quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cincazero, Silva!

...que remédio. Não é como se tivesse alternativa, senão abanar a cabeça e sorrir do modo mais amarelo de que for capaz. Começa agora, e ainda está de noite, e só vai acabar quando...sei lá quando, talvez em março, no jogo de volta, talvez no domingo, depois do Rio Ave. Um dia acaba. Até lá, sorrio amarelo, abano a cabeça, mas não a baixo. Afinal, esta roupa de trabalho não tem um emblema para eu beijar.

Nem sequer vou perder tempo e delapidar o meu parco latim, lembrando quão forte é o Basileia ou a alegria que é jogar em fevereiro no Cazaquistão, contra o colosso das bicicletas. Isso sim, feitos que enobrecem a Pátria, a deles, e que merecem ser relevados pelos altos dignitários do bairro. O deles, que teimam em fazer de conta que é um país inteiro.

Posso sentir um arrepio de irritação, quando chegarem os derrotistas e derrotados do costume. E os catárticos, à procura de culpados, muitos e vários, mantendo em chaga a ferida, destilando os seus ódios de estimação. Até à próxima vitória, só até lá, a esse momento em que acaba. 

Cincazero, Silva. Nos olhos, trarão a minha tristeza e isso faz-nos irmãos. Juntem-se à roda, a que tem os muitos milhares que ontem, sorrisos amarelos em punho, abraçaram, cantando e pulando, os que levam as nossas cores. E tanto que têm merecido esse colo.

Olha equipa, aqui está a eterna mocidade. Nobre e leal!

...

Aos que, coitados, quiserem mesmo vir trocar duas de treta sobre a bola, vou ter que lhes dizer, como sempre, o que vi:

Se os jogadores não mereciam ter sido terraplanados pelo resultado, o treinador merecia ainda menos. Exceto pelo...pois, isso. Mas não esteve em causa durante as vitórias ou na defesa impossível em Chaves, certo? É por isso que não aceitarei que se lembrem agora, os que fizeram por esquecer antes. Não  desenterrem esse morto os que o mataram e ainda se deram ao trabalho de apequenar quem alertou para o erro. Que, foi-se a ver, só foi errado agora, quando não podia mesmo ser.

O treinador fez tudo bem. Podemos implicar com o “decreto Marega” ou discutir as opções, mas são detalhes de um tempo em que já tudo era praticamente by the way. De resto, entrámos com a estratégia certa e o Freitas Lobo pode, e deve, ir apanhar no real entrefolho do olho do cú. 

Entregámos a bola aos beatles, deixámo-los andar com ela à roda até à linha de meio-campo e tapámos as possibilidades de a entregarem aos moços da frente em condições. E quando, ainda assim, o conseguiam fazer, o espaço para os artistas era tão curto que se acabava o campo. Ao mesmo tempo, estivemos sempre prontos para sair em contra-ataque, algumas vezes muito a preceito. 

Foram 25 minutos, mas a ideia era que fôssemos perfeitos e pudessem ter sido 90. O saldo desse curto período, foi uma oportunidade de golo e três ou quatro cantos para o FCP. E um adversário claramente incomodado.

Escamotear as responsabilidades é mau. Atribuir culpas individuais numa derrota por cinco, parece estúpido. Então, resolva-se o dilema traçando um risco: ali em cima, falei-vos do Verbo. Agora, faça-se Luz: o lance em que tudo correu mal a José Sá. 

Desde a reposição com as mãos direitinha para um seilákeporradecôrakilera, a meio do nosso campo, com a equipa toda em contrapé; até ao enorme frango final. E todo um novo Universo se pôs em movimento.

Há falta sobre o Marega, na jogada que pôs acabamentos de luxo na construção iniciada acima. E uma passividade assustadora dos nossos - como não foi falta? Espera, vou levantar o braço e já se resolve isso. Hã? E continuam? Ai o caralho! - a recuarem e a deixarem o bife andar os metros necessários para chutar. Termina em beleza, com o avançado a reagir três vezes mais rápido do que o defesa. Fim do jogo.

Fim, porque o desconforto que se acabara no frango do Sá, deu lugar a uma espécie de Paraíso para uma equipa que, mais do que tudo, sabe e quer jogar no espaço, em velocidade, contra adversários que queiram, ou se vejam obrigados, a ter a bola e a procurar o golo. O treinador preparou bem o jogo, o jogo é que lhe deu com os pés.

