domingo, 26 de março de 2017

Resumo da semana: In memoriam

Joaquim Ferreira dos Santos. Ninguém se lembra do gajo...

Passado tempo, é difícil que as memórias sejam espelhos da realidade. Provavelmente, serão meras construções do cérebro. Não que sejam mentira, mas são edifícios de lego, compostos de blocos que são, cada um, memórias também. Ou seja, aquela grande imagem que guardamos, é talvez o composto de vários fragmentos que, tendo acontecido cada um, não ocorreram ao mesmo tempo e nem no local em que hoje os recordamos. Será porventura o nosso modo de poupar espaço de armazenamento, condensando num único acontecimento os momentos relevantes de vários. Não sei.

Sei é que muito dificilmente terá acontecido ele estar sentado à cabeceira da mesa grande da sala, muito bem penteado, nas costas a janela - ou seria a porta para a varanda? - à frente, aberto sobre o tampo, o jornal. E eu sentado à esquerda, a cadeira entalada entre a mesa e a cristaleira, acabado de chegar.

É evidente que não podia ser na cozinha, pois que somos homens e a cozinha é o espaço das mulheres. Pode-se por lá passar, se está Sol e vamos para o terraço; ou se deu uma vontade de fatia de queijo e se demoram a trazê-la; no limite, se há uma confusão de cachopas e é preciso pôr ordem na casa.

Com um sorriso cúmplice, ele dirá suficientemente alto, para que se oiça lá dentro:

- Quer tomar alguma coisa?

E eu responderei ainda mais alto, para que dúvidas não restem:

- Pois claro que não, bem sabe que não bebo sozinho. Já se o meu amigo me acompanhasse...

Depois, ouvimos complacentes o ralhete costumeiro. Umas vezes zangado, outras mais divertido que aperreado, sempre consciente do desfecho do caso: Dois copos e uma garrafa sobre a mesa. Não sei porquê, mas estou capaz de apostar que é água-ardente. E pronto, estamos preparados para saber do Mundo.

Anos mais tarde, olhando a família abraçada, de olhos postos na cova, noto claramente a falta de um. Estão incompletos e assim permanecerão. Acabarão por aprender a viver à volta de, apesar do, com esse espaço vazio. Que, desgraçadamente, não se preencherá.

Espero que a Morte que lhe habitou alguma parede do quarto, tenha tido a decência de lhe declamar um poema. E de lhe dizer, piscando o olho enquanto lhe estendia a mão fria:

- Vamos nus?

Vamos nus, ´vô Xico, ver o que andam as pessoas a fazer.

...

Em Londres, atentou-se. Como sempre, o circo mediático parecia estar montado, escondido em algum banco de areia do Tamisa, tão pouco tempo demorou a ser instalado em Westminster. E os dias seguintes foram mais do mesmo, na busca incessante de dar aos voyeurs a pornografia que, na verdade, importa.

Igualmente arrepiante, é a velocidade a que os comentadores e analistas que o Mundo inteiro consagrou, debitam as suas opiniões finais e finalizantes. Assunto encerrado. Bem como os discursos normalizados dos políticos, que antes de abrirem a boca já todos sabemos o que dirão. E acenamos, combalidos pela dor de mais um ataque, solenemente as cabeças.

Por detrás de tudo isto, esconde-se o facto insofismável: Cinco vitimas mortais, provocadas por um tolinho que pegou num camião e numa faca de cozinha para matar pessoas. Já oiço vestes que se rasgam, na perspetiva de que o tolo do Silva esteja a desvalorizar o caso.

Pois não está, está só a recusar-se a embarcar, de olhos e ouvidos tapados, na lenga-lenga decorada pela maralha. Convenhamos que cinco são menos do que cinquenta e dois. O que eu vos digo, é que há muito quem vos tente - nos tente - vender o lado negro, apenas. Uns, porque sabem que é esse que querem comprar; outros, porque sabem que é só desse que podem viver. Eu proponho uma alternativa:

O discurso do Medo diz que o terrorismo pobre é a nova catastrófica moda. Uma chatice bestial, porque é difícil de detetar, porque mete medo à vizinhança, porque é fácil de implementar. E eu acho que isto é uma bela construção que permite manter uma série de malta a mamar nas tetas em que anda a mamar ao tempo. Sob o beneplácito dos políticos - dos atacados e dos atacantes - a quem dá um imenso jeito fazer declarações consternadas e apresentarem-se como os paizinhos que tomarão conta de nós. Ou que nos matarão, tomando conta dos deles.

