento da História. Aliás, seriamos conhecidos como os Varelas Sem Lei.  Mas também o mais temerário:

- Pira-te Acácio, que alguém bufou!

- Fomos denunciados, Alberto?

- Não pá, acho que foi o António que se cagou! Eu é que não fico aqui.

- Não sejas estúpido, homem. É a manobra de diversão para afastar os seguranças do cofre. Chega-me aí o andarilho, para eu ir estuprar vingativamente a senhora da caixa, até ela abrir aquilo.

- Cuidado pá, se a bófia chega e desata a disparar, estás feito.

- Oh, kékásaber! Eu, em estando a estuprar, estou-me a lixar prás balas. Ao menos quino feliz!

( N.R. É de bom tom as senhoras e/ou os senhores não fazerem movimentos bruscos quando um velhinho se dependura delas/deles. Capaz de lhe provocar uma arritmia ou de o mandar de cangalhas e lá se vai a bacia. Pá, tenho quase a certeza que a maioria ainda havia de hesitar um pedacinho...)

Ainda que fossemos apanhados, tirando eu - um jovem Adónis na flor e viço da idade - mais ninguém se ia importar com as penas e isso tudo:

- Trinta anos de pildra para o senhor Anastácio. - Pumbas, martelada!

- Iuuuupiiii, não me apanham mais no Lar da Santa Casa. Oh yeah!

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A malta de meia idade devia aprender. Preocupam-se muito em deixar tudo preparadinho para os seus amanhãs, as panelinhas todas feitas, a palha renovada nos estábulos onde esperam envelhecer e assim. Depois, desatam a meter os pés pelas mãos, embrulham-se em petas mais parvas que as dos miúdos de infantário e acabam mais borrados que uma fralda para a incontinência, num Lar de Idosos ilegal. Sem necessidade nenhuma.

Se custava alguma coisa ter sido assim:

- Prometi sim senhor! Então o gajo não queria nem por nada que se soubesse de onde lhe vieram ojiates e essas coisas todas. Já tinha tido um trabalho do camandro próconvenceráceitar, queriam o quê? Até os Schaubles já tinham concordado e o cacete. Nananana, não quer apresentar a declaração, arranja-se maneira. É que nem me lembrei do gajo de boca à banda nessa altura. Por acaso, se me tenho lembrado, não sei se me deixava levar pelo Domingues...

Pá, é que já toda a gente - repito: T-O-D-A! - tinha percebido a combinação. Desde a ideia peregrina de isentar do Estatuto de Gestor Público os gestores de uma entidade...pública, que já nós, velhojynovos, alcançáramos que a ideia era NÃO entregar porra de Declaração nenhuma. Para quê inventar?

- Ora Silva, sabe que o Povo é como os velhotes: Volta e meia, fica um bocado desmentalizado e a coisa passa.

No fim do dia, à conta de não ser verdadeiro, o Senhor Ministro, que pode apresentar belos resultados no crescimento, na diminuição da taxa de desemprego e, até, na recuperação da exportação, acaba embrulhado numa película aderente que nunca mais se despegará. E diz "MENTIRA" a toda a volta.

La está, é muito melhor ser tolinho como um velhote pouco preocupado, do que esquecido como um velho com Alzheimer. Eu sempre desconfiei daquele sorriso meio aparvalhado. Tanto como da sinceridade de determinada esquerda pós-proletária, quando grita(va) transparência. Senilidade, anyone?

Isto é a bem do Pais? Da geringonça governante à oposição oportunista, a sentença é a mesma: Todos para a Mitra! A velha!

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Exercício: O que diz Molero





- E continua institucionalizado, certo?

- Sim, quando está vivo. Nas outras alturas, não temos como saber, está claro.

- É muito estranho, não lhe parece, meu caro Austin? Quantas vezes é suposto a pessoa morrer? Uma é certa.

- Molero diz, a páginas cento e picos, que falou com um tal de Maynard, suposto assassino profissional, recorrentemente contratado para limpar o sarampo ao rapaz. - Detém-se numa página. Bate-lhe com a mão. - Cá está!