Vamos a contas: 45 minutos, 2 oportunidades flagrantes para o FCP, 1 erro individual do tamanho dos clérigos, 1 falta por marcar e muita gente a nanar, zeradois. Houve mais alguma coisa? Não, mais nada! 

Para a segunda parte, SC fez o que tinha a fazer que, ao mesmo tempo, era tudo o que não queria fazer. Foi à procura  de golos, forçando o ataque. A walk in the park para os ingleses. Estes ingleses. Cincazero, Silva.

...

Mais tarde, cansados de repetir as incindências e de preencher os cenários what if, alguém se lembrará de dizer “ao menos vamos poder descansar a malta no jogo de lá”.  Como se fossemos outros quaisquer e não o FCP.

Azul, branca, imortal, essa bandeira só avança quando não estamos a “cumprir calendário”. Isso não existe para nós. Vamos a Liverpool para ganhar. Para marcar mais um golo que o adversário. Ou mais dois. Mais três, se se distraírem. Até quatro, numa pontinha de sorte.  Altura em que veremos das possibilidades de uma Era do Fogo sobre a sombria cidade. Cá esperarei então, sorriso rasgado, pelos vossos Cincazero, Silva!

Eu não me sinto humilhado. Como não senti em Munique, ao contrário de muitos. Humilhação é jogar para cumprir calendário.

...

Espero que a tua diagonal te possa trazer aqui. Pensei em agradecer-te por ontem não ter sido o dia do Cincazero, Silva!, apenas. Mas seria parvo, porque nenhum dia é apenas. Os Amores preenchem-nos a todos. 

O facto permanece e é insofismavel: hoje devia ser dia de um post sem bola, dos Amores. Vamos fazer de conta que, como os Cincazero, é só um típico Estás Atrasado, Silva! Digamos que me lembrei de cortar as unhas na altura menos indicada. Mas, como vês, não te perdi de vista. Só estou um pedacinho demorado...


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Os bons, o mau e o cretino

O público do Dragão elegeu-o MVP contra os vermelhos de Braga por antecipação cósmica. Muito mais sabidos nisto do fintabol do que eu, perceberam que na partida seguinte este moço ia jogar o que jogou e pronto, procederam a ignorar o senhor Hattrick de Assistências e Telles.

O menino, que ainda é, fez (quase) tudo bem e da forma que o jogo, o nosso e o do adversário, exigia. Foi intenso na luta (!), sublime a tirar a equipa da pressão - muitas vezes ao primeiro toque, comme il faut xôr Oliver - pressionou alto, recuperou bolas, assistiu para golo e acertou no poste. De mais longe que o Yacine num penalty, incha.

Assim, é indiscutível. Tanto como seria Danilo, se estivesse em condições. Caramba, é de salivar. Sendo eu o tipo mais insuspeito para estar a escrever isto, como bem sabe quem por aqui se vai abancando. Até o rabo pareceu mais leve, de tal maneira que se atrasou menos e não precisou de fazer nenhuma daquelas típicas faltas estupidas e brutas que lhe costumam valer um amarelito. 

MVP. Mas tem tino rapaz, olha que eu não gramo lá muito destes momentos em que tenho que, humildemente, meter a viola no saco. Estarei atento, qual Sonso a escrutinar o trabalho dos árbitros.


Eu não sei se o mister já sabia como ia jogar o Amora ou se inventou aquilo à pressa para a flash. O que sim, sei, é que não mudou um pingo da equipa. Como quem diz: zbordem por zbordem, estes da margem Sul não serão muito diferentes dos da margem Norte. Do Douro, está claro.

A equipa tem facilidade em variar de estilo e quando não pode sair apoiado - leia-se quando a construção não passava pelo Sérgio - monta-se às costas do Marega ou aponta à cabeça do Soares. E a coisa resulta.

O treinador põe as pernas da malta no lugar da boca e cumpre o que diz: é para ganhar tudo! Eu gosto. E tinha saudades.

...



Houve uma diferença substancial entre a primeira parte, tão parecida com os últimos jogos contra este Amora, e a segunda. Sendo certo que o único golo que contou nestas quatro horas - também ficaram silenciosamente à espera que o VAR anulasse? Mesmo sendo um jogo da FPF? - foi marcado no segundo período, a verdade é que foi no primeiro que demos, mesmo!, o habitual banho de bola. Perdemos, de novo, golos e o adversário...bem, o adversário fez o que podem fazer os Amoras da vida.