Porque é que ainda não ouvi ninguém dar os parabéns ás forças que combatem o terrorismo, pelo excelente trabalho que, pelos vistos, têm feito? É que, aparentemente, está bem mais complicado os terroristas terem acesso aos materiais necessários para produzirem as bombas que matam aos milhares. Ou têm menos dinheiro para as comprar. Parabéns às autoridades que têm impedido que aviões sejam desviados contra edifícios. No meio de muito disparate securitário, há - certamente! - espetaculares resultados. Irrita-me que os transformem na nova ameaça, no mais recente fim do Mundo em cuecas. Aiai, agora é que é.

Pá, viver com tolinhos é uma coisa que fazemos desde sempre. Olha, em Barcelos houve um atentado. E o terrorista de Aguiar da Beira também ia a caminho de um número simpático. O que peço é apenas que pensem. A mim, parece-me que somos nós que deixamos os tolinhos cantarem vitória, quando estão, na verdade, mais perto das cordas.

Já estiveram mais longe de serem uma má recordação. Prefiro que estejam mais perto de serem internados no Conde Ferreira, do que de rebentarem uma estação de comboios.

...

Por falar em Conde Ferreira, a Holanda reparou a tempo num doente que se tinha escapado do Conde lá da terra.

Não deixa de ser engraçado ver a esquerda proletária a aplaudir vitórias da direita conservadora, mas o mais importante é manter estes trastes fora do poder. O problema é que há muito que não estavam tão perto e, um dia destes, arriscamo-nos a que a Democracia seja uma memória.

...

Agora, não valia era a pena revelarem-se os tolinhos Holandeses todos ao mesmo tempo, credo. Então, a malta do Sul é mais putas e vinho verde, hein? À conta do Norte trabalhador. Não sei o que isto me lembra, mas...

Pá, que dizer a isto, senão...sim?! Sim, oh doidinho de tamancas, sim! Produzimos um verde de estalo, que fazemos questão de provar basto, não vá passar algum lote de pior qualidade. Aliás, se o comprares ao preço certo, comprometemo-nos a produzir o melhor verde do Mundo. O único, a bem dizer. Para teu deleite. Mas nosso também, em antes de ti.

Quanto ao resto, no worries chefe. Manda as tuas protestantes frias cá para as terras do sangue quente. Prometemos que as devolvemos frescas, mas conscientes da sua sexualidade; intactas, mas libertas de puritanismos hipócritas; livres, mas exigentes ao nível do desempenho dos seus parceiros de cama. Ou de chão. Ou de banca da cozinha, atrás dos arbustos, na praia e no wc da disconight. O que pode ser um problema para ti, está claro. É por isso que achas que só em pagando é que lhes podes chegar. They know better, mate.

Se pagares o valor justo, mandamos-te um TIR de Zézés Camarinha para darem formação por essas bandas. 

Esta gente perdeu a memória da Flandres muito depressa. É capaz de estar na hora de os lembrar das bases do mercantilismo: Nós temos. Se tu queres, paga. Se não queres pagar, ao menos esconde a inveja.

...

Mas a beleza de tudo, é que os loucos ainda são uma minoria. Não devem ser desprezados, nem subestimados, como bem sabemos. No entanto, é refrescante perceber, na maior parte do tempo - que não no tempo todo! - que mesmo os estúpidos mantêm alguma memória dos benefícios da sanidade.

...

- Oh Pedro. - Olhos postos na parte rosada da grande janela.

- Sim, Senhor.

- Achas que eu sou um gajo? Sinceramente, parece-me que perdi a memória do género. Vai-se a ver, sou Holandês... - Preocupado.

- Creio que sim, Senhor. Se tivesse que arriscar, diria que É mesmo um gajo.- Seguro.

- Então, até logo. - De saída.

- Hã? Onde Vai, Senhor?

- Fazer uma visitinha à Rita...

...

Soundtrack to memory: I can smile at the old days.

terça-feira, 21 de março de 2017

Silva, Hulk e Moutinho, por NES, e uma Nação falhada





Do Silva


Parece que, foi-se a ver, o grande erro de NES não foi a tática. O problema foi ter jogado o Silva. Porque o Silva não presta, o Silva não marca, o Silva trabalha mas não está no sítio certo, o Silva cheira mal.