De o ter matado várias vezes, acabámos por nos tornar amigos. Enfim, talvez seja apenas um exagero da minha solidão, quaisquer dois dedos de conversa me parecem uma festa. Falo pouco, tirando a úlcera, que precisa mais de atenção do que a Olga. E de copos de leite também.

Ele morre sempre com os vincos da testa muito pronunciados, carregado de culpa. Já se sabe que procuro ser eficaz: Enrosco o silenciador pela calada, quando ele se distrai, e despacho a coisa com um tiro único. Pum! Em cheio na têmpora. Compreenda que nutro um certo carinho pelo moço.

- Aqui, Molero disserta sobre a condição solitária da profissão de Maynard. - Desfolha páginas, à procura. - Ah, é isto!

Só por volta da duzentos é que se explica esta coisa da morte repetida do Rapaz. Aparentemente, morre para alguém. Segundo o relatório, embora sem possibilidade de prova factual, há um momento em que outro decide que o melhor a fazer é dá-lo como morto e já está. Molero levanta a hipótese de o fazerem em nome de um instinto de autopreservacão. E lá vai o tal de Maynard tratar do assunto.

- O Deluxe não me leve a mal, e sabe que tenho Molero em elevada consideração, mas parece-me curto enquanto explicação para um fenómeno tão inaudito, como seja o desacontecimento de um indivíduo falecer mais do que uma vez. - Austin coça a cabeça, sem tirar os olhos das folhas. Arrisca continuar:

- Molero acrescenta que outras vezes se tratará mais de um suicídio. Isto é, picado pelo mesmo instinto dos autores morais das outras mortes, o próprio Rapaz decide, em ocasiões, morrer-se. A este respeito, cita-se, de novo, Maynard:

O modus operandi é o mesmo. Mas ele está, por norma, mais calmo. Conversamos mais longamente, nessas alturas. O que não muda é o sorriso.

- Hã? Qual sorriso?

- Parece que, uma vez cadáver, isto é, tendo morrido para alguém ou tendo tratado de se matar para qualquer um, o Rapaz ganha um sorriso. Há mesmo quem descreva o semblante como plácido.

Molero esteve com uma tal Beretta, mulher de cabelos escuros e olhos faiscantes, a quem, pelos vistos, o Rapaz se terá confessado antes de morrer. Uma das vezes, quero dizer. Veja. - Aponta as linhas e segue-as com o dedo.

Oh, no fundo, percebe-se. Repare que ele acabou por encontrar uma forma pura de Amor. Que é estática e, de um ponto de vista prático, bastante inútil. É Amor, só, nada mais. Nada decorre dele, nem se infere, nem se espera. Como se fosse uma Estrela, entende? Brilha e Está. E são milhões de milhares de anos luz de distância. Não é por isso que deixa de aquecer.

Ele volta sempre ao princípio. Ao início de uma estrada impecavelmente alcatroada, serpenteando entre suaves colinas e campos de lirios e malmequeres e margaridas, bordejada de mimosas alegres e atentas. Afinal, é fevereiro. 

Se esse lugar é o ponto de fuga, uma espécie de morte portanto, é também o início do caminho, breve, que o leva inevitavelmente ao mesmo local: Casa. Percorre-o a correr, para chegar depressa.

Chegado, há sempre ovos estrelados no molho dos bifes. Diz que há.

- São os melhores, meu amigo, disso não há dúvida! Molero conta que, da única vez que conseguiu estar com o Rapaz, o encontrou uma pessoa Feliz.

- E viva, o que já não é mau. Tenho a certeza de que há um motivo ininteligível para essa Felicidade. - Suspira.

- De facto. Segundo Molero, deve-se ao facto de, vou citar, "Num Mundo de gajas  apenas boas, ter sido abençoado por Mulheres Bonitas".

- Upa! Para que saiba, meu caro Austin. -  Fecha o dossier.

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Com uma vénia ao imortal Dinis Machado e ao seu lendário Molero. E a Dennis McShade e ao seu anti-herói Peter Maynard, meu herói para sempre.

Para as minhas Mulheres Bonitas, todas, independentemente do estado, com Amores. Vários.

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Soundtrack to Life: Take it all!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

La griffe, le prochaine et le chatô du carraçás


A malta anda semifeliz. O FCP ganhou no Sábado, mantém-se nos calcanhares dos lampiões e eles não parecem lá muito seguros. Passa-se pela bluegosfera e fica-se com a sensação que está tudo de dedos cruzados, a saborear vitórias e a dizer "mas, por outro lado..."