Ainda que tenham espevitado - os outros - no reinício, foi só na parte final que fiquei - ficámos? Digam-me vocês. - com a desconfortável sensação de que ganhámos o jogo que mais riscos corremos de empatar. Na minha opinião, a responsabilidade disto é do treinador e não de qualquer má entrada da malta que veio do banco.

Contra os lampiões do Minho, tinha-se lembrado de treinar em jogo o Paulinho, numa posição em que, claramente, o rapaz nunca se tinha visto. Ontem, decidiu acabar o jogo com nove, a ver se havia emoção. Só pode ter sido por isso. Vamos lá ver:

- Golo, caralho! Atékenfim! Bora já meter três tipos ali no meio. E ainda vamos ao segundo. Aaaaaah foda-se, foi quase. E os gajos neribi, nem cheiram. Assim não tem graça. Espera, vamos tirar o pequenito que está a jogar melhor do que se esperava.

- Entra quem, mister?

- Pá, sei lá, mete outro do mesmo tamanho, para não dar cabo da média de altura.

- Ok, vou chamar o Óli.

- Não! Aguenta, aguenta. Mete antes o do cabelo amarelo. Não somos menos que o Amora! Vamos empatar esta merda no que respeita a gajos com o cabelo côr de peido! Para além de que é um tipo que mal conheço, porque praticamente não treina há um colhão de tempo. Temos que perceber o que é que o moço vale e onde é que pode jogar e dar-lhe ritmo.

- Oh mister, o Ruca já não pode. Não era pelo respeitinho que mete, nem tinha valido a pena tirá-lo de casa hoje...

- Tens razão. Vamos substituir o gajo.

- Passamos o cabeça de ovo para a esquerda, onde já o vimos fazer jogos jeitosos, e metemos o espanhol? Ficamos com a bola e não deixamos os tipos jogar, certo?

- Não pá, isso é estupido! Tiras um careca e metes um gajo que até franja tem? E a média de cabelo, não conta para nada, é?

- Mas o Maxi não está a aquecer, mister...

- Pois, isso é verdade, foda-se. Olha, tira o gajo e não metas ninguém, pronto.

- Tábem mister, seja feita a sua vontade. Hernâni, anda cá que vaijentrar...

Assim não, mister, assim não!

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Tenho-me rido qualquer coisa a ouvir os espertos em bola a falar do mais maior bom mestre da tática. Após os anos de manto protetor em que andaram a incensá-lo, descobriram agora que o tipo alucina. O gajo que achou que tinha sido eleito o melhor do Mundo quando treinava o Belenenses. Brilhante, senhores.

Adivinhem lá de quem é que não foi a culpa de os lagartos terem perdido. 

- Do vento!
- Do Sacchi!
- Do Dost!
- Do Hernâni!

Nada disso. Estava uma brisasinha, o Sacchi podia ser mais Italiano e o Dost, manifestamente, não ajudou a equipa. O Hernâni...ok, o Hernâni não teve MESMO a culpa. Nem o Juses, evidentemente. 

O homem faz o que pode com o fraco plantel que tem. Aproveita-se o Marafona na baliza, a queimar tempo e a sacar golos, o Briguel na lateral, a desancar tudo o que mexe enquanto faz cara de santinho e, vá lá, o Heldon lá mais à frente, a correr e a fintar. Coitado do homem, tem o plantel mais fraco e mais curto, a UEFA não o deixa comprar jogadores em condições e, por isso, tem que competir com o mais baixo investimento das últimas décadas.

O pior, caros todos, é que basta as coisas correrem um pedacinho pior para as nossas cores, lá virão os iluminados do Dragão garantir que o melhor era ir buscar este cretino. Este sim, o tipo que garante títulos! Por exemplo, 3 em 6 campeonatos, com as condicionantes que todos conhecemos e NÃO PODEMOS ignorar. Ou, até ver, uma Taça da Liga em mais 3 anos. Façam contas ao investimento lagarto neste triénio e perguntem aos Viscondes se assim chega.

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Agora sim, Bertocchini, vou ler o que diz a malta por aí. Já mais aliviadinho.

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

hiperligação | 92º shooter: opus III – hoje faço greve!