É um conjunto de balelas sem jeito nenhum que, pelo lampiónico método da repetição exaustiva, vai ficando no ouvido. Tipo, uma canção do Emanuel. Sim, pode ser essa que estais a cantarolar agora mesmo dentro das vossas cabeças. Ou essa.

O advento Soares, anunciado em plena Tasca, trouxe o melhor período do FCP neste campeonato. Coincidentemente, ao mesmo tempo do que uma modificação tática, através da introdução de um terceiro médio. Por consequência, o Silva, que passara meio campeonato a ter que correr por todo o lado, foi desviado para a direita. Mantendo, no entanto, a presença azul e branca na área, pois não é um extremo, mas sim um avançado centro.

Por curiosidade, no Domingo, o nosso Soares, que é quase tão fixe como o Silva, passou boa parte do jogo a descair para a esquerda. Pela primeira vez desde que chegou, não fez um golo em jogo de campeonato. Coincidências.

O que o Silva dá à equipa, não há Corona que dê. Naturalmente, o que Corona traz, o Silva não tem. É uma questão de avaliação do custo/benefício. Eu escolho começar com mais gente capaz de disputar lances aéreos na área dos outros, com maior capacidade de sacrifício e um coração que não dá uma bola por perdida. E tantas que se atiram lá de longe para a mata. Corre Silva, corre.

Colocaria, however, o moço no banco, se pudesse lá meter...o Hulk.

Por outro lado, não compreendo como é que se considera que o Silva é um flop, que não tem ainda estaleca, que fica a anos-luz do Soares - um fixe. 

Uma vez, não empatámos em casa e ficámos mesmo em primeiro. Não foi focados em ser primeiros, éramos mesmo os líderes. E o Dragão assobiou, porque o Silva não entrou. À época, o Silva era um fenómeno, o nosso menino, a última crica antes da impotência. Agora, pelos vistos, flopou. Etegui.

Vejamos, na altura, o Silva fez 41 jogos pela equipa B. E 9 golos. Hoje, leva 37 jogos pela A. E 20 (VINTE) golos. Ora, vão dar banho ao cão, mais os vossos disparates, sim?

Mais importante que tudo isto, há dois momentos mais inolvidáveis que todos os momentos inolvidáveis que passamos no nosso estádio:

1) Quando anunciam a equipa e dizem " com o numAro 10, Andrééé..."
2) Quando o miúdo faz golo e o speaker grita "Andrééé..."

É como se o Dragão, concluindo as frases, cumprisse - afinal - a sua essência.

Por isso, vamos lá ter tino, sim?

Do terrorismo de Estado

Marafonas há muitos, já se sabe. Aliás, quase todos trazem um Marafona dentro deles. Os de Setúbal exageraram? Sim!

Porque ficou claro que não se tratou de um subterfúgio, de uma manha. Mas antes de um plano de jogo. De anti-jogo. Trabalhado à semana, com funções específicas para cada um, lances de laboratório e substituições planificadas.

Ou seja, não foi uma célula terrorista que se alojou junto ao Sado. Foi o Estado que fez do terrorismo a sua política externa. 

Um aviso aos patrícios de Bocage: Todo o terrorismo de Estado provém de Nações falhadas. Exceto o económico. Mas os Estados com capacidade para exercerem alguma espécie de terrorismo económico, não vivem do abono de família. Pagam-no. A Nações falhadas.

Para este jogo, Couceiro tirou a farda de treinador e colocou o boné de encenador. E que bem ensaiadinhos que estavam os meninos.

O FCP não foi competente que bastasse para impedir que estes senhores tivessem a sorte que não mereceram. E o senhor Oliveira não quis deixar que lhes escapasse. Uma pena.

Do NES

Não teria uma palavra a dizer acerca do 442, ou 424, de NES, se ele se tivesse mantido sempre fiel. Aliás, sabe quem pode que estava perfeitamente resignado. Jogaríamos assim e eu esperava que conseguíssemos ser perfeitos no sistema e ganhar sempre.

Mas NES fez evoluir o desenho - e se desenha bem, o cachopo - para um 433 meio híbrido, à conta do Silva. E vimos melhor futebol. E vimos a mesma consistência defensiva. E vimos mais golos. E vimos a porta aberta para o primeiro lugar. Altura em que voltámos ao esquema que deixáramos de praticar. E correu mal, pois claro.