Parecemos uma gaja a queixar-se ájamigas: Aiai, ele é muito jeitoso de mãos, mas lambe tão mal...

- Oh Xilva, tem o número de telefone decha xenhora? - Avia meio fino.

- Hã? Era uma metáfora, Berto. - Sirvo-lhe a sande de courato.

- Ora, pode ter um nome 'xquichito e xer compoxtinha de mamaj. - Fino à vida.

Ninguém teve o cuidado de utilizar a palavra que marcou o Sábado: Competente! Já todos tinham, tarde ou cedo, concedido o mérito da Alma e da garra que, em alguns períodos, andavam arredadas do Dragão. Mas é por aí que se vai ficando. Ora, está mal.

Assim, não sobra espaço para reconhecer que, dos calimeros para os Afonsinhos, melhorámos. Sofremos muito menos, criámos mais, controlámos com alguma tranquilidade. Sem bola, pois claro. O treinador mexeu bem na equipa e, se era para jogar assim, também acertou no onze inicial. Competente.

Um golo que é um centro do lateral na linha de fundo, amortecido por um médio na área, resultando numa assistência - por querer ou não, é indiferente - do avançado, para uma finalização de classe do ponta de lança, não cai do Céu. É competência.

A segunda parte trouxe o espaço, desta vez explorado com mais cabeça, que matou o jogo. E que podia ter posto o resultado no campo da euforia. A jogar o mesmo. Isto é o FCP de NES, uma equipa de autor, com griffe.

Os estimados fregueses sabem que eu gostava de Lopetegui. Aliás, acho que o objetivo de uma equipa deve ser ter 100% de posse de bola. Por isso, condescendam que tenho idoneidade para julgar neste caso. 

Não vamos ser outra coisa, somos isto. Podemos ser ainda melhores a fazê-lo, mas não vamos mudar. E sim, pela amostra de Sábado, conseguimos fazê-lo de forma muito competente.

Do teu limão, faz uma limonada. NES' way.

Next, please.

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- Mas gostas, Silva?

- De ser Campeão? Ui, à brava!

Há pouco tempo, homenageámos, por infeliz motivo, um treinador que por cá passou fugaz e vencedoramente. Se havia coisa que as equipas de CAS eram, era competentes. Já máquinas de ataque demolidoras, de elevado recorte artistico, nunca foram.

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A propósito de ataque demolidor, será muito interessante reparar se equipa e treinador já estão prontos para perceber que, no Dragão, contra o último, só nós é que poderemos querer jogar à bola.

Estando, restará saber se queremos. Porque saber, o Oliver sabe. Your call, Mr. Santo, Espírito.

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Senhores da SportTV, não queria ser desmancha prazeres, nem nada disso. Até porque estava aqui a pensar que talvez seja um concurso. Se é, eu ganhei!

Bem sei que só deram uma tímida repetição, majacontece que eu estava a mastigar um rojão, de olhos postos no televisor. Desculpem o mau jeito, mas eu vi aquela mão na área do Guimarães. Sim, naquele lance que isolaria o nosso avançado.

Achei até ternurento o facto de os comentadores terem comentado...o lance seguinte. E o anterior. Ui, não é o tê Ti Alberto, ali duas filas abaixo? Epá, é mesmo! Oh Tio, oh Tio! Raisparta o velho, surdo que nem uma porta. Qual mão?

Pois, majeuvi!

- Chato do caraças!


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Tocata e Fuga

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Olá, sou eu. Como estamos hoje, meu Amor?

Pois lá voltei aos teus sítios. Lutámos tanto em terras estranhas, que pareceu que tinha esquecido esses lugares. E os significados. É sempre assim, só quando a adrenalina baixa é que se volta a ver mais claro.

Acreditas que tinha uma espécie de roteiro para a Peregrinação de Saudade? Yaaaa, logo eu, está bem abelha. Mas sim, era esse o plano: Reencontrar-Te nas mesas certas, nos rostos familiares, nos espaços fedorentos em que é permitido fumar. E deixar-me ficar, fugaz, a respirar contigo.