« as pessoas percebem que este próprio protocolo é algo limitativo; portanto temos a noção de que, passo a passo, este protocolo terá de ser mais abrangente – não só nas quatro situações objectivas em que existe, mas podendo cobrir também outras circunstâncias. […]
estamos satisfeitos, como já estávamos no início. é uma ferramenta tecnológica nova, que tem aportado mais valor à competição, nomeadamente à Liga NOS. nesse sentido e mesmo percebendo que há uma margem de melhoria do próprio sistema, porque ainda nem um ano passou relativamente ao protocolo do IFAB, o primeiro balanço é positivo. »

estas declarações pertencem ao líder máximo da Liga Portuguesa em funções e que tem, desde que tomou posse, essa Proença, perdão… essa “proeza” de ver todo um séquito dos intervenientes naquela competição lhe tentarem “tirar o tapete” – e como é referido aqui. guerras palacianas à parte, o que não pode fazer é passar um atestado de burrice a quem mais contribui para esta «indústria» em que se tornou o Futebol: os adeptos. explico (espero que) sucintamente.

em Abril de 1979, afirmava o Mestre que «a massa associativa do FC Porto não é o 12º jogador, como se diz por aí; é o 1º jogador porque, sem ela, o Futebol não tinha razão de existir».

recupero esta frase emblemática a propósito daquela contenda porque, se há coisa que a massa adepta do FC Porto não é, é ser lorpa. ou morcona. ou saloia. e muito menos labrega. mas, quem reside fora do Portugal profundo – isto é: longe da «província» a que designam por «paisagem», desde tempos imemoriais –, considera que sim, que somos uma cambada de parolos que deve gostar ‘bués’ de comer gelados com a testa. o «querido» do sr Oliveira Alves Garcia com certeza que é um desses que adora passar atestados de menoridade (intelectual ou outra) aos adeptos do FC Porto, mas engana-se redondamente nessa Proença.

de facto, nós por cá não gostamos de enfardar “palha para burros”, e como se comprova nas declarações de Sérgio Conceição, na imagem ali em cima. quem assiste aos jogos do FC Porto, com as devidas clarividência e lucidez, certamente que já constatou na veracidade do que afirma o treinador da equipa principal. e, se dúvidas houver, este trabalho aqui, da autoria do “Bala Dragão”, dissipa-as: neste campeonato e até à data, o FC Porto é a equipa mais prejudicada pelas arbitragens, com ou sem VAR (é s-e-m-p-r-e mais sem). aliás, connosco parece estar invariavelmente #aVARiado… e não o afirmo de forma leviana, antes suportado pelos f-a-c-t-o-s que o “Bala” trouxe à estampa. é por esta razão que, para mim ou para qualquer outro adepto do FC Porto, aquelas declarações de Pedro, o «querido», são como que um insulto à nossa Inteligência, porque roçam o ridículo de uma incomensurável desfaçatez.

[e, não!, nos adeptos do FC Porto não incluo «o chibo», esse Perdigoto adepto do “clube do garrafão”. e quem é que é «o chibo»? um destes dias explicarei; hoje não é o momento.]

de facto, o balanço só poderá ser considerado «positivo» por alguém afecto a outro clube que não o FC Porto. e, vai daí, até consta que sim, que é de outro clube, mas não será por aí – porque mal será do Futebol quando alguém por cá andar sem qualquer relação a um clube, seja ele qual for.

agora, o que me custa, nesta estória toda, é haver alguém que (in)tenta passar uma mensagem contrária ao que a Realidade nos impinge pelos olhos adentro, final-de-semana sim, final-de-semana também e que é a de que ‘in dubio, FC Porto adversus’ e para citar o caríssimo Vassalo. ou seja: em caso de dúvida, de modo algum o FC Porto poderá ser beneficiado. ainda no passado Sábado tal aconteceu e de forma bem evidente, no diálogo entre o árbitro da partida que nos opôs aos #rabolhosrubros do Minho e o #aVARiado, aquando da obtenção do nosso segundo golo e que veio a desempatar esse jogo: para mim, que ando “escaldado” com toda esta filha-da-putice, a primeira impressão foi a de que estavam a arranjar uma “panelinha” para invalidar um golo limpo, imaculado…

e, confesso-o (mais uma vez), cansa-me ver um jogo do meu clube do coração sabendo que invariavelmente iremos ser roubados. e que, por esse motivo, a Equipa terá que ser muito melhor do que os adversários; a saber: equipa contrária (11 elementos), equipa de arbitragem (04 elementos), VAR (02 elementos), Delegados da Liga (02 elementos), Conselho de Disciplina (13 elementos, actualmente encabeçado pelo magnânimo “doutor” meirim). é mesmo #muitafruta para levar de vencida todos os jogos. todos. os. jogos. t-o-d-o-s…