Porque o fez NES? Naturalmente, porque acreditou que seria o mais indicado e o melhor para a equipa. Oh Herlander, tenho notícias para ti, pá: Não foi!

Acho importante que o nosso treinador perceba que não tem nada a provar. Aquele 433 é todo teu, Nuno. De autor. Ninguém te vai roubar o mérito, não tens que demonstrar que tinhas razão. Só tens que escolher a melhor maneira de ganhar. Era um bom princípio veres os nossos jogos...

Talvez descobrisses que o Moutinho que te deixaria jogar como gostavas, não está cá. Nem o Yaya. Nem o Pogba. Se tens mesmo que criar um 8, tenta com o Rúben e deixa o Oli em paz. Por ti, rapaz, por ti.

segunda-feira, 20 de março de 2017

A TascaTV entrevista NES

Raisparta o Castro, dass...

Já percebi que todos os clubes têm blogues e redes sociais e comentadores residentes em sites desportivos e assim. Isto é, toda a gente usa a Ciberlândia para a catarse, a invectiva, o elogio bacoco, a dança de acordo com a música, a braçada a favor da corrente e o perfeito inverso disto tudo. E também como depósito de mera estupidez, na maior parte do tempo. O que é muito bom, porque, por uma mera aplicação da lei da probabilidade, deve libertar o Mundo de uma quantidade muito apreciável de energia estúpida. Os posts da Tasca, por exemplo.

Felizmente, e como não podia deixar de ser, o FCP é diferente. Não porque nos falte alguma das coisas referidas acima, que não falta, mas porque lhe acrescentamos. Na Ciberlândia Portista, para além de tudo o que ojôtros têm - mas de melhor qualidade, mais quantidade e em bonito - temos ainda a possibilidade de saber de tudo na primeira pessoa, pela voz dos protagonistas. Ah poijé bebé! E como? Através da TascaTV, está claro.

Ora, depois do desafio do balde de ontem, toda a gente tem um trator - não resisto! - de perguntas para fazer. Mas, na verdade, as únicas que me interessam são as minhas. So fuck it, convoca-se o NES para vir responder. Pois claro que vem, qual é a dúvida?

...

GRANDE ENTREVISTA

Por se querer manter equidistante de todos os media e não gostar de ser visto em locais de má fama, o Herlander insistiu em que isto se fizesse por telefone. A mim mimporta.

- Ora biba, companheiro Nuno. Daqui fala a muralha de aço. Não, não é o Jorge, dass. É prákela coisa da TV do Silva, tajabêrohnão?

- Ah, muito bem. Bom dia, boa tarde ou boa noite, consoante a hora local a que me estiverem a ouvir. A todas e a todos e aos entremeados também.

- Deixa-te de salamaleques que eu cá não tenho chamadas ilimitadas. Por isso, se não timportas, vou mazé despachar isto. Olha lá pá, então o que se passou ontem?

- Nada de extraordinário. Mantivemos o foco no jogo, na nossa ideia, e tivemos um bocadinho de azar.

- Lá isso tivemos. Majolha, qual ideia? É que depois de termos acertado as pontas, voltámos ao jogo do bacalhau: Bola prás coubes que pode ser que alguém acerte uma batata...

- É precisamente o nosso modelo para jogos em casa, contra o Rio Ave.

- Hã? Qual Rio Ave? Tásparvo?!

- Então, não foi contra uns de listas verdes e brancas que vieram de um vilarejo piscatório? É o Rio Ave.

- Aaaaah, pois, estou a ver... Já te tinha dito que isso não era para repetir, não tinha? Que acabava por correr mal?

- E então? Toda a gente sabe que o Silva não vê um boi de bola. É só fazer ao contrário do que tu dizes. Deve correr bem.

- Deve, deve. Portanto, andaste a rotinar a malta naquele 433 híbrido, que até já entusiasmava, com Oliver a assistir, Brahimi com apoio e o ataque a marcar aos sete de cada vez, majentretanto apertas tudo para trás, a ver o que dá. A que propósito?

- Isso não é importante. O importante é manter o foco, acreditar na ideia, o resto é acessório. Ainda para mais, havemos de convir que estava a tornar-se um pedacinho monótono. A maior parte dos jogadores a fazerem aquilo que sabem fazer, sem aprenderem coisas novas, sem testarem os seus limites. Pfff, muito aborrecido. Desde que esteja dentro da ideia e se mantenha o foco, até podemos jogar em 1-10, que dá igual.