Não fui a nenhum, pois claro. Apanhou-me desprevenido uma passagem inesperada pelo Moleiro. Travei, pisquei para a direita - sim, exatamente no mesmo sentido da última vez - desculpei-me de braço levantado ao condutor de trás e segui em frente. Em fuga, provavelmente.

Claro que há fortes possibilidades de os pastéis continuarem deliciosos. Mas estaríamos lá os dois, ambos num esforço terrível para não sermos uma explosão de lágrimas e despedidas, a mentirmo-nos em disparates cansados, o sentido prático acima do sentimento e das vergonhas. Ah não, não duvido por um instante que isso também fosse Amor. Só não teria a quem o entregar agora e isso aleija. Portanto, piro-me.

Diz que não devo fazer isso. Eu mesmo me recrimino, por considerar uma espécie de fraqueza. Homem que é homem enfrenta, pega pelos cornos, dá o peito às balas. Passa aí o queijo e tranca o gato, iiic.

Vai dai, tenho passado os dias a matutar nisto. Será que pretendo esquecer os maus tempos? Será que ainda está muito fresca a memória da decadência e não é essa pessoa que quero recordar? Será que era melhor ter continuado entorpecido em modo robótico? Seremos campeões?

Pois! É isso que eu penso também. Afinal, quem tem o medidor da qualidade  dos tempos? Deus sabe das aflições e das dores. Alegria fomos, isso sim. Também em camas de hospital, em salas de espera da Morte, nos intervalos dos sofrimentos maiores. Temos que ser honestos, however, e admitir que isto foi o piorzinho, porque irrecuperável. 

És capaz de ter razão, está a soar-me um pedacinho egoísta. Fuck it!

E, no entanto, tu estavas lá. Igual, na pele e osso que sobejavam. A mesma. Eu a fechar os olhos, tu a deixares-me tê-los fechados, os dois lúcidos e conhecedores. Sabes, houve uma ou outra altura em que ia desistir e tu não deixaste. Oh, que estupidez, claro que sabes, soubeste tão bem.

O que importa, é que tenho a certeza que guardarei a nossa Vida inteira. A boa e a má. E que, para mim, não há nenhum período de Ti que queira apagar. Do meu nascimento à Tua Morte. Posso até fugir da dor, isso é certo, mas sabe que não fujo de Ti. De nenhuma de Ti. 

E sim, o Porto será campeão! Desculpa lá o mau jeito.

Entretanto, já nascem aqueles que saberão de Ti por nós. Ah pois, os que terão os Santos, se quiserem, e as Santas que lhes daremos com os primeiros biberões. Oxalá possamos ser competentes e vencer, por eles que seja, os monstros que tivermos. Conseguirmos, no mínimo, construir pessoas melhores do que nós somos. Sei lá, estar à altura do legado. 

Oh sim, sim, que bem que te fica a modéstia. Não é por isso que se te abanam menos ajórelhas, descansa.

Já te disse que a Vida não continua. Nasce para uns, renasce para outros. Todos a tatearem os espaços desconhecidos, olhos a abrirem para um Universo todo novo, as saudades do útero a marcarem o lombo, como chicotes. Em comum, o facto de ninguém ter escolhido. A vantagem dos uns é poderem berrar até alguém lhes dar colo. E mama. Hmmm, mamas. Estupendas.

Da próxima, tomo um café e um pastel de nata no Moleiro. Ou então não. Mas hey, nós vamos falando. Até já.

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- Epá, boa pergunta. Devo ser Eu, de certeza. Oh Pedro! - Berra, imperativo.

- Sim, Senhor. - Solícito.

- Temos algum artefacto de medição da qualidade dos tempos?

- Tipo, um Medidor da Qualidade dos Tempos? - Pensativo.

- Pois, isso. - À beira da impaciência.

- Sim, temos. Digo, Tem.

- Boa! Eu sabia. Como lhe chamámos?

- Medidor da Qualidade dos Tempos, pois então. - Daaaah!

- Ah... Trajaí preubêr.

- Não é possível, Senhor. Tenho imensa pena, mas está na marca, para manutenção. - Baixa a cabeça, humilde.

...

A word to the wise: Children playing in the garden...