em suma e porque já se faz tarde para rumar ao Dragão, para ver o nosso Amor comum jogar no nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos:

acho que o sr . Oliveira Alves Garcia, bem como muito “boa gente” que gravita no nosso comezinho futebolzinho tuga anda (literalmente) a “brincar com o fogo”. e a considerar que a paciência da massa adepta do FC Porto é inesgotável, mas esta não é! e tem limites – os quais estão a ser sucessivamente postos à prova há pelo menos cinco épocas. assim, talvez não fosse má ideia o «querido» solicitar uma qualquer espécie de “greve” a tanto excesso de zelo e/ou olho-de-lince invariavelmente para os mesmos.

e é por isso que convém (também) recordar esta outra máxima do Zé que não “apanhava bonés”:

« as gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos que teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros, que têm decidido da perda de muitos campeonatos! »

“disse!”

Miguel Lima | 92º minuto

(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Rojões com sarrabulho e uma malga de verde tinto



Há vários fatores que me levam a preferir que o Braga perca jogos, exceto quando são contra lampiões ou lagartos. Sendo que, no caso dos primeiros, parece que os próprios bracarenses preferem levar na pá.

Não que antipatize com a cidade, até pelo contrário, está-se bem por lá e já fui muito feliz no Bom Jesus. Quais pecado? Tenho culpa que instalem hotéis no monte? Mas assim cumássim, eu cá sou um labrego bonacheirão e ando quase sempre todo contente. Ajuda muito a vida correr bem no âmbito da sorte ao felatio, diz que ajuda. 

De todo o modo, acontece que sou por Guimarães. Sempre por culpa da companheira de expedições, mas também da Taberna do Trovador, do Café Oriental, do mau gin do Coconuts, dos 3 filmes por dia no cinema, dos castelinhos e dos jesuítas, dos passeios de mão dada pelo empedrado das ruas onde nunca nos perdemos. Os sítios são o que lá vivemos e eu perco-me de amores por Guimarães.

O que não invalida que fique todo contentinho quando o FCP enraba violentamente e sem lubrificação o Vitória. Cinco vezes. Lá está, é uma paixão assolapada. O pessoal de Braga que não se amofine, temos sempre preferências nesta vida. A gente senta-se à roda de uma posta de bacalhau e discute isso, ok?

...

Ai, espera, isto era por causa da bola! Na série “Bela minhota”, passámos de um injusto empate em Moreira de Cónegos - que é quase Guimarães - para uma merecida vitória sobre os burmelhos de Braga. Inchem, bem feito! O povo ficou todo feliz, porcakilo em Moreira foi uma vergonha, majisto com o zbordem rubro - dass, é que lhes corre tudo mal! - até deu gosto. 

Conforme esperado, a malta vê a bola depois de olhar para o marcador. Até tem o seu sentido, mas não significa que estejam certos. Sobretudo porque não estão. É mais por isso.

Seja como for, o que era efetivamente essencial era ganhar o jogo. Ainda lhe juntámos o facto de ganhar bem, sem mácula. Daí a escolhermos o Sérgio Oliveira como MVP no mesmo jogo em que o Alex Telles fez um - outro! - hattrick de assistências, somando piscinas e boa decisões pelo corredor, é mesmo de quem lhe parece boa ideia festejar, à luz do telefone, uma vitória aos 75 minutos de jogo. Malta, isso é como o unicórnio: aquece a Alma, mas não existe. Se acreditamos que o público influencía o desempenho da equipa, então temos que ser responsáveis no nosso papel e não nos pormos a transmitir a ideia errada para dentro do campo.

Esteve mal, o Oliveira? Nem por sombras. Esteve até muito bem, para o que o Oliveira faz. Desde logo, fez coisas que o Óli, sem veira, não faria: ganhou algumas duas bolas de cabeça na luta do meio-campo, entre outras boas recuperações; e marcou um golo que o outro não marcaria, por ser má’canito e por ter tendência a não estar na área, a dar cabo da marcação ao adversário. De resto, muito certinho o Sérgio, sem grande risco nem grande rasgo, mas consistente, mormente na primeira parte. Claro que quando se tratou de recuperar a posição e ir atrás dos adversários que se lhe escapavam, a coisa piorou um bocado. Lá foi indo, chegando quando chegasse, embora se deva louvar o esforço que foi patente. É perder dois quilitos em cada nalga e ainda vai a tempo de ser o jogador que, na verdade, é. Só que não sabe...