- Pois dá, sim senhor. Um igual. Em casa, contra o Setúbal.

- Ai era o Setúbal? Opá, bem me quis parecer que o Castro estava mais anafadito. Caraças, haviam de me ter avisado, passei o tempo todo a chamar Luis ao Zé. Que maçada.

- À conta da distração, continuamos em segundo, com um melão do caraças, ao passo que os postes de iluminação respiram aliviados. Lindo serviço...

- Nenhum problema. Acreditamos desde o primeiro dia, nada mudou, continuamos a depender de nós. Foco, Silva, foco.

- Sim, oh Est...Espírito, mas em vez de ganhares em Carnide para teres quatro de avanço, precisas de lá ganhar para passar para a frente. Há uma diferença, não?

- É maijómenos a mema'coisa. Ainda temos muito Rio Ave pela frente. Por outro lado, se uma das nossas principais armas é a alma, até e melhor assim. Vamos a Lisboa jogar a vida. Isso é que é de homem! É preciso é manter o foco, acreditar na ideia.

- Qual ideia?

- Depende do Rio Ave.

- Oh foda-se pá, já te disse que o Rio Ave é para esquecer. Não repete! Entendido?

- Vindo do Silva, é como se me chateasse ter sido eliminado da Champions. Já aprendi que tu não vês um boi de bola, pá.

- Portanto, o estúpido sou eu, certo? E a culpa de termos empatado ontem, por não ouvires o que te digo, também há-de ser minha, não?

- Não. Nesse caso, é do Lápis. Ele é que me está sempre a dizer que o Silva...

- Sim, sim, já sei, não vê um boi blablabla. E agora?

- Agora é manter o foco, já se sabe.

- E se meteres o foco no cu e puseres a equipa a jogar como já percebemos que consegues?

- Fico um pirilampo e somos Campeões.

Cai a ligação, entra o genérico.
... 

Eu penso: Podíamos ter ganho ontem. Bastava muito pouco mais e um árbitro sem medo. A segunda, seria pedir demais ao Oliveira, valham-nos 12 minutos de desconto; a primeira, seria pedir demais à sorte, depois dos quatro ao Rio Ave. 

Mas o murro no estômago dos adeptos, esta desesperança que nos perpassa depois de tão alta expetativa, não se reproduz nos jogadores e na equipa. Se há coisa que Nuno Est...Espírito Santo já provou, é que consegue manter o grupo... focado! E crente. Nenhum reparo à entrega e à alma, mesmo jogando a ponta de um corno, como ontem. Sim, na primeira parte também.

Portanto, parece-me evidente que para quem mais conta - eles! - não seriamos Campeões por ganhar ontem. Como não seremos só por ganhar em Carnide. De igual modo, não perdemos ontem o campeonato e não o perderemos - seja qual for o resultado - no dia 1 de abril. Acreditarão até ao fim, desconfiarão até à última. Isso é mérito - e não é pouco - de NES. Que, aliás, já lhe foi concedido por mais que uma vez, aqui na Tasca.

Assim como não é por ser uma besta que acredito que vamos mesmo ser Campeões. É porque desde o Bessa que vejo um FCP que é, de facto, melhor que os adversários. Muito melhor. E os melhores estão mais perto de vencer. Porque andamos ontem para trás? Não encontro nenhuma explicação, para além das que ficaram em cima: Porque sim, para não ser sempre o mesmo, porque deu a travadinha a alguém, para lixar o juízo ao Silva. Tem que ser uma destas. Ou então o Jesualdo ligou a pedir o sistema de volta.

Por faltar o André é que não foi! Estava o Herrera no banco, o Otávio também, e o Teixeira na bancada. Não foi por falta de médios, foi por acreditar na ideia. Não oiças o Lápis, oh Est...Espírito, ele dijaquilo majé a brincar. Vai por mim, a ideia é má. Até preferia que te esquecesses do belo jogo que fizemos contra os lampiões - foda-se, lá se vai a multa! - na primeira volta. Afasta-te da tentação, Santinho.

Se podíamos antes, podemos agora! A onda azul não vai esmorecer. Até porque não há Bascos na costa. Ops, sorry, sou um fraco...
    

domingo, 19 de março de 2017

Uma música, dois ps



Ta ta tarararara tarararara ta ta

É isto. Cinco vezes. Até já.