No geral, a equipa entrou bem de novo. Claro que toda a gente diz que no sábado sim, entrámos a pressionar, a dominar, a querer ganhar, arroz de tomate com pataniscas, intensos, os seios da minha prima, a raça, o querer, a tragédia, o horror. Tudo ao contrário do jogo anterior. Mas é só porque ganhámos, porque no fundo, não foi nada assim tão diferente. Não entendam mal, foi bom! E a relva muito melhor, a testemunhar que se acabou o chuto para a couve, às costas do Moussa. Gosto.

A diferença talvez esteja no facto de o adversário ter tido duas aproximações à nossa baliza, contra zero a meio da semana. E ter marcado um golo. Ao passo que nós tivemos menos oportunidades. Tenha-se em conta que estes minhotos são mais capazes que os das camisolas feias, o que explica uma menor inclinação do jogo. De qualquer maneira, uma boa primeira parte, com um resultado justo, se bem que escasso.

A segunda metade foi piorzinha, foi sim senhor. Os anormaloides decidiram subir mais um pedacinho e apertar com o nosso meio-campo. Apesar da disponibilidade do bom do Hector que corria a todo o lado, mesmo que nem sempre saísse bem depois de recuperar a bola, a equipa começou a berrar por um terceiro médio. Alguém que nos deixasse ter mais tempo a bola e injetasse algum sangue fresco, e frio, ao nosso jogo. E o treinador pensou: Oh, xósberrar maijumcadito, não se vão habituar mal.

Quando por fim se decidiu, tratou de quebrar a monotonia. Entre a opção de meter o médio de posse que tinha a aquecer - como sempre - ou o falso ala capaz de fazer o terceiro médio, posição que lhe exige menos conhecimento da dinâmica dos colegas e da equipa, o treinador resolveu quebrar a monotonia da previsibilidade: Oh Pálinho, anda cá. Baijentrar ali para o meio de nenhures, nem avançado, nem médio, atento ao central ou ao tronco, cuidado para não levares com o Hector em cima e resolve-me lá uma equação do terceiro grau enquanto cantas as janeiras. Anda, rápido, siga. 

Resultado, andou o mister a conversar com meia equipa na linha lateral, a tentar explicar uma coisa que, aparentemente, nunca tinha treinado. Ou então aquela malta faltou a esse treino.

Apesar da confusão, ter deixado o Oliveira mais fixo e ter um Herrera capaz de fazer três jogos seguidos devolveu-nos algum controlo. Depois, quem tem um Yacine e não o deixa a ganhar mofo no banco, merece sempre o que o rapaz consegue fazer. Que é pouco maijómenos tudo. Pumbas, trêzum, depois de um valente Sá nos ter salvo de novo empate. A seguir...foram mais luzinhas.

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No fundo, a malta tem razão. Isto é bom quando se ganha e ponto final. Eu cá também fico (ainda) mais contente. Não preciso é de fazer de conta.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

hiperligação | 92º shooter: Opus II - Olá e adeus (ou vait'embora)



vou deixar as análises ao jogo de anteontem, em Moreira de Cónegos, para quem de direito e que muito prezo – a começar pelo dono da tasca mais as suas culpas, lá nos Cavanis deste mundo. eles são entendidos nessas matérias e quem sou eu para discordar deles (e delas)…

portanto, o que me traz aqui, hoje, é basicamente expressar publicamente o desabafo de que dormi mal. muito mal. aliás, nem dormi sequer e estou de directa. é que prometeram-me que, mesmo conscientes das dificuldades no campo em questão, «queremos, como equipa, assumir a responsabilidade de ter que ganhar o jogo e da importância dos três pontos na nossa caminhada». isto foi o que me prometeram. mas, findos aqueles 90 minutos (mais os descontos), o que sobra é muito poucochinho, mormente em termos de futebol jogado. e isso é que me deixa chateado com um F bem maiúsculo!

é certo que o Moreirense não iria facilitar em Nhaga – ou não houvesse uma qualquer Boaventura por lá, alegadamente via “maletines Louis Vuitton” (como sempre), porque a César o que terá que ser de direito. mas, que diabo!, sempre foi assim e s-e-m-p-r-e assim será.

mais uma vez, voltámos a dar de bandeja 45 minutos de avanço ao adversário, apesar de algumas jogadas interessantes e do movimento de alguns jogadores… e isso, parecendo que não e numa altura da época como esta, irrita-me solenemente. nesses 45’, foi evidente que Óliver não foi o dínamo que se desejava e que Herrera não foi o pêndulo que fez esquecer Danilo, antes pelo contrário. sobrou Paulinho, em estreia a titular, num jogo bem conseguido e o único com alguma clarividência nos passes de ruptura, com Brahimi em baixo de forma (mas já lá vamos). {momento para informar que me refiro exclusivamente ao meio-campo, por ser o ponto nevrálgico, no meu entendimento, na partida em causa. foi muito pela sua inépcia que se explica o desacerto no resultado final.}

também não gostei Nhaga dos instantes finais, com o recurso a um “chuveirinho” sôfrego, nunca antes visto nesta época – o qual explica a entrada de Sérgio Oliveira no jogo, numa tentativa de acerto naquele (e que até ida dando certo, não fosse o olho-de-lince do bandeirinha). mas que porra de desespero foi esse?! não há outra forma de se tentar chegar ao golo?! pelos vistos, não! 😱

inclusive deu para perceber (bem) que esta equipa está exausta, numa altura crucial da época e quando se avizinham dois meses intensos, com jogos de três em três dias ‘non-stop’. da defesa para o ataque, Alex, Felipe, Herrera (mesmo não se notando muito), Brahimi, Marega, Aboubakar: t-o-d-o-s extenuados, sem poderem com uma gata pelo rabo. e Sábado há mais, com a recepção aos ‘gverreiros do Minho’, num jogo intenso, onde se espera que o guarda Abel e ‘sus muchachos’ “paguem a factura” do jogo (muitíssimo) menos conseguido de ontem.

portanto, esta é Parte Primeira deste texto: foi-me prometido algo que não foi cumprido, de todo, numa espécie de “olá, adeus!”, onde me senti defraudado e as minhas expectativas foram arrasadas. não gostei. e sei que o ‘coach’ Sérgio Conceição também não. Sábado espero estar lá, “ao vivo e a cores”, para tirar essa teima e porque é nestes momentos, de menor fulgor, que se deve marcar presença e apoiar a Equipa.

...

já a Parte Segunda deste texto é muito breve e explica-se com uma espécie de superstição bacoca (como eu): parece que o anunciado regresso deste que te escreve, num espaço alugado por um Amigo destas andanças, não trouxe Boa Fortuna.

Assim, Sábado lá estarei, como referi, ali em cima – não só para tirar as teimas com o Sérgio, mas sobretudo para saber se há qualquer espécie de regresso de um célebre “pé frio”, que não desejo. de todo! 😱



post scriptum pertinente:

há todo um filme que é impossível não referir e que influenciou e muito!, o desfecho do jogo de ontem. refiro-me à “encomenda” que foi a nomeação de luís ferreira (apitador de serviço) e de manuel oliveira (para #aVARiado). Por exemplo, se as Leis do Jogo tivessem sido cumpridas, logo à meia hora da partida o nr 10 do Moreirense (Bilel) teria visto, no mínimo, um cartão amarelo, e conforme o disposto no ponto 12 daquelas (“Faltas e Incorrecções”). é que até teve uma acção idêntica à de Alex Telles em Vila do Conde, na época passada, logo à primeira jornada. parece que não, mas a amostragem daquele cartão teria condicionado a acção de um gajo que passou o tempo todo a distribuir “fruta da boa” em tudo o que mexia. é só um exemplo, entre outros mais flagrantes.

sem me querer alongar muito nesta temática, pois qualquer Perdigão sabe bem mais do que eu, deixo para reflexão e para termo comparativo o que a imagem ali em cima ilustra. convém referir que foi validado aquele golo, exactamente no mesmo estádio e no mesmo lado onde o do Waris não contou para o Totobola e/ou Placard. e que até deu origem a conferência de imprensa surreal do jeBus que tentou explicar, à sua maneira, o facto do cotovelador argelino não estar em fora-de-jogo...

é caso para recordar palavras sábias de Adão Mendes, em Janeiro de 2014:
«quanto às #missas, temos bons #padres para todas, incluindo as da Liga e as da Juventude Operária».

“disse!”


Miguel Lima | 92º minuto
(este espaço será sempre escrito de acordo com a antiga ortografia. limices.)