PS. Leitura higiénica: As crónica de José Manuel Ribeiro e Carlos Tê, em "O Jogo" de hoje.

PS2. Os anúncios da emissão online do Porto Canal, antes da dita, funcionam lindamente. A emissão em si...é que não. Well... é muito irritante...

quinta-feira, 16 de março de 2017

A fúria



Ora biba, sou eu, o único Portista que está fodido da vida por ter ido de vela na Champions. Foda-se pá, eliminados! Já faz 13 anos que não ganhamos esta porra. Vai-se a ver, dava azar ganhar este ano. Fica para o próximo, pronto.

Nada de confusões, eu estou solidário com os elogios da malta à equipa; acho muito bem que tenham sido incentivados à chegada; compreendo - graças às múltiplas lições de bola que V.Exas me têm dado - que a lógica indicava que seria este o desfecho; e estou orgulhoso do espetáculo dos nossos tiffosi lá por aquela Roma. E agradecido também.

Não deixo é de ouvir o Silva estúpido a arengar que tivemos 3 golos cantados para marcar, no somatório dos dois jogos. E que, marcando, teria chegado. Mesmo a jogar com 10 mais de 90 minutos, fuoda-se! Como não tenho nenhum facto para contrapor a isto, vejo-me obrigado a suportar-lhe o ar de "vês que era possível?"

Não consigo envolver-me na onda do numfoimau, tavásperadepior, caimosdepé. Isto vai de adeptos a jogadores e eu não gosto. 

Opá, acreditem no tio Silva, quando vos diz que o pior que podem fazer, se vão cair, é ir de butes para diante. É que se partem todinhos. Se é para se esbardalharem, convém chegar ao chão enrolado. Aleija menos e fica a pessoa pronta para se levantar, mal a malta tem tempo de se desatar a rir.

Prefiro o orgulho ferido do que a resignação. Eu quero mesmo é toda a gente furiosa! Furibundos, como um gajo que se meteu nas cuecas da Charlize e brochou. E não sabia lamber. E era maneta dos dois braços. Bibraceta, pronto. 

Um tipo que fará da próxima queca a sua razão de viver. O momento em que se provará - a si e ao Mundo, via uma hidden cam no guarda-fatos - que é ainda o arquétipo do martelo pneumático da trunfalhunguice. Pouco importa se a cachopa é um bom pedaço mal ajeitada.

É isso que eu quero...

(Pausa para private joke: abacaxi, está claro.)

...Que façam do choco frrito a moça que nos redime. E os devolvam ao Sado com um andar novo. Que digo? Um andar? Pá, todo um condomínio fechado, com piscina e zona de recreio e barbacoa e o camandro. Tudo no cuzinho da fofinha. A querida não chora, aguenta. Só não se vire que tem as trombas do Couceiro, credo! Capaz o moço de falhar outra vez.

Agora, este clima de festa de homenagem aos mártires de Turim, enerva-me. Parece que é véspera de apresentação: Entra a equipa de cabelo azul e cara às riscas; e foguetes e o Diabakatro; ainda aparecem os homenzinhos de chocolate do ano passado. Tipo, o menino teve negativa, mas foi alta e o teste era muuuuitooo difícil. Vamos fazer-lhe uma festinha e comprar-lhe uns ténis.

O caralhinho, tábem? Não trates de estudar e tirar 90 no próximo, se queres ver duas lambadas nesse focinho que te salta o sangue porajórelhas. Bem!

E é já no Domingo. Cincazero, oubisteis? Com 3 do André, ohfaxabor. Também não gosto de meninos amuados e pouco confiantes. Vamo'lá majé abrir a pestanola e dar ao pernil. Bora.

...

Só maijuma coisinha, se não se importam. Está a fazer-me confusão essa coisa do éganharatécarnidytáfeito. Pardonnez? 

Então, é tudo muito complicado até esse jogo, mas ele próprio é um passeio no parque? E depois de enfiarmos mais 5 na pá dos postes de iluminação - não tenho guita para andar a pagar multas a chulos - acabou o campeonato? E se não enfiarmos, acabou? Perdendo, não há mais jogos?

Tu kéjbêr kesta malta anda kuma senhora gorda por uma trela? E a balofa canta quando a mandarem? Maganos.

...

Soundtrack to fury: No limit to what can be